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HOLY SPIDER

Um drama com suspense, iraniano (na verdade produção europeia), que contém cenas cruas e não faz julgamentos, apenas apresentando os fatos, que ocorreram realmente na “capital espiritual do Irã” (a segunda mais populosa do país, com mais de 3 milhões de habitantes) no início dos anos 2000 em Mashad, ou Mashhad, ou, ainda, Meshed/Mexede. É um filme diferente e surpreendente, na verdade chocante em sua temática com fartas doses de realidade, incluindo cenas que certamente causarão choque ou repugnância para alguns. Aliás, o tema propriamente é indigesto e causa desconforto, principalmente diante da real constatação das diferenças culturais e do fato de que o que é moral e ético para alguns (ou algumas sociedades ou religiões), é totalmente reprovável para outros. E ainda: ser possível que um criminoso seja, ainda que por alguns (às vezes muitos), alvo de admiração e respeito! Como a própria sociedade se constrói sobre regras e que para muitos são absolutamente discutíveis sob o ponto de vista humanitário ! E mais: como o indivíduo envolvido (ou cego) em sua fé tem a absoluta certeza de estar seguindo o caminho correto e o faz, sem pestanejar, na plena convicção de que seus atos estão em conformidade com o que aprendeu, com o seu destino e com a vontade do deus que idolatra: fiel adoração que muitos chamam de fanatismo…Um filme, pode-se dizer, do gênero policial – incomum para o cinema iraniano -, conduzido com maestria por Ali Abbasi, roteiro bem enredado e elenco impecável. A atriz Zar Amir Ebrahimi (a jornalista) inclusive foi premiada no famoso Festival de Cannes (Melhor atriz em 2022). Certamente vai gerar as opiniões mais diversas do público, conforme talvez a convicção e as crenças de cada um, mas quem conseguir distanciar um pouco o filme das paixões que provoca e enxergá-lo puramente como obra cinematográfica, certamente dará a ele um crédito bastante positivo. Predominando os fatores já mencionados e o elemento cultural, a cena que precede o final poderá surpreender e o fecho do filme ocorrerá de forma brilhante – embora também impactante e revoltante. 8,6

 

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MENINA BONITA (PRETTY BABY)

Este filme de 1978 foi uma ousadia do diretor Louis Malle (Ascensor para o cadafalso, Um sopro no coração e, depois, Adeus meninos e Perdas e danos) e deu (dá) muito o que falar desde a época de seu lançamento. Muitos provavelmente ficarão chocados, embora mais de 40 anos depois. Porque a personagem principal tinha de 12 para 13 anos e toda a história do filme praticamente se passa dentro de um bordel de Nova Orleans dos anos 20 (1920). Ela é filha de uma das prostitutas e ali vive, interpretada pela atriz Brooke Shields. E o lindíssimo rosto dessa que foi uma das mais belas atrizes que o cinema já teve, aparece já em close na primeira cena do filme. E também é desse rosto a última cena, mas bem visível – e eloquente – a diferença de expressões. Além da invulgar beleza (evidenciada à exaustão pela maravilhosa fotografia), a precoce atriz, pré-adolescente, já apresentava também um evidente talento dramático, naturalmente respaldada pelo ótimo elenco – ainda mais considerado o ambiente no qual a história se passa -, principalmente pela excelente Susan Sarandon, aqui com 32 anos e no auge de sua beleza. O ator Keith Carradine na minha opinião é a única exceção, pois apesar de ter um papel muito importante, fica devendo muito em expressões, parecendo mais uma estátua do que um personagem. Mas efetivamente deve-se reconhecer que o filme é chocante, pelas cenas que mostra, inclusive envolvendo praticamente uma criança, que passeia pelos adultos como se estivesse integrada àquele ambiente de prostíbulo (embora atenuado em sua rudeza), muitas vezes sendo tratada como objeto (há até um leilão…), cenas essas que seriam intoleráveis nos dias de hoje. Resta indagar como, em plena década de 70, os pais da atriz concordaram com a participação dela no filme. À parte os fatos acima, o enredo do filme é meio arrastado, não há lá muita criatividade e os atrativos maiores são justamente o que são alvo das polêmicas, ressuscitadas a cada exibição, muitos enquadrando o filme como “de arte” e o comparando até a “Lolita” e outros considerando-o de mau gosto, agressivo ou mesmo puro lixo cinematográfico. Vale, dessa forma, ser visto para que cada um chegue à sua própria conclusão ou mesmo por mera curiosidade. 8,0

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ESTRANHOS PRAZERES (STRANGE DAYS)

