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REDEMOINHO

Onde o diretor Denis Villaneuve se envolve, a originalidade e a qualidade se agregam. Este é um filme canadense do ano 2000, anterior, portanto, aos mais famosos que ele dirigiu: Incêndios (2010), Os suspeitos e O homem duplicado (2013), Sicário (2015), A chegada (2016) e Blade Runner 2049 (2017). Mas mesmo assim já se sente claramente a mão peculiar do diretor e neste caso com um roteiro forte, salpicado com surpreendentes pitadas de surrealismo. Pode se dizer que é uma fábula surrealista, embora esse elemento se reduza praticamente à apresentação e ao desfecho do filme (aliás, com irônica e marcante irreverência). De todo modo, passando-se ao largo dessa excentricidade (que, entretanto, tem tudo a ver com os fatos do filme), trata-se de um filme pungente, com ótima trilha e fotografia, que explora com vagar e profundidade a intimidade e os dilemas dos personagens (principalmente da atriz Marie-Josée Croze) e que tem uma narrativa – vários enfoques e temas interligados, inclusive com várias imagens simbólicas – e uma parte final de excelência, tendo ganho vários prêmios, inclusive de roteiro, em festivais. Já naquela época Denis já se mostrava o grande diretor que o tempo consolidaria.  8,8

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COLUMBUS

Atenção: esta obra pode ser enquadrada como “filme de arte”, o que já diz bastante coisa. O filme é todo arquitetura, todo estética, ressaltando linhas e formas. Em certas cenas parece até um documentário reverenciando os arquitetos e as suas obras. Mas não é documento e sim uma história normal (porém meio “quadro a quadro”…), de qualidade, envolvendo personagens e relações, a partir da doença de um famoso arquiteto, fato que provoca a vinda de seu filho, da Coreia aos Estados Unidos. As cenas nos conduzem pelo mundo do equilíbrio visual tanto externo (edifícios, obras, a própria natureza…), quanto interno (o interior das residências, sempre com muita atenção à simetria), sendo a arquitetura o objeto visual e temático. Além do impacto com as imagens – obsessivo com as formas -, encanta-nos também a graça e o talento da atriz Haley Lu Richardson, além de nos sentimos curiosos pelo desenlace da história. Pelo tema, pelo ritmo e pelo estilo intimista/contemplativo, o filme pode realmente não agradar muita gente, mas não há dúvidas quanto à sua originalidade e quanto a ter sido idealizado e realizado com sobras de requinte, sensibilidade e inteligência.  7,8

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O ESTADO DAS COISAS (BRAD´S STATUS)

Este não é um filme de temática fácil e não diz tanto respeito aos jovens e sim mais às pessoas que chegaram à maturidade com muitos questionamentos sobre elas mesmas, sobre a vida, sobre as perdas, inclusive de oportunidades, sobre o que poderia ter sido (a tal crise da meia idade, pode ser dito)…Nesse sentido é um filme que pode causar certo impacto para quem se identificar. O personagem maravilhosamente bem interpretado por Ben Stiller é carregado de ansiedade e de culpas, vivendo muito por comparação e sentindo-se fracassado. Por meio de ações e reflexões principalmente – com o importante recurso da narrativa em off – ele vai fazendo um inventário de sua vida e das expectativas que possui, tentando descobrir os motivos pelos quais não é feliz, ao mesmo tempo em que sua vida familiar vai acontecendo normalmente à sua volta. Eis aqui o recado do filme, que inclusive evita o final que seria o previsível (outro mérito que possui): tomar consciência das fraquezas e imperfeições e enfrentar esses sentimentos de frente e honestamente, parece ser o primeiro e decisivo passo para nos fazer superar as adversidades. Inclusive porque não somos o centro das coisas, embora tenhamos às vezes tal sensação. Por que, afinal, alimentarmos essa tendência de nos comparar sempre com alguém que colocamos acima de nós, o que efetivamente nos cega para a realidade??? Boas lições para quem se dispuser a apreendê-las nesse filme com ótimo roteiro e direção, de Mike White.  8,5

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CRITICS CHOICE MOVIE AWARDS 2018 – RESULTADOS – TELEVISÃO

MELHOR SÉRIE DE DRAMA
The Handmaid’s Tale (Hulu)

MELHOR ATOR EM SÉRIE DE DRAMA

Sterling K. Brown – This Is Us (NBC)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE DRAMA

Elisabeth Moss – The Handmaid’s Tale (Hulu)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE DRAMA

David Harbour – Stranger Things (Netflix)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE DRAMA

Ann Dowd – The Handmaid’s Tale (Hulu)

MELHOR SÉRIE DE COMÉDIA

The Marvelous Mrs. Maisel (Amazon)

MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA

Ted Danson – The Good Place (NBC)

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA

Rachel Brosnahan – The Marvelous Mrs. Maisel (Amazon)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA

Walton Goggins – Vice Principals (HBO)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA

Mayim Bialik – The Big Bang Theory (CBS)

MELHOR SÉRIE LIMITADA

Big Little Lies (HBO)

MELHOR TELEFILME

O Mago das Mentiras (HBO)

MELHOR ATOR EM TELEFILME OU SÉRIE LIMITADA

Ewan McGregor – Fargo (FX)

MELHOR ATRIZ EM TELEFILME OU SÉRIE LIMITADA

Nicole Kidman – Big Little Lies (HBO)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM TELEFILME OU SÉRIE LIMITADA

Alexander Skarsgård – Big Little Lies (HBO)
 

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM TELEFILME OU SÉRIE LIMITADA

Laura Dern – Big Little Lies (HBO)

MELHOR TALK SHOW

Jimmy Kimmel Live! (ABC)

MELHOR SÉRIE ANIMADA

Rick and Morty (Adult Swim)

MELHOR REALITY NÃO-ESTRUTURADO

Born This Way (A&E)

MELHOR REALITY ESTRUTURADO

Shark Tank (ABC)

MELHOR REALITY DE COMPETIÇÃO

The Voice (NBC)

MELHOR APRESENTADOR(A) DE REALITY SHOW

RuPaul – RuPaul’s Drag Race (LOGOtv)

 

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CRITICS CHOICE MOVIE AWARDS 2018 (11/1/18) – RESULTADOS – CINEMA

MELHOR FILME

A Forma da Água
MELHOR ATOR

Gary Oldman – Destino de uma Nação

 

MELHOR ATRIZ

Frances Mc