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ALL I DESIRE (DESEJO ATROZ)

Os filmes dirigidos por Douglas Sirk são em geral melodramas. Mas sempre bem feitos e com ótimos elencos. De fato, o diretor tem inúmeros exemplos disso em seu currículo, entre os quais Tudo que o céu permite, Palavras ao vento, Sublime Obsessão, Almas imaculadas…E este filme de 1953 não foge à regra, apresentando uma história dramática, com todos os elementos vinculados aos dramas daquela época, inclusive naturalmente o romance. Principalmente uma grande estrela e que realmente foi uma das maiores atrizes do cinema: Barbara Stanwick. Ela é sempre um espetáculo à parte, engrandecendo qualquer filme com sua beleza não tão convencional e suas interpretações que presenteiam o cinéfilo de bom gosto, nunca deixando seus personagens chegarem sequer perto da vulgaridade. Este filme também apresenta, entre outros, a atriz Maureen O´Sullivan, que 20 anos antes havia ficado famosa no papel de Jane do Tarzan Johnny Weissmuller e os jovens e galantes atores Richard Long, que faria alguns anos mais tarde a série “77 Sunset Strip” e a partir de 1965 consolidaria sua fama com a série “Big Valley” e Guy Williams, que brilharia depois tanto na série “Zorro”, quanto no filme “Capitão Sindbad” e na famosa série “Perdidos no espaço”. É um filme com ótimo ritmo, familiar, mas com alguns conflitos a serem resolvidos, do presente e do passado, alguns de natureza passional e muito complexos diante da época e do conservadorismo que imperava, principalmente naquela cidadezinha. De todo modo e apesar do mau gosto do título em português (já vem de muitas décadas…), o roteiro nos deixa interessados nos desdobramentos que vão acontecendo e é um passatempo de boa qualidade para se ver ou rever.  7,9

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PALM BEACH

Esta é um comédia de 2019 com tons dramáticos, co-roteirizada e dirigida por Rachel Ward, que também é atriz e fez muito sucesso a partir de 1983 com a famosa minissérie Pássaros Feridos: desde aquela época ela é casada com o ator Bryan Brown, que participou da minissérie e também atua neste filme, junto com ótimo elenco: Greta Scacchi, Sam Neil e Richard E. Grant, entre outros (inclusive a filha do casal no papel de Ella). Trata-se de uma reunião de amigos de longa data, em local paradisíaco na Austrália (a Palm Beach do título fica em Sydney), para comemorar a vida e a amizade, mas alguns fatos do passado vão emergir para abalar a estabilidade e a sensibilidade do grupo. Apesar de haver jovens no elenco, o roteiro é do típico interesse das pessoas mais velhas e experientes, que poderão se identificar mais facilmente com as situações apresentadas (alguns fatos, aliás, só os mais “antigos” entenderão). Há momentos de boa diversão -inclusive com alguns personagens assumindo as dificuldades naturais do envelhecimento- e outros mais sérios e emocionais, sendo o filme no conjunto um bom passatempo, sem grandes compromissos (como costuma acontecer com esse gênero de filmes), mas, no entanto, deixando ao final a impressão de que um roteiro mais elaborado teria aproveitado melhor a qualidade do elenco.  7,8

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STORM BOY

Existem filmes típicos daquelas sessões “Disney” (antigamente “Disneylândia”) ou da Sessão da Tarde, que possuem o mesmo padrão: são dramas familiares feitos para contar uma história e emocionar, geralmente com conteúdo totalmente previsível, embora invariavelmente sejam também edificantes, muito bonitos e tocantes. Para quem se emociona fácil, resta a opção: enfrentar o sofrimento já esperado ou fugir dele. Este é um desses filmes e com o “agravante” de envolver animais no enredo, o que significa tema fácil para os chamados “apelos sentimentais”. Os animais aqui, porém, não são muito costumeiros, até porque o filme se passa na Austrália e tem também esse diferencial: trata-se de pelicanos. E é impressionante como são filmados (aliás, cenas belíssimas, feitas nas costas do sul da Austrália, pouco habitada) e “domesticados”. Mas é uma história que tem como pano de fundo a ecologia e a necessidade de protegê-la (o que muitas vezes ocorre por meio de atos oficiais de preservação, elegendo determinada área como um “santuário”, por exemplo), o que a torna interessante e mais intensas as emoções. O elenco tem o ator adolescente Finn Little (14 anos), Jai Courtney, mas o mais conhecido e já famoso é o sempre excelente Geoffrey Rush (O discurso do rei, Shine…). No final das contas, quem embarcar certamente irá se emocionar muito (lenços a postos, portanto), embora, de todo modo, sempre valha a pena algo para mexer com os sentimentos, alimentando a alma e até fazendo refletir um pouco sobre a vida. 7,8

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A UM PASSO DA ETERNIDADE (HERE FROM ETERNITY)