A diretora deste filme, Kathryn Bigelow, recebeu-o das mãos de seu ex-marido James Cameron, que escreveu o roteiro. E fez um ótimo trabalho. Ela viria, aliás, em 2008, a ser a primeira mulher a ganhar um Oscar de Direção, pelo filme Guerra ao terror (The hurt locker). A história aqui é futurista, dramática e ousada, pois escrita em 1995 sobre acontecimentos previstos para quatro a cinco anos depois, em uma Los Angeles totalmente alucinada, suja, caótica, violenta, onde convivem com as luzes, a fumaça e o neon drogados, prostitutas, cafetões e marginais de toda espécie. É um filme de ficção, mas com algumas pitadas filosóficas em meio à ação e ao permanente duelo proposto, entre tecnologia e humanidade. Nada de novo nesse item e em alguns momentos talvez o filme pudesse ter até um melhor desenvolvimento. Mas ele é harmônico em sua grande parte, com algum mistério, muito suspense e ação, um thriller de ficção científica, afinal. Onde brilham principalmente Ralph Fiennes (que tinha 36 anos à época, já havia feito O paciente inglês, O jardineiro fiel e faria, entre outros, A escavação e alguns das séries Harry Potter e 007) e Angela Bassett (que ganhou recentemente o Globo de Ouro e o Critics Choice Movies Awards como Coadjuvante em Pantera Negra: Wakanda para sempre). Também está muito bem Juliette Lewis, que havia despontado em Aprendiz de sonhador e se revelado de um modo contundente em Kalifórnia e Assassinos por natureza, um ano antes. E de conhecidos atuam Vincent D´Onofrio, William Fichtner e Tom Sizemore. Boa história, diferente, ótimo ritmo, bela trilha sonora, uma boa diversão e com uma parte final com boas doses de adrenalina. 8,7

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O DESTINO DE HAFFMANN

Mais um filme ambientado em Paris durante o período da Ocupação (1941 e 1942 no caso), leia-se Segunda Guerra e invasão nazista. Leia-se também perseguição e massacre de judeus. Entretanto, o roteiro deste filme é baseado em peça teatral bastante consistente e possui um desdobramento rico e interessante, trazendo um contexto diversificado e inesperado em uma trama que aparenta ser simples logo no início, mas que envereda por várias ramificações, apesar da limitação do espaço. Na verdade, o diretor Fred Cavayé, com uma boa história em suas mãos e contando com um brilhante trio de intérpretes, consegue em ambiente absolutamente restrito contar um drama que acaba sendo diferente e emocionante. A história é forte, criativa (embora não deixe de assumir tons verossímeis) e os dois atores e a atriz a interpretam de uma forma contundente e que contagia o espectador: o veterano Daniel Auteuil é sempre visceral em seus personagens, por menos energia que seja forçado a gastar; o também nada novato Gilles Lellouche personifica de maneira marcante alguém que, pelas circunstâncias, acaba assumindo posições contestáveis ética e moralmente (o que exige maestria, mas a aversão que provoca atesta a qualidade da performance); e, por fim, a atriz Sara Giaraudeau consegue imprimir tons gradativos de emoções diversas à sua personagem, que, conforme o enredo avança, resplandece e mostra ser mais real do que as sombras que a cercavam sugeriam inicialmente. Realmente uma obra bem compatível com uma peça teatral, mas que levada às telas também funciona de forma eficiente. 8,6

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28th Critics’ Choice Awards – VENCEDORES (15/01/23)

PRÊMIO DOS CRÍTICOS DE CINEMA DOS EUA 2023 – CRITICS CHOICE AWARDS

 

VENCEDORES

 

FILME – TUDO EM TODO LUGAR AO MESMO TEMPO

DIRETOR – DANIEL KWAN (TUDO EM TODO LUGAR AO MESMO TEMPO)

ROTEIRO ORIGINAL – DANIEL  KWAN (TUDO EM TODO LUGAR AO MESMO TEMPO)

ROTEIRO ADAPTADO – SARAH POLLEY (WOMAN TALKING)

EDIÇÃO – DANIEL KWAN (TUDO EM TODO LUGAR AO MESMO TEMPO)

ATOR – BRENDAN FRASER (THE WHALE)

ATRIZ – CATE BLANCHETT (TÁR)

ATOR COADJUVANTE – KE HUY QUAN (TUDO EM TODO LUGAR AO MESMO TEMPO)

ATRIZ COADJUVANTE – ANGELA BASSETT (PANTERA NEGRA: WAKANDA PARA SEMPRE)

FILME ESTRANGEIRO – RRR

FILME DE ANIMAÇÃO – PINÓQUIO

FOTOGRAFIA – TOP GUN: MAVERICK

DIREÇÃO DE ARTE – BABILÔNIA

FIGURINO – PANTERA NEGRA: WAKANDA PARA SEMPRE

TRILHA SONORA – HILDUR GUÖNADOTTIR (TÁR)

CANÇÃO – NAATU NAATU (RRR)

