FANNY E ALEXANDER (FANNY OCH ALEXANDER – 1982)

Talvez o melhor filme do festejado cineasta sueco Ingmar Bergman (Gritos e sussuros, Persona, Morangos silvestres, Cenas de um casamento, O sétimo selo). E mesmo conhecendo o apreço de Bergman pela forma (roupagem), ainda mais coadjuvado pela excelência da fotografia de Sven Nykvist, ficamos impressionados com o requinte do filme, a reconstituição de época, a direção de arte magnífica, impecável, as cores diferenciadas dos ambientes meticulososamente construídos e detalhados, os figurinos! Tudo impecável. Assim como o roteiro e o maravilhoso elenco, vivido com grande competência e rara harmonia, sob a batuta do maestro sueco. Uma história que nos transporta e faz com que nossos sentimentos e memórias transitem de forma emocional, por vezes inesperada, lírica, onírica, nostálgica e até impactante: a força do roteiro (com suas complexidades) sustenta delicada ou energicamente todos os elementos harmonizados durante todo o desenrolar do drama. Mesmo quando o enredo passa a ser iluminado de forma diversa, não tanto pela virtude dos costumes, mas pelos vícios e pecados camuflados (sendo então exposta a repressão religiosa). A essas alturas, um ator rouba a cena (na parte final será outro !), para provocar no espectador – tal sua competência na interpretação – legítima emoção de repúdio ou mesmo ódio. Há cenas comoventes, algo de misterioso, místico, de non sense na trama, mas grande leveza, alegria e surpresas no contexto familiar da primeira parte, alimentado também com ternura, doçura e emoção. Um trabalho de grande fôlego e um filme de elevado nível, ambientado na Suécia no ano de 1907, com foco em família de pessoas ligadas à arte, principalmente ao teatro, exibindo uma liberalidade burguesa, que mais tarde é oposta ao radicalismo e aos dogmas da religião. Curiosidades: 1) pelo que consta, o menino Alexander é o alter ego de Bergman; 2) o filme foi originalmente idealizado como minissérie, com mais de 5 horas de duração; 3) ganhou inúmeros prêmios, entre os quais os Oscar de Melhor filme estrangeiro, Melhor fotografia, Melhor direção de arte e Melhor figurino; 4) o fotógrafo Nykvist foi importante parceiro do diretor em diversos outros filmes, destacando-se Gritos e sussurros, Persona, Cenas de um casamento, Sonata de outono; 5) as críticas ao filme incluem principalmente a dramática transição de um gênero para o outro sem prévio aviso e o estilo teatral de algumas representações e cenas. Mesmo assim, o conjunto da obra é tão espetacular e os propósitos tão claramente definidos, que prevalece sobre todos os fatores a elevada qualidade da obra. 9,4

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