Este filme produzido em 1953 e dirigido muitíssimo bem por Fred Zinnemann (Matar ou morrer, O dia do chacal, Uma cruz à beira do abismo, O velho e o mar…) se passa em 1941 em uma base do exército americano no Havaí e ficou muito famoso à época, principalmente pelo elenco e por uma cena que se tornou icônica na história do cinema: justamente a do cartaz do filme (escandalosa para a época). O excelente elenco é composto por Burt Lancaster, Montgomery Clift, Frank Sinatra, Deborah Kerr, Donna Reed, entre outros, tendo também grande destaque Ernest Borgnine, com ótima performance como o sargento pianista (odioso). O filme, sujeito às restrições de roteiro impostas pelas forças armadas às obras cinematográficas nas décadas de 30 a 60 (o chamado Código Hays) –o que impediu que fizesse determinadas conexões na história e mostrasse cenas que poderia (como as da prisão, envolvendo Maggio e o sargento)-, ainda assim apresenta um ótimo ritmo e uma linha narrativa coerente e até corajosa, enfocando tanto alguns fatos e conflitos na hierarquia do exército, outros que ocorrem na intimidade da caserna, assim como os que colocam frente a frente os sentimentos amorosos e a lealdade e a mor à instituição. É um filme com romance, ação e muitos dramas, mas que enaltece valores, notadamente os da lealdade e da amizade, desenvolvendo bem os personagens. Existem algumas lacunas que poderiam ser mais bem preenchidas, mas provavelmente isso é produto das limitações já referidas. De minha parte, achei ótima a cena final, embora haja muitas controvérsias sobre ela. No todo, um filme com ótima produção (incluindo som e fotografia), que apresenta mais de uma cena para ficar na memória  e que ainda guarda boa parte de seu impacto (inclusive em razão de Pearl Harbor) e das razões de ter ganho tantos prêmios em 1954: entre outros, o Globo de Ouro de Melhor Diretor e Ator Coadjuvante (Frank Sinatra) e os Oscar de Melhor Filme, Diretor, Roteiro (adaptado), Montagem, Mixagem de som, Fotografia, Ator Coadjuvante (Frank Sinatra) e Atriz Coadjuvante (Donna Reed).  8,8

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CANTANDO NA CHUVA (SINGING IN THE RAIN)

Este filme de 1952 tem a fama de ser o melhor musical já produzido pelo cinema. Merecida. Porque é, de fato, um filme magnífico: leve, divertido, perfeito em seu ritmo, em suas cores e números musicais. Fabuloso, inesquecível. O trio de protagonistas está em sua melhor forma e dispensa maiores comentários: Gene Kelly, Debbie Reynolds e Donald O´Connor. Quem não os conhece ou conhecia, não vai jamais esquecê-los. Inclusive impossível esquecer também dos grandes números musicais do filme (entre os quais a dança extraordinária e que lhe dá título), sendo que alguns deles carregados de quase inimitável magia –como o “Make ´em Laugh”. Vários, não por acaso,  envolvem Donald O´Connor, um excpecional ator e bailarino (desde criança), que participou de muitas produções musicais, mas nunca ganhou a notoriedade merecida, embora tenha vencido o Globo de Ouro no ano seguinte na categoria de Melhor Ator em Comédia ou Musical. De resto, ainda há no filme, entre outras, duas apresentações especiais, estas com a belíssima e atlética Cyd Charisse, uma bailarina maravilhosa mas que paradoxalmente aparece dentro de um contexto em que o filme destoa levemente do conjunto todo, ao apresentar cenas um pouco longas demais: é um trecho levemente cansativo, na parte em que o filme dentro do filme está tendo o seu roteiro reconstruído (com a apresentação dos musicais). Mas o sucesso do filme não se deve apenas aos atores, às atrizes, ao seu ritmo e aos números musicais: o roteiro é também excelente, rico, criativo e muito engraçado, ao se concentrar na época em que o cinema deixou de ser mudo para receber a voz e o som. Há cenas memoráveis nesses trechos da transformação e adaptação dos filmes à nova tecnologia e, com todo o mérito, o filme foi escolhido pelos roteiristas americanos como o de Melhor Roteiro de Musical. O diretor foi o cineasta e também coreógrafo Stanley Donen (Charada, Sete noivas para sete irmãos…), que em determinados momentos contou com o apoio técnico do próprio Gene Kelly, cuja arte é indiscutível. Divertido e inigualável, a tal ponto, que os referidos instantes “a mais” mencionados sequer arranham sua notável qualidade, é uma produção superlativa e que está certamente entre os melhores filmes já feitos para o cinema e incontestavelmente em primeiro lugar dentro do gênero musical.  10,0

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TEL AVIV EM CHAMAS

Uma comédia/sátira de 2018 que estreou no Festival de Veneza daquele mesmo ano, onde o Melhor ator foi justamente o protagonista do filme, Kais Nashif. Além disso, o filme recebeu prêmios em outros festivais, incluindo de roteiro.  Na verdade, o humor se instala aqui em um terreno fértil, porém extremamente delicado, envolvendo a ficção dentro da ficção como instrumento, mas abordando diversos temas relacionados aos palestinos e israelenses (a Guerra dos Seis Dias e toda a conjuntura sócio-política e econômica), em seus eternos conflitos. Tudo foi muito habilmente colocado, de modo a tangenciar limites que seriam a princípio “subversivos” ou “ofensivos” e esse é um dos grandes méritos do filme, que nos mostra usos e costumes, a própria língua, as limitações de ocupação e de fronteiras, mas com muita leveza e misturando crítica, política, com romance e drama, sem excessos aparentes: na verdade tudo gira em torno de uma novela que está sendo filmada (muito apreciada pela população, portanto com grande audiência) e as inesperadas interferências que acabam sendo feitas diariamente no roteiro. Divertido e ótimo cinema, tem a participação da grande atriz Lubna Azabal, que recentemente estrelou Adam, mas já havia brilhado no espetacular Incêndios.  8,0