EFEITOS VISUAIS – AVATAR: O CAMINHO DA ÁGUA

MAQUIAGEM – ELVIS

 

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GLOBO DE OURO 2023 – realizado em 10 de janeiro de 2023 nos EUA e não transmitido para o Brasil – VENCEDORES

MELHOR FILME DE DRAMA

“Os Fabelmans”

MELHOR FILME DE COMÉDIA OU MUSICAL

“Os Banshees de Inisherin”

MELHOR DIREÇÃO

Steven Spielberg (“Os Fabelmans”)

MELHOR ROTEIRO

Martin McDonagh (“Os Banshees de Inisherin”)

MELHOR ATOR EM FILME DE DRAMA

Austin Butler (“Elvis”)

MELHOR ATRIZ EM FILME DE DRAMA

Cate Blanchett (“Tár”)

MELHOR ATOR EM FILME DE COMÉDIA OU MUSICAL

Colin Farrell (“Os Banshees de Inisherin”)

MELHOR ATRIZ EM FILME DE COMÉDIA OU MUSICAL

Michelle Yeoh (“Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo”)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM FILME

Ke Huy Quan (“Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo”)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM FILME

Angela Bassett (“Pantera Negra: Wakanda Para Sempre”)

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO

“Pinóquio”

MELHOR FILME EM LÍNGUA NÃO-INGLESA

“Argentina, 1985” (Argentina)

MELHOR TRILHA SONORA

Justin Hurwitz (“Babilônia”)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

“Naatu Naatu,” Kala Bhairava, MM Keeravani, Kala Bhairava, Rahul Sipligunj (“RRR”)

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PINÓQUIO (PINOCCHIO – animação)

Sempre achei, desde criança, Pinóquio o desenho mais perverso da Disney, o mais tenebroso, de longe o mais assustador de todos. Há muitos momentos em que efetivamente seus destinatários não são as crianças, mas os adultos. E certas cenas para as crianças certamente representam verdadeiros momentos de terror. Esse sentimento se confirma agora, com esta extraordinária animação dirigida por Guillermo del Toro (A forma da água, O labirinto do Fauno, O beco do pesadelo, Hellboy) e com o carimbo Netflix (e outras produtoras e produtores associados). É a famosa e conhecida história de Geppetto e seu boneco de madeira, construído pela perda do filho Carlo, mas aqui com grande foco na história original do século 19 (de Carlo Collodi), sendo algo muitas vezes triste, outras vezes até cruel e sombrio. Nada adequado a crianças, portanto, em vários momentos, como os de alguns encontros do boneco com a “fada” azul, com o vilão, com os nacionalistas (inclusive armados), as cenas com o monstro marinho e assim por diante. Mas deve ser enaltecido em seu conteúdo moral, geralmente representado pelo icônico grilo falante e também por algumas cenas de grande conteúdo dramático e emocional, principalmente na maravilhosa parte final. Em termos de qualidade técnica, porém, é impressionante a perfeição desta animação, em todos os sentidos, tanto artisticamente, quanto em ritmo e desenvolvimento. E a parte final é realmente extraordinária e emocionante, enaltecida ainda pela bela trilha sonora que emoldura toda a história, sendo que uma das músicas concorre ao Globo de Ouro desta noite, 10 de janeiro de 2023. E não é à toa que a animação também concorre na categoria de Melhor filme – animação. Também merece destaque o fato de que as vozes deste belo trabalho, na versão original, são de vários artistas conhecidos, como Cate Blanchett, Tilda Swinton, Ewan McGregor, John Turturro, Christop Waltz e Ron Perlman. Como uma animação, o filme merece a nota máxima, mas como diversão, que é o que conta aqui, a cotação é outra, que leva conta o fato de o enredo ser por demais conhecido e reprisado (a partir do original de Disney, de 1940), o lado sombrio do roteiro, mas também a parte final, resgatadora. 8,8

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A HORA DO ESPANTO (FRIGHT NIGHT)

Este filme fez um grande sucesso na época (1985) – uma das maiores arrecadações do ano, superando grandes lançamentos – e surpreendentemente ainda continua divertindo nos dias de hoje. É uma comédia de terror, mas tem alguns ingredientes que explicam o encanto que ainda se mantém vivo. É muito bem produzido, tem um ritmo incessante e mistura muito bem cenas de humor com um clima dos verdadeiros filmes de suspense e terror, aqueles estrelados por Peter Cushing e Vincent Price nos anos 50/60. Aliás, um dos personagens importantes do filme se chama Peter Vincent, em clara homenagem aos dois citados, ícones do cinema de horror. Esse personagem é desempenhado pelo “quase sempre o mesmo” Roddy McDowall, ator que se notabilizou por ser amigo de Elizabeth Taylor desde a meninice e também por fazer um papel muito importante no filme O planeta dos macacos. Mas um dos trunfos do filme é o vampiro sedutor, desempenhado pelo ator Chris Sarandon, que protagoniza algumas cenas bem sensuais, inclusive em parceria com a personagem da atriz Amanda Bearse. Estão presentes no filme os principais itens dos filmes clássicos de vampiro, mas com muito humor e sátira, embora sem perder de vista uma roupagem elegante e ao mesmo tempo de mistério e suspense, de que se reveste a história. O filme tem um pool de diretores, mas se destaca Tom Holland (que o escreveu), que também dirigiu Brinquedo assassino (o primeiro filme de Chucky). Sutilmente aqui (exceto em uma rápida e reveladora cena), vale observar, um subtexto gay, que hoje se percebe talvez mais claramente. Ótima diversão para todas as idades, para talvez levar alguns sustos, mas ver com pipoca e guaraná (ou coca). 8,5

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AS BESTAS

Um drama hispano-francês de 2022 de estilo tenso, ritmo lento, que se passa em tempos contemporâneos mas na zona rural do interior da Espanha: locais rústicos e homens rudes. Não é algo para todos os momentos, nem para todo tipo de público, mas quem apreciar seu estilo, degustará algo extremamente saboroso em termos cinematográficos. Em línguas francesa, espanhola e galega, mostra costumes duros, envolvendo trabalho de sol a sol, mas também muito orgulho e muitas mágoas que a ignorância não ajuda a curar, inclusive de guerras antigas contra estrangeiros, o que acentua o preconceito e faz aflorarem os instintos primitivos. Onde o que é justo ou injusto é meramente intuitivo, apesar de haver autoridade local e alguma tecnologia sendo utilizada. A direção de arte, a montagem e a caracterização dos personagens, o excelente elenco e a firme direção de Rodrigo Sorogoyen (O candidato, Que Dios nos perdone) constroem uma obra de fôlego e um clima permanentemente pesado e de suspense, acentuado pela perturbadora trilha sonora. Todos os elementos de produção são harmônicos em qualidade. O filme inicia com uma cena inusitada e chocante – e que mais tarde terá sentido pleno -, nos apresentando os “aleitadores”, que são profissionais que dominam e imobilizam, com as próprias mãos e em trabalho conjunto, animais de porte (no caso, cavalos). Questões sociais e de vizinhança são incendiárias aqui e vários fatos vão se sucedendo na sequência de um roteiro forte e bem costurado. Há vários diálogos contundentes ao longo do enredo, chamando a atenção os do bar, um especial entre mãe e filha e o da compra das ovelhas, onde a cena efetivamente mexe com nossas emoções de forma inesperada e desconcertante. A própria ambientação contribui para o clima do filme e permite muitas cenas densas e misteriosas, cercadas de elementos selvagens, tudo enaltecido pela competente fotografia. Um filme intenso, com personagens bem delineados, a tal ponto de nos transmitirem um medo real, o que muito se aplica na performance dos atores Luis Zahera e Diego Anido. Por outro lado, Denis Menochet e Marina Fôis nos embalam e emocionam em momentos dos mais diversos, inclusive um ou outro – por exceção – de ternura. Mas na verdade o elenco todo é estupendo. Um filme cru, que não tem nada de divertido ou de alegre, mas representa um cinema de alto nível e certamente a realidade de épocas e lugares distintos. Existem críticas pelo seu desfecho, mas discordo delas, porque são os fatos que frustram e não o encaminhamento dado a eles, que, afinal, dentro do contexto, não poderia ocorrer de modo diverso. Concorre a 17 prêmios nas seguintes 16 categorias do Oscar espanhol, o Goya, cuja cerimônia acontecerá no próximo dia 11 de fevereiro: Filme, Diretor, Montagem, Roteiro original, Ator, Ator coadjuvante (nominados Zahera e Anido), Atriz, Atriz coadjuvante (Marie Colomb), Fotografia, Direção de arte, Figurino, Som, Efeitos especiais, Maquiagem, Direção de produção e Música original. 9,0

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UM HOMEM MEIO ESQUISITO (MONSIEUR HIRE)

Um drama francês de 1989 – com um conteúdo policial -, que faz um interessantíssimo estudo sobre o voyeurismo. Todos sabem que os limites do voyeur estão na distância do objeto adorado. Mas e se essa distância se reduzir ou desaparecer? Quais poderão ser as consequências? E se ainda houver em meio a esses fatos um crime e a polícia investigando para descobrir o criminoso? Este filme é invulgar, com um roteiro bem construído e momentos surpreendentes, muito bem dirigido por Patrice Leconte (o mesmo diretor de O marido da cabeleireira) e interpretado magistralmente por Michel Blanc e Sandrine Bonnaire. O clima do filme é de mistério, mas também com um perfume de tragédia no ar. Trilha sonora muito boa e na verdade o filme fala de sentimentos, fala de amor, de frustração, de rejeição, de ilusões. A parte final é realmente inesperada em seu desdobramento, deixando o espectador interessado até a derradeira cena. Pena que o diretor quase estraga tudo na cena em que aparece um lamentável sangue com cor de tinta. E pena o título em português, na verdade apenas um a mais a ser lamentado. Mas um roteiro inteligente, atraente, que torna intensos os sentimentos, ainda mais diante do frescor jovial da bela atriz e da interpretação magnífica de Blanc. 8,8