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A VIDA INVISÍVEL

Filme brasileiro com qualidade “de competição”, livremente inspirado em livro escrito em 2016 pela jornalista e escritora Martha Batalha (A vida invisível de Eurídice Brandão”). Ganhou o prêmio “Um certo olhar” em Cannes e competiu à vaga do Oscar 2020 de Melhor Filme Estrangeiro, como representante do Brasil. Foi dirigido por Karim Aïnouz (Madame Satã, Praia do Futuro…) e toda a produção e o elenco são ótimos, com destaque para a notável atuação das duas protagonistas, Carol Duarte (Eurídice) e Júlia Stockler (Ana Margarida ou Guida) –são tão boas que se tem às vezes que prestar atenção para não confundir uma com a outra- e para a sempre impressionante atriz Fernanda Montenegro: apesar de participar de apenas pequena parte da história (não se pode negar que mesmo assim um belo chamativo para a Academia), sua atuação chama a atenção e é de fato absolutamente marcante/comovente. Talvez se possa apenas discutir a direção de arte, pois o tratamento de cores etc nos remete sempre aos tempos atuais e não à época enfocada. O filme é um drama com “D” (estilo melodrama, mas aqui no bom sentido), totalmente inadequado a menores, e que se centra na relação de duas irmãs, Eurídice e Guida em meio à sociedade (bastante patriarcal) dos anos 50, no Rio de Janeiro: em uma das cenas, uma personagem diz que a mãe é “a sombra do pai”; em outra, quando uma vizinha sabe que nasceu menino e não menina, simplesmente diz: “sorte dele”. A história é forte, tem momentos bastante crus (inclusive em algumas cenas de sexo) e não-convencionais e exige do espectador que saiba apreciar dramas intensos. Como recompensa, obterá além da qualidade, diversas emoções, de variadas formas e intensidades, com belas performances. Gosto à parte, de todo modo, mais uma prova da atual grandeza (possível) do cinema brasileiro.  8,6

 

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RETRATOS DA VIDA (LES UNS ET LES AUTRES)

Filme francês de 1981 que marcou sua época, principalmente em razão da música (desconhecida por muitos) que tornou célebre e que ficou definitivamente associada a ele: o Bolero, de Ravel. Mas na verdade o filme tem vários elementos a serem destacados: primeiro, trata-se de um longa metragem, o que para o público acaba sendo uma desvantagem, porque embora o filme para alguns possa ser tão variado que não se vê o tempo passar, para outros representa algo com momentos que poderiam ser eliminados ou reduzidos em sua duração (e a montagem tem uma ou outra falha dentro dos “retalhos” todos, de personagens e épocas); segundo, o diretor é o tão famoso quanto polêmico Claude Lelouch (Vivre pour vivre, Um homme et une femme…). Da mesma forma que ao filme, sobram críticas a esse diretor, tanto positivas quanto negativas e é impressionante como tais conceitos variam: as notas dadas ao filme, por exemplo, vão de 1 a 9, o que não é um fato muito comum. Isso significa que gostar ou não do filme parece ser uma questão meramente de gosto (ou de momento), senão de sensibilidade, de uma pessoa para outra. Até porque o terceiro destaque é a forma de apresentação do filme, com predominância da música e da dança: trata-se de uma saga, da história através dos tempos –com predominância da segunda guerra mundial e seus dramas e tragédias-, envolvendo gerações e basicamente famílias de países distintos, vale dizer, Estados Unidos, Alemanha, França e Rússia. São belos os temas e ouvimos músicas muito bonitas e significativas, com grandes apresentações, com destaque para o momento apoteótico de um final inesquecível, ao lado da Torre Eiffel.  Presenciamos amores e desamores, encontros e desencontros, catástrofes, muitas emoções, com os personagens nascendo, vivendo e morrendo em diversas conexões familiares e musicais. O quarto destaque são os arranjos musicais, de autoria de Michel Legrand e Francis Lai, simplesmente dois ícones franceses. Completando todo esse contexto (ou miscelânea), vários bons atores e atrizes, com grande destaque para os conhecidos James Caan e Geraldine Chaplin. Curiosidade: perto do final do filme aparece uma cena rapidíssima em que o filho do maestro (também interpretado por James Caan – aliás, o filme tem isso felizmente, para facilitar inclusive o espectador de acompanhar as tramas: os filhos são interpretados pelos mesmos atores e atrizes que fazem os pais) está ao lado de Sharon Stone, lindíssima. Também rapidíssima a presença de Fanny Ardant. É um filme longo, repleto de fatos, de músicas, de danças, de histórias paralelas, que se entrelaçam, mas que efetivamente marcou seu tempo e que na realidade para quem gostar será inesquecível, um espetáculo simbolizando o próprio ritmo da vida. Por fim, porém também muito importante, o registro da dança de Jorge Dann, famosíssimo bailarino argentino e que participa do filme em dois momentos simplesmente mágicos, portanto inesquecíveis. Esse dançarino já tinha 34 anos quando filmou, mas pelo filme é que ganhou maior notoriedade. Morreu tragicamente em 1992, vitimado pela Aids. 9,0

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FORREST GUMP (O CONTADOR DE HISTÓRIAS)