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O PÁLIDO OLHO AZUL

Filme de época produzido pela Netflix em 2022, adaptado de romance, estrelado por Christian Bale e dirigido por Scott Cooper (ator, produtor, roteirista e diretor americano de Coração Louco). De nomes conhecidos, atuam também no filme Gillian Anderson, Charlotte Gainsbourg e Timothy Spall. Também atua e muito bem a bela Lucy Boynton (Bohemian Rapsody). Os fatos aqui se passam em 1830 em West Point e lembram os filmes de Sherlock Holmes, pois um veterano detetive é encarregado de investigar assassinatos na Academia Militar americana e vamos com ele acompanhando passo a passo as investigações. Recheadas naturalmente de mistérios e suspense. O componente diferente da história é que esse detetive (Bale) acaba encontrando uma inusitada parceria – ou inspiração – em um dos cadetes e que simplesmente se trata de Edgar Alan Poe. Poe foi poeta, editor, crítico e um dos mais famosos escritores americanos, conhecido por seus contos de mistério e terror (como O corvo), embora tenha também contribuído para a ficção policial e científica. E realmente foi cadete em West Point em 1830. Voltando ao filme, tem um ótimo clima, é muito bem produzido, mas não apresenta fórmulas novas, embora possa apresentar uma ou outra surpresa e mantenha o interesse até o fim. A propósito, o roteiro guarda algo inesperado para o final. 8,6

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O MENU

Classificado como uma comédia dramática, este filme na verdade contém outros gêneros, mas revelá-los seria estragar a surpresa e dar spoiler, de modo que é melhor manter os fatos em sigilo. O filme começa com ares requintados, compatíveis com sua temática relacionada à alta gastronomia. Um estudo da elite, só que em local isolado da civilização. E assim prosseguimos, vivenciando pequenos dramas dos vários personagens participantes da trama, ao mesmo tempo em que somos introduzidos a uma culinária requintada. Do grupo de personagens, destacam-se efetivamente os protagonizados por Ralph Fiennes (brilhante) e Anya Taylor-Joy, ambos indicados para o próximo Globo de Ouro (dia 10 de janeiro de 2023), respectivamente, nas categorias de Melhor ator em filme comédia e Melhor atriz em filme de comédia. É um roteiro bem construído e desenvolvido e cada vez mais misterioso e surpreendente, à medida em que a história se desenvolve. Um desafio antecipar os fatos, até porque tudo é possível dentro desse mundo sofisticado, desse cenário inusitado e dentro de um tema de inesgotáveis possibilidades, muito bem explorado pelo diretor Mike Mylod, que de forma original mesclou fatos e gêneros em um filme que mantém seu fascínio do início ao final, distanciando-se totalmente do trivial, o que, afinal, vem a ser o seu principal trunfo. 8,7

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O AMANTE DUPLO (L`AMANT DOUBLE)

Uma recente produção Prime, cinema francês daquele com marcante estilo psicológico, denso, compassado, de ir se percebendo aos poucos os significados, mas com mistérios a serem resolvidos e o manejo do prazer da descoberta. Um filme de lento andamento, ora complexo, ora prolixo e com cenas intensas também das desaconselháveis para menores. O filme navega por um suspense permanente e  momentos de tensão, às vezes sendo confuso sobre se tudo o que vemos é a realidade ou a imaginação. O ator Jérémie Renier se desdobra no desempenho e a atriz Marine Vacth, muito bonita e atraente, embora em algumas cenas deixe dúvidas sobre o seu talento dramático, em outras demonstra perfeita coerência com a personagem e que efetivamente é uma ótima atriz. Jacqueline Bisset, que participa da parte final do filme com um papel extremamente importante, comprova a razão de ser uma atriz veterana das mais consagradas do cinema francês. E justamente nessa porção final, o filme assume momentos intensos e e que supostamente esclarecerão todos os pontos misteriosos. Porém, nessa parte do filme sentimos alguma desarmonia no desenvolvimento e nas próprias soluções, algumas das quais transformam o enredo em um verdadeiro filme de horror. De todo modo, um filme diferente (embora lento) e instigante e que mantém o interesse até o seu final, que guarda ainda uma pequena surpresa de impacto. Direção do renomado François Ozon (Dentro da casa, Jovem e bela, Frantz, Swimming pool). 8,6

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JACKIE BROWN

Este filme é de 1997 e seu roteiro foi adaptado de livro. Quem o escreveu e também dirigiu foi Quentin Tarantino, que já havia feito em anos anteriores Cães de aluguel, Amor à queima roupa, Assassinos por natureza e A balada do pistoleiro, todos de ótimo nível, principalmente os dois primeiros. Aqui, entretanto, embora se note em muitas cenas e enfoques a mão criativa e competente do diretor, o filme peca pela falta de maior originalidade, melhor desenvolvimento e apresenta uma primeira metade arrastada e em muitos momentos enfadonha, ficando uma obra muito distante das que viriam posteriormente, como Kill Bill 1 e 2, Bastardos inglórios, Django livre e principalmente Pulp fiction, sua obra-prima. Na minha opinião, este é o filme mais fraco do diretor, na verdade o “menos bom”, porque por menos interessante que sejam suas produções menores, ainda assim se encontram em patamar acima da média em relação aos filmes de mesmo gênero, neste caso o policial. Primeiro, porque o diretor é ótimo, segundo, porque a produção é sempre bem cuidada nos detalhes e terceiro, porque o elenco é invariavelmente talentoso e afinado, neste caso com Samuel L. Jackson desfilando suas aptidões para o “crime” (o que o consagraria em papel parecido, em Pulp fiction), em perfeita harmonia com ele Pam Grier (bela performance), Robert De Niro (que dispensa apresentações), Bridget Fonda e Robert Forster, que inclusive foi indicado merecidamente ao Oscar de Ator coadjuvante em 1998. De conhecido, também trabalha no filme Michael Keaton, mas sem qualquer destaque interpretativo. 7,8

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O MARIDO DA CABELEIREIRA (LE MARI DE LA COIFFEUSE)

Neste filme francês de 1990 parece existir um desses relacionamentos invejáveis, mesmo reduzido a um ambiente físico restrito. Este é um filme para sentir e não propriamente para pensar. E quem se deixar levar pelos sentimentos e pela profundidade e alegria de seus momentos (incluindo as maravilhosas e, em parte, cômicas memórias de infância) poderá, quem sabe, definir o que seja, afinal, a felicidade. Mas, ao mesmo tempo, poderá surgir um paradoxo: as pessoas estarão preparadas para a plena felicidade ou lhes será insuportável a permanente sombra de seu fim? Este filme é um poema,  algo que foge do trivial e navega em um mundo quase metafísico, mostrando as faces de um relacionamento próximo do que muitos desejariam para o resto de suas vidas, onde parece existir a parceria ideal. Uma experiência de contornos estranhos, origem fetichista, meio melancólica, entretanto sensual, erótica, com cores de sentimentos reais e cercada de extrema doçura e da beleza poética da autêntica nostalgia. Uma aula de lirismo ministrada por um homem sensível, que nos faz rir com sua inocência e suas inusitadas coreografias de músicas árabes, em cenas que extrapolam o significado das próprias canções. E por uma misteriosa e bela mulher, de elegante recato, mas nos olhos a promessa de incêndios. Performances inesquecíveis de Jean Rochefort (que dá um show) e de Anna Galiena, com uma bela e delicada direção de Patrice Leconte (Um homem meio esquisito). Em suma, um tesouro escondido, pois se trata de um filme que não teve o sucesso que mereceria, embora indicado ao Cesar 1991 (Oscar francês) nas categorias de Filme, diretor, ator, roteiro, montagem, direção de arte e fotografia (era, porém, o ano de Cyrano de Bergerac, com Depardieu) . 9,0

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OS FABELMANS (THE FABELMANS)