Este é um filme de 1994 e que tem uma das mais belas músicas de trilha sonora já feitas para o cinema. E essa música se torna ainda mais inesquecível porque é pano de fundo de uma já belíssima cena no início do filme e que no seu final tem um fechamento, com se diz, “com chave de ouro”, fazendo plena conexão com o começo. Algo lindo, tocante e memorável, porque absolutamente lírico e de extraordinário significado para a história e para o personagem. A história exige que o espectador embarque em um mundo de muita fantasia, mas se o fizer estará entrando em um cenário de aventuras e de muita criatividade: uma comédia dramática recheada de emoção, bom humor e sobretudo um painel histórico de nossa época, envolvendo competições, esportes, vários presidentes dos EUA, John Lennon, eventos diversos etc, sob o pretexto das “caminhadas” pelo mundo (e pelas épocas) do personagem e tudo muito bem temperado pelo consagrado diretor Robert Zemeckis (De volta para o futuro, Náufrago, O voo…) e pelo ator Tom Hanks , que dispensa maiores apresentações: ambos foram premiados tanto no Oscar, quanto no Globo de Ouro, com os prêmios máximos para direção e atuação, respectivamente, tendo o filme também levado outros prêmios (roteiro, montagem, efeitos visuais…) – foi indicado a treze Oscar e ganhou em seis categorias. Os prêmios de efeitos visuais se referem às inovações que foram feitas na época, para diversas cenas (inclusive na amputação de pernas). O filme é uma viagem dramática e também divertida, em busca do sentido da vida e passando mensagens de otimismo e superação: a mãe de Forrest, interpretada por Sally Field, sempre dizia ao filho que tudo é inesperado na vida (a vida é como uma caixa de bombons) e que deveria fazer sempre o seu melhor (Forrest tinha limitações intelectuais evidentes e sua meta era sempre desconhecê-las a favor da ação). Também estão ótimos no filme Robin Wright e Gary Sinise e a curiosidade é a estreia no cinema do ator Haley Joel Osment, então com seis anos (cinco anos depois estrelaria O sexto sentido e se tornaria famoso).  9,5

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AS PONTES DE MADISON

Este filme de 1995 certamente está entre os melhores de todos os tempos do gênero drama romântico. A direção de Clint Eastwood é extraordinária, imprimindo todos os contornos de delicadeza que a história exige, robustecida por um roteiro riquíssimo e que a maior parte do tempo retrata apenas o envolvimento de dois personagens. Porém com uma profundidade não usual: os diálogos são adultos, maravilhosos e perfeitos, inclusive porque espelham as faces verdadeiras dos seres humanos: falíveis, passionais, carentes, mendigos do amor e muitas vezes escravos da inevitável dor. Clint, então com 65 anos (a forma atlética não aparentava) está perfeito no papel do fotógrafo da revista National Geografic. Mas Meryl Streep está soberba. Sem a menor dúvida, considerando toda a carreira e os papéis diferentes em que brilhou, é a maior atriz de toda a história do cinema. Ambos dão um show. E Clint acumulando ainda o papel de diretor. Mas quando dirigiu este filme ele já havia dirigido Josey Wales, Os imperdoáveis, O cavaleiro solitário, O mundo perfeito etc. e viria ainda a dirigir, entre outros, J. Edgar, Além da vida, Sniper americano, A menina de ouro…portanto já tendo demonstrado e reprisado ser um expoente na categoria de cineasta, além de um excelente ator, notabilizado pelos westerns de Sérgio Leoni e seguindo no gênero policial, além experiências as mais diversas, inclusive como cineasta de grande talento e competência. O filme não tem propriamente uma trilha sonora. Nesse quesito, aliás, é até carente, porque a discreta trilha nada tem de especial. Mas isso acaba sendo um triunfo, para destacar a delicadeza e também a intensidade dramática de certas cenas, cada instante com o exato alcance desejado e necessário. E são, por outro lado, ótimas as músicas que fazem parte da história, geralmente blues e jazz, preferência inclusive pessoal do diretor. Tudo é muito bem feito (a ponto de alguns se sentirem desconfortáveis com o desenrolar da trama) e sobretudo natural. No final das contas, reprisamos o conceito de que somos a soma de nossas escolhas e a história, afinal, é sobre isso mesmo. Nossos padrões e questionamentos sobre o que nos aprisiona, diante de algo que subitamente quebra esses padrões…Uma frase do fotógrafo: “Os velhos sonhos eram bons sonhos. Não se realizaram, mas foi bom tê-los”. Os personagens são cativantes, a química do casal é perfeita e os vários conceitos que nos impressionam são e na verdade devem ser recebidos como tônica da própria vida. O final do filme deixa um efeito devastador e duradouro no espectador, fruto também da sinceridade/realidade/integridade do roteiro e da interpretação do casal. Importante também o papel dos filhos dentro do contexto todo: não só as reações (diferentes em cada um), mas as atitudes após o choque com a realidade. Não há também como esquecer da cena da maçaneta…quem vir, saberá…Em suma, um filme inesquecível, de grande beleza poética e que ocupa lugar de relevo na história do cinema sensível.  10,0