Este é o primeiro filme que vejo em 2023, embora tenha publicado esses dias algumas resenhas atrasadas. Começo apresentando exemplos de filmes e depois faço uma pergunta: Tubarão, Contatos imediatos de terceiro grau, ET, A cor púrpura, Os caçadores da arca perdida, Jurassic Park, O resgate do soldado Ryan, Lincoln, The post. O que esses filmes têm em comum? Resposta: o diretor Steven Spielberg. Que com um currículo desses (e de vários outros filmes) dispensa qualquer apresentação, já tendo consolidado seu nome na história do cinema e, por decorrência, a qualidade de suas produções. Portanto, antes de assistir ao filme já sabemos que veremos algo de primeira linha em termos técnicos, o que envolve toda a produção, direção, edição, fotografia, som, trilha sonora, efeitos etc. Com o tempo e a experiência, Spielberg se tornou mestre e sabe realmente tudo de cinema. Absolutamente impecável na forma. Quanto à história, independentemente de ser uma autobiografia (mesmo que parcial), é algo muito interessante e também, como sempre, emocionante. Trata-se de uma homenagem ao cinema, com o relato de uma paixão que nasceu cedo e se desenvolveu e, paralelamente, do enaltecimento de valores morais e da família. Um filme repleto de humanidade e ternura, por mais obstáculos que existam para serem superados no caminho dos personagens. E assim é e deve ser a vida. Como sempre, um elenco excelente, com destaque para o jovem Gabriel La Belle e para Judd Hirsch (apesar de pouco tempo em cena), mas sendo surpreendente a atuação de Paul Dano (em um papel desafiador) e como sempre maravilhosa e encantadora a de Michelle Willians. Uma surpresa é a presença do cineasta David Lynch, fazendo o papel (rápido, porém marcante) de John Ford, a quem o filme credita como um dos maiores estímulos para a carreira do personagem. Existem no filme, como em todos os do diretor, algumas cenas muito especiais, porém uma delas é memorável e ocorre no acampamento noturno, sendo também magistral o seu desdobramento, com a notável interpretação de Michelle Willians, cujas expressões faciais – em um momento vital do enredo – vão variando e sendo registradas pela câmera, que nela repousa e dela se nutre completamente. Apenas na parte do período escolar e do bullying é que o filme tem seus pontos negativos, pois sem qualquer criatividade e recheada de estereótipos, muitos dos quais inclusive inverossímeis dentro do próprio contexto da autobiografia. Mas é uma bela obra, sem dúvidas e merece ser vista por todos, das mais variadas idades. No próximo Globo de Ouro do dia 10 de janeiro o filme vai concorrer nas categorias de Filme, Diretor, Roteiro, Atriz e Trilha sonora. E certamente em março deverá também estar presente com várias indicações ao Oscar. 9,0

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TRIÂNGULO DA TRISTEZA

Quatro certezas: este é um filme de arte (embora um drama com comédia, meio de humor negro), não é um filme fácil de ser assistido (e provavelmente desgostará a maioria), é um filme que pode ser definido no “ame-o ou odeie-o” e a vontade seria de que as cenas com o ator Woody Harrelson fossem prolongadas, pois sua entrada deu um novo e especial sabor/vigor ao filme, principalmente em razão dos diálogos de forte conotação sócio-política, tornando-o finalmente saboroso, após muitos instantes mornos ou insípidos. É um filme denso, começando pela noção de que seu diretor, sueco, Ruben Ôstlund é o mesmo de The square (vencedor em Cannes em 2017) e O lagosta, outros filmes nada digeríveis. Com o desenvolvimento, haverá também frustrações, na medida em que determinados temas ficarão abruptamente interrompidos. Algumas cenas serão longas demais, outras insatisfatórias e o filme terminará sem uma explicação para o seu final. Faz parte do estilo do diretor, que tem muitos méritos, é verdade, na medida em que constrói muito bem o enredo que deseja mostrar/desvendar, apresenta contundentes análises de comportamento social (sob diversos ângulos e em situações inusitadas, inclusive meio bizarras) e mostra, em tons de sátira ou escárnio, a sociedade, a hierarquia social, o poder e a inversão dele, ironizando a alta sociedade e o impacto de todo um contexto sistematizado. Ou, em outras palavras, a natureza humana e seus padrões e limites, passando pela importância da imagem, das redes sociais, do capital etc. O filme é dividido em três partes e seu mérito é ser realmente diferente, imprevisível e ter instantes de crítica poderosa, inclusive contra o governo americano. Mas seu método de narrativa é bastante contestável, divagando muito, perdendo-se em cenas muito longas e desnecessárias, além de metáforas e exageros, falta de sequência narrativa, deixando, em suma, entreabertas muitas costuras que seriam relevantes. A nota triste é que a intérprete da importante personagem Yaya (pois o filme começa a se desenvolver com o elitista mundo da moda), a atriz sul-africana Charlbi Dean, morreu aos 32 anos após o filme ser premiado com a Palma de Ouro em Cannes. Concorre no próximo Globo de Ouro (10 de janeiro de 2023) aos prêmios de Melhor filme comédia/musical e Melhor atriz coadjuvante (a ótima Dolly de Leon). Quanto ao final do filme, o diretor, em entrevista recente, revelou que foi proposital a liberdade de interpretação e que esse desenlace efetivamente não importa, pois o primordial mesmo é o dilema moral. Em tempo: o título do filme se refere ao espaço físico entre as sobrancelhas das pessoas e que não deve ficar franzido nos modelos que apresentam a alta moda em desfiles e que devem ter tanto a conduta, quanto a aparência física impecável. 8,0