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AMADEUS

Um drama histórico/biográfico e épico de 1984 que, na voz e memória de um Salieri internado em um hospício (em 1823), conta a história do próprio Antonio Salieri (compositor da Corte Austríaca) e do gênio precoce Wolfgang Amadeus Mozart, detalhando o relacionamento entre eles e toda uma época. Por meio de uma confissão de Salieri –que atribui a ele mesmo a morte de Mozart- a um padre é que ocorre toda a narrativa, mostrando como surgiu o fenômeno “Amadeus Mozart” e também a rivalidade que teria causado todas as consequências na vida pessoal e profissional de ambos os compositores. Salieri era abastado, prestigiado como compositor favorito do rei, enquanto Mozart a nada se prendia, sendo obrigado a conseguir (ou mendigar) alunos para dar aulas ou ter trabalhos (óperas etc) encomendados pela nobreza para sobreviver. Milos Forman (Um estranho no ninho, Hair, Ragtime, O povo contra Larry Flynt) dirigiu maravilhosamente bem o filme, com o roteiro do próprio autor da peça teatral de 1979, Peter Shaffer. O filme apresenta um vasto painel das obras de Mozart, a maioria delas com regência do próprio compositor e que são apresentadas habilmente ao longo do filme, vinculadas apropriadamente aos significados atribuídos a cada momento ou a cada cena. São inesquecíveis alguns desses momentos, inclusive no início do filme, quando Salieri descreve ao padre sua devoção a Deus e à música e, ao mesmo tempo, a punição que teria recebido da divindade: a de constatar que a voz de Deus e manifestou através da obra de uma figura sem qualquer requinte, caráter, origem, na pessoa absolutamente de Mozart ; a descrição desses fatos e da dubiedade (odiar a pessoa e amar a obra) é acompanhada  das melodias produzidas e constitui instantes inesquecíveis e profundamente emocionantes no filme. Mas o brilho do personagem do italiano se dá ao longo de todo o filme, por grande mérito do ator F. Murray Abraham, que acabou ganhando o Oscar e o Globo de Ouro (entre outros) por essa atuação. Aliás, também brilhou e muito o ator Tom Hulce no papel de Mozart e de modo justo e incomum ambos foram indicados para o mesmo Oscar. Elizabeth Berridge no papel da esposa igualmente teve uma excelente performance. Como todo o elenco, por sinal. O filme foi indicado para onze Oscar e ganhou oito: Filme, Ator, Diretor, Roteiro, Figurino, Direção de arte, Maquiagem e Som. Também venceu o Globo de Ouro nas categorias de Filme, Diretor, Ator e Roteiro e o prêmio Cesar (Oscar francês) de Melhor filme estrangeiro. A grande parte das músicas do filme são composições de Mozart e essas foram incluídas na trilha sonora, que acabou se tornando uma das mais vendidas de todos os tempos, ainda mais considerado o fato de se tratar de música clássica (entrou na hit parade da revista Billboard, inclusive). É um longa metragem, mas de muito impacto e emoção e traz os fatos conforme supostamente aconteceram, embora no tocante à morte de Mozart ainda existam pesquisas e controvérsias, a maior parte negando a tese de que teria sido assassinado. Uma produção primorosa e que integra merecidamente inúmeras e respeitosas listas dos melhores filmes da história do cinema.  9,8

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SOMENTE DEUS POR TESTEMUNHA (A NIGHT TO REMEMBER)

Um filme feito em 1958, com ninguém muito famoso no elenco (exceto talvez David McCallum, o Illya Kuryakin de O agente da UNCLE), mas que ganhou notoriedade ao contar a história do navio Titanic, em sua viagem inaugural de 1912, como o maior e mais luxuoso navio de passageiros do mundo, orgulho do progresso, da indústria e da vitória do homem sobre as forças da natureza, como dito em um diálogo no início do filme. Antes da megaprodução com Leonardo di Caprio e Kate Winslet, este foi o filme mais famoso e inclusive ganhou alguns prêmios de melhor filme (o Globo de Ouro inclusive). O filme se baseou no livro de Walter Lord e, segundo consta em seus agradecimentos, também em relatos de sobreviventes. Naturalmente isso não é spoiler porque o naufrágio do transatlântico em sua primeira viagem faz parte da história e é do conhecimento de todos. Assistir ao filme vale pelo lado histórico e pela emoção dos momentos finais e dos detalhes: tanto aqueles relativos aos preparativos para a viagem (incluindo a alta sociedade, evidentemente), a comoção que tal viagem gerou na época, como os da própria viagem e do acidente (e posteriores), que naturalmente são os mais dramáticos e significativos do filme. Mas o verdadeiro drama pode-se dizer que se concentra em três fatos: primeiro, talvez por arrogância (diante de um navio inafundável), a falta de cuidados na navegação apesar da área de icebergs e a falta de atenção com os avisos vindos de outro navio sobre o perigo, que foi menosprezado (quando colidiu, o Titanic estava com sua velocidade máxima), segundo, a existência de botes salva-vidas para mil e poucos passageiros, quando o total de pessoas no navio passava de duas mil e terceiro, o desigual tratamento, quando da evacuação, das três classes de passageiros que estavam no navio. Apesar do lado histórico (fornalhas alimentadas a carvão, não existência de plantão de telégrafo, entre os fatos já citados) e de alguns bons momentos, é um filme sem grandes dramas por trás dos fatos que antecederam a batida no iceberg, consistindo em uma narrativa mais pragmática dos acontecimentos. O acidente, diga-se, ocorreu antes da metade do filme, ficando as emoções reservadas aos momentos críticos e finais apenas. Ainda assim, os instantes finais são desesperadores: o momento em que a proa está toda submersa, os do pânico geral, dos passageiros que ainda estão embarcados no momento em que o navio já está afundando (principalmente de terceira classe), as dificuldades mesmo após o navio afundar, com a restrita capacidade dos botes, com a água intensamente fria e a hipotermia etc. Também são motivos para reflexões em um mundo tão pragmático como o de hoje, algumas atitudes, digamos, “honrosas”, de passageiros impassíveis diante do naufrágio iminente, alguns preferindo morrer com dignidade a sair disputando lugar em botes, a dos próprios músicos, que, no “cumprimento do dever”, permaneceram tocando até os derradeiros momentos (fato relatado por muitos sobreviventes). Recomenda-se a quem interessar ler a história real na Wikipédia, no caso extremamente completa quanto ao assunto, demonstrando inclusive que o roteiro procurou o mais possível se aproximar da realidade. Seja como for, sem toda a emoção que poderia ter apresentado em seu todo (justamente desenvolvendo as histórias das pessoas envolvidas), o filme acabou não ocupando o lugar memorável que poderia ter na história do cinema.  7,8

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PREMIERES VACANCES

Um casal que se contatou pelo Tinder resolve fazer uma experiência pessoal viajando juntos, em suas primeiras férias, portanto, e escolhem um local neutro: a Bulgária. A partir daí esta comédia francesa de 2018 vai apresentar situações cômicas já conhecidas mas outras interessantes, não só por mostrarem pontos de vista diferentes sobre o modo de aproveitar as férias (o que é isso, afinal?), mas também em razão da própria vida, levando o espectador inclusive a refletir sobre o modus vivendi de cada um, o conformismo, a adequação social, a necessidade de buscar emoções, coisas novas para nos alimentar e manter nosso espírito sempre jovem e interessado. Situações que a princípio seriam ruins podem de repente ser boas e a recíproca também é verdadeira. E os dois protagonistas, embora não muito conhecidos, são ótimos: Camille Chamoux e Jonathan Cohen. Um roteiro leve, no estilo “sem compromisso”, ágil e divertido, que vale a guaraná e as pipocas, principalmente porque a direção do também francês Patrick Cassir não deixa o filme ter aquele excesso de “melosidade” de muitos filmes do gênero. 7,9

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A PRIMEIRA NOITE DE UM HOMEM (THE GRADUATE)

Impossível falar deste filme de 1967 sem mencionar diversos de seus aspectos secundários e que se tornaram não só importantes ou muito relevantes dentro do contexto, mas fundamentais para que ele se tornasse um marco na história do cinema. Para começar, foi o primeiro filme na carreira do fabuloso Dustin Hoffman, que poucos anos depois estrelaria Perdidos na noite (Midnight cowboy), O pequeno grande homem, seguindo-se outros de uma carreira de incontestável sucesso: Tootsie, Rain Man, Papillon, Kramer x Kramer, Todos os homens do presidente etc. Também estava em seus primeiros filmes a pequena-bela Katharine Ross, então com seus 27 anos –e que dois anos depois encantaria definitivamente o público em Butch Cassidy. E brilhou intensamente no filme a já experiente Anne Bancroff, que interpretou Mrs. Robinson, justamente a personagem que deu nome a uma das músicas de uma trilha sonora espetacular, cantada pela dupla Simon & Garfunkel. Entre outras, destaca-se a maravilhosa The sound of silence, que inclusive emoldura momentos vitais do roteiro. Além disso, o polêmico diretor Mike Nichols confirmava com esse filme (seu segundo, pois o primeiro foi Quem tem medo de Virgínia Wolf?) o que viria a ser uma carreira de muitos prêmios e sucesso. O Globo de Ouro premiou o filme em inúmeras categorias, a saber: Melhor filme comédia, Melhor diretor, Melhor ator revelação, Melhor atriz em comédia, Melhor atriz revelação. Embora tenha ganho outros vários prêmios, entretanto, o filme ironicamente não ganhou nenhum prêmio para a sua trilha sonora e só ganhou 1 Oscar: o de Melhor Diretor (no caso, nem figurou entre os 5 finalistas para o Oscar de Melhor trilha sonora). Todo esse aparato à parte, é um filme que apresenta uma boa crítica social e é sobretudo romântico e bastante divertido, principalmente na sua primeira parte, quando Dustin brilha de um modo especial, inclusive protagonizando uma cena que sequer estava no script, mas que acabou ficando no filme pela diversão que o improviso do autor provocou no diretor (conta Nichols que o fato ocorreu na primeira cena em que Benjamim está acompanhado no quarto do hotel, incluindo  ficar batendo a cabeça na parede). Assim, com todos esses elementos, embora algo ingênuo hoje em dia e com alguma perda de energia em sua parte derradeira, o filme sobrevive ao tempo (mesmo que parcialmente) e permanece como um dos destaques do cinema de todos os tempos. 9,0