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AS LINHAS TORTAS DE DEUS

Um longa-metragem espanhol de suspense (perto de 2h 30min de duração), produzido pela Netflix, que se passa praticamente todo em uma instituição de tratamento mental (leia-se “manicômio”). Já na primeira cena somos apresentados à protagonista – muito bem interpretada por Bárbara Lennie (Um contratempo) -, que aparentemente é uma “estranha no ninho” por razões a serem desvendadas. E assim o filme começa e se desenrola, mantendo o mistério e criando um clima de permanente tensão e suspense. Segundo a Wikipédia, Plot Twist é uma mudança radical na direção esperada ou prevista do enredo de um romance, filme, série de televisão, quadrinho, jogo eletrônico ou outra obra narrativa. É uma prática muito usada para manter o interesse do público na obra, para normalmente surpreendê-los com uma revelação surpresa. Este filme tem mais de um momento desses e deixa o espectador em permanente desconforto em face de alguns personagens e sobre o que é realidade e o que pode não ser. É uma adaptação do romance de mesmo nome, do escritor espanhol Torcuato Luca de Tena, que morreu em 1999 com 76 anos. Na verdade, a sensação antes do the end é de que tudo ficou resolvido de forma clara e objetiva, apesar das reviravoltas da trama; entretanto, as cenas finais e o desfecho novamente implantam na mente do público uma poderosa semente de dúvida, aparentemente permitindo mais de uma interpretação para os fatos. Mesmo a pesquisa na internet não será plenamente satisfatória para apontar o caminho certo e a correta leitura dos últimos fatos. O que deduz é que o diretor preferiu deixar livre a interpretação, para cada espectador ficar satisfeito à sua maneira, o que na verdade não condiz com a obra literária, na qual o final se encaminhou com um sentido específico e determinado para a personagem principal (cabe a cada leitor pesquisar sobre o livro, para descobrir). 8,4

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AMSTERDAM

Um filme muito bem feito, ambientado nos anos 30, com pitadas de originalidade e pelo qual se percebe uma interessante harmonia entre história (com fatos reais), interpretação e direção (David O. Russel, de Trapaça, O lado bom da vida, Três reis). Porém, com o desenrolar da trama, tudo fica parecendo meio desconexo ou no mínimo pretensioso. O elenco é efetivamente magistral, integrado por Margot Robie, Christian Bale, Robert de Niro, John David Washington, Anya-Taylor Joy, Rami Malek, Taylor Swift, Mike Myers, Zoê Saldaña, Timothy Olyfant, Michael Shannon, entre outros. Entretanto, embora todos esses elementos devessem redundar em um filmaço, algo memorável, marcante na história do cinema, isso não ocorre e é apenas um filme bem feito e agradável de se ver, na verdade meio frustrante na mistura de gêneros que tentou impor, de outro lado parecendo um desperdício de um elenco tão magistral. Nada muito longe do que um bom filme, embora a força da mídia continue a promovê-lo de major (que ele é) a general (que ele gostaria de ser para ter sucesso). Acima da média, mas nada para ser lembrado em poucos anos. 8,0

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O MISTÉRIO DE AGATHA (AGATHA)

A genial escritora inglesa Agatha Christie, rainha indiscutível do romance policial, em 1926 desapareceu misteriosamente por 11 dias e este filme cria uma hipótese de ficção a respeito desse sumiço, com o charme e o suspense tentando homenagear (lembrando) as próprias obras da novelista. Tem a participação do ator Timothy Dalton (que em 1987 e 1989 faria na telona o papel de James Bond em dois filmes), mas os protagonistas mesmo são na verdade dois ícones do cinema: Dustin Hoffman, que àquelas alturas (1979, ano de produção deste filme) já era considerado um grande ator, pois já havia brilhado em A primeira noite de um homem, Perdidos na noite, Papillon e Maratona da morte (e no mesmo ano de 79 faria Kramer x Kramer) e principalmente Vanessa Redgrave, a grande atriz britânica, de olhos azuis de estranha expressão, na época com 42 anos e uma das poucas pessoas a ganhar a Tríplice Coroa da Atuação, ou seja, os maiores prêmios do teatro, da TV e do cinema (Tony, Emmy e Oscar), fora Globo de Ouro, Bafta,Veneza, Cannes etc. Nada parecida fisionomicamente com Agatha Christie e com 1,80m de altura (o que torna até meio cômicas algumas cenas ao lado de Hoffman), Redgrave no entanto desempenha com maestria o papel e dá vida e independência à personagem, tornando-a densa e com cores reais. A delicadeza da fotografia acentua os tons interpretativos e a beleza invulgar da atriz e o figurino (que concorreu ao Oscar, inclusive) realça a ótima reconstituição de época, em uma história interessante e instigante – mais ainda para os fãs da Agatha -, que ao misturar fatos reais da época com os imaginados, cria uma ótima hipótese para algo que até hoje permanece envolto em mistérios (bem a gosto da escritora !) e deixa o espectador permanentemente interessado no enredo, da primeira à última cena. 8,7