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PLATOON

É um drama de guerra de 1986, dirigido por Oliver Stone, que já havia feito, antes dele, Scarface e O expresso da meia noite –depois deste filme, o cineasta ainda haveria de dirigir muitas outras produções famosas, como Wall Street, Nascido em 4 de julho, JFJ, The doors etc. Apesar de ter no elenco um Johnny Depp pós-adolescente (e que aparece alguns segundos apenas), o destaque aqui fica por conta de Willem Dafoe, Tom Berenger e Charlie Sheen, cujo pai curiosamente havia protagonizado um tempo atrás Apocalypse Now (muito melhor que o filho, diga-se, que acabou se encontrando no gênero “comédia” na TV). Na verdade, o conflito entre os dois primeiros citados é a tônica do filme, pois a partir de um acontecimento em uma aldeia vietnamita (excepcionais cenas e que certamente vão chocar e indignar o espectador) é que o enredo resplandece, rendendo na parte final do filme uma cena inesquecível para o cinema, vista do alto de um helicóptero: apesar de a música principal do filme, Adágio para cordas (feito em 1936 pelo compositor americano de música erudita Samuel Barber) tocar ao longo de toda a história, é no referido momento que ela se torna mais pungente e adquire o seu maior e trágico significado. O filme mostra diversos aspectos da guerra, a claustrofobia da luta nas terras traiçoeiras do Vietnã (com a perspectiva permanente da derrota, por alguns), os perigos, os conflitos, a loucura, a perda do idealismo, mas os aspectos éticos estão efetivamente relacionados com os dois personagens referidos e é o prato principal do roteiro. Mesmo assim, embora para muitos nunca vá perder seus méritos, diante de outras produções similares (principalmente após Apocalypse Now) o filme não parece hoje manter a mesma força que o levou a ganhar vários Oscar e Globo de Ouro (nas categorias de Filme, Diretor, Montagem e Som). 8,3

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MINHA QUERIDA BRIGITTE

Algo que não pode ser contestado é a maestria do cinema americano no que se refere a certos tipos de produção. Entre as quais aquelas comédias, ditas “de antigamente”, enaltecedoras dos bons costumes e princípios, da família, repletas de alegria, bondade, de bons exemplos, da vitória do bem sobre o mal (mesmo que parcialmente ou a duras penas). E esta comédia de 1965 é uma delas, valorizada por um roteiro que possui elementos a mais do que os filmes habituais do gênero e pela presença do notável James Stewart comandando o elenco, no papel de um zeloso chefe de família, que é também professor e poeta. Assim, o filme é típico daqueles da “sessão da tarde”, mas que além de divertir e comover (com grande qualidade, em ritmo, direção, atores e atrizes), também toca em temas menos usuais, como o de verbas, nas escolas, antes destinadas às ciências humanas (leia-se artes) e que passaram a ser destinadas para as exatas (leia-se assuntos científicos e bélicos), a “fome insaciável” da mídia na exploração de temas e pessoas (mesmo crianças), entre outros. Mas no todo, acaba mesmo sendo uma irresistível comédia, leve, divertida, emocionante e naturalmente com algumas lições de moral, evocando no título o nome da atriz Brigitte Bardot, diva francesa (ainda no auge, embora tenha “explodido” muitos anos antes como símbolo sexual) e que era uma das fascinações dos americanos na época. A esse respeito, chama a atenção a atuação do ator Bill Mumy, como o filho de 8 anos do professor (na verdade o ator já tinha 11 anos à época), até porque naquele mesmo ano viria a protagonizar o personagem que o notabilizou: Will Robinson, na série “Perdidos no espaço”. E apesar de este filme ser interessante em seu todo, a parte final é um destaque à parte e que realmente vale por todo o filme: é algo emotivo, marcante e muito especial, que ficará gravado para sempre na memória dos fãs e dos apreciadores da sétima arte.  9,0

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7500

O cineasta alemão Patrick Vollrath especializou-se em curtas metragens e ganhou vários prêmios nessa modalidade cinematográfica, tendo sido inclusive indicado ao Oscar 2016. E este foi o seu primeiro longa metragem e por ele tem recebido os maiores elogios, ocorrendo a estreia mundial do filme no Festival de Locarno (Suiça), em agosto de 2019 –este festival existe anualmente desde 1946. É um thriller com momentos simplesmente espetaculares, de tensão quase insuportável e uma agonia realmente intensa. E, nesse particular, o diretor desde o início já se mostrou original e ao mesmo tempo implacável com o espectador, ao limitar a área de ação do filme à cabine de pilotagem de um avião de passageiros: quem vê o filme, portanto, durante toda a sua duração só presencia os acontecimentos do cockpit e sob a perspectiva, visual e auditiva, de quem ali está. Em razão dessa opção do diretor, o suspense também ocorre -e muito- pelo que se imagina e pelas viagens que faz a nossa mente, ao supor o que está se passando no restante da aeronave. Ao começar o filme, somos pelo menos brindados com a intimidade da tripulação nos preparativos do voo, testemunhamos desde as conversas informais até as primeiras providências técnicas relativas ao embarque e ao voo propriamente dito. Porém a partir daí, com o início da ação e das ocorrências de bordo, viveremos fortes emoções, continuando confinados ao cockpit. Joseph Gordon-Levitt (Looper, A origem…) tem neste filme uma das melhores atuações de sua carreira e seu papel difícil faz com que seja realmente um desempenho memorável. O ator Omid Memar também apresenta uma performance admirável, apesar de sua pouca experiência e idade (21 anos). Um ótimo drama de suspense e ação, extremamente bem conduzido por Patrick, notadamente quanto à direção de atores e às ações (efetivas ou sugeridas) fora da cabine. O final do filme é brusco e vem com a mesma frieza com que o diretor nos impactou durante todo o seu desenrolar, no sentido de não fazer qualquer concessão ao sentimentalismo. Apenas nesse ponto, então, é possível avaliar-se as perdas e ganhos e refletir-se sobre se as opções tomadas foram realmente as melhores. Só que o tempo também é implacável contra qualquer arrependimento. 8,8

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MARCHA DE HEROIS (THE HORSE SOLDIERS)

Com dois grandes astros de Hollywood, fora o diretor, este faroeste foi mais um da parceria John Ford e John Wayne (o eterno cowboy heroico, enérgico e destemido) e apareceu no período intermediário entre Rastros de Ódio (1956) e O homem que matou o facínora (1962), precisamente em 1959. O outro astro (grande!) do filme é William Holden, que já era consagrado por alguns filmes feitos nos anos anteriores: Crepúsculo dos Deuses, Inferno número 17, Suplício de uma saudade, Férias de amor. Este filme se passa na época da Guerra Civil americana (ou Guerra da Secessão), que ocorreu entre o Norte (ianques, da União, com uniforme azul escuro) e o Sul (confederados, com uniforme cinza claro), nos anos de 1861 a 1865. O título se deve ao deslocamento de uma tropa da cavalaria do exército da União, em direção ao sul, comandada pelo Coronel John Marlowe (Wayne), em uma difícil missão, ainda mais tendo desavenças com o médico (personagem de Holden) e integrando o grupo uma ex-aristocrata sulista como refém (Constance Towars). A aventura naturalmente vai propiciar alguns confrontos entre nortistas e sulistas, muitos tiros, muitas mortes e a exposição dos horrores da guerra, entre mortos e feridos. Não é um filme sem falhas e nem totalmente harmônico, mas o diretor e a dupla de astros atraiu na época quase 4 milhões de dólares para as bilheterias e o filme foi um grande sucesso. No cômputo geral um bom filme dentro do gênero, com muita ação e aventura, como desejam os fãs. 8,2

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FILTH

Este é um filme britânico independente de 2013 difícil de descrever. Para começar, deve-se declarar que não é para todo o tipo de público –basta se dizer que foi baseado em livro escrito pelo mesmo autor de Trainspotting (quem viu ou ouviu falar já entendeu). Entretanto, com dez minutos de filme, o espectador já saberá se o estilo o agradará ou não. Neste caso, basta partir para outro programa; do contrário, porém, estará diante de uma obra no mínimo instigante e saborosa até o final. Porque é diferente, criativa, embora totalmente anárquica e anticonvencional, inclusive quanto ao personagem principal, desempenhado pelo excelente e já veterano ator James McAvoy (que inclusive chamou muito a atenção e brilhou ao desempenhar inúmeros e diferentes personagens simultaneamente no filme Fragmentado). Além dele, há outros rostos conhecidos, mas não tão famosos, porém o relevante aqui é o protagonista e a história: ele é um policial escocês envolvido em um caso especial, com desejos de promoção e que apresenta vários problemas inclusive comportamentais, sendo meio bipolar ou esquizofrênico, viciado em drogas, em sexo e, portanto, totalmente imprevisível e realmente perturbador da ordem vigente (destruidor de símbolos sociais). Com isso, e conforme o personagem se degrada (a busca da causa é interessante), vemos em torno –inclusive com a bela atuação de todo o elenco- também o desfazimento de valores da própria sociedade. Muito humor negro, loucura, obsessão e talvez a resposta ao final seja ou não satisfatória, mas pelo menos vai desfazer em pouco o emaranhado de fatos que o roteiro nos coloca e que se tornam além de subversivos, altamente prazerosos, notadamente por conta do roteiro, da direção de Jon S. Baird, da marcante trilha sonora e da inesquecível atuação do seu protagonista.  8,9

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O GUARDA-COSTAS

Este é um filme com ação, suspense e –que não seja spoiler– sobretudo romântico, cuja linha mestra é totalmente previsível. Entretanto, faturou mais de 500 milhões de dólares após ser lançado no ano de 2002. E são três os motivos: primeiro e menos importante, o roteiro apesar de repetir velhas fórmulas, traz o que todos os espectadores querem ver: as emoções e tensões, os closes, as cenas românticas com pitadas ou sugestões de erotismo, algum mistério (quem é o assassino, afinal?) e momentos de ação com perigo; segundo e terceiro motivos do sucesso do filme: Kevin Costner e Whitney Houston. Ele, que já era um galã renomado e bilheteria certa, nos anos anteriores havia feito Os intocáveis, Campo dos sonhos e Dança com lobos. Ela, que já começara a brilhar como cantora havia alguns anos e inclusive cantou o hino Olímpico em 1988 (na abertura), alcançou em 1991, ano anterior ao filme, um pedestal onde poucos subiram: cantou no Super Bowl simplesmente o hino dos EUA (The Star-Spangled Banner) e se tornou um hit, vendendo mais de 1 milhão de cópias. No filme, ela não assume o papel de Whitney, adotando outro nome, mas canta músicas e age como se fosse ela mesma, uma famosa e endeusada cantora. O que justifica a necessidade de um guarda-costas de respeito…Aliás, a trilha sonora do filme (uma ou outra música composta pela própria Whitney) vendeu mais de 38 milhões de cópias. E realmente é prazeroso e emocionante ouvir, pelo menos parcialmente, a consagrada I will always love you e a belíssima Run to you, ambas incomparáveis na voz da cantora, que parece imbatível quanto ao título de a melhor de todos os tempos. Com todos esses elementos, o filme não poderia deixar de ser o sucesso que foi, mesmo tendo um história já manjada desde o início, sendo ainda hoje bem palatável como um ótimo passatempo. 8,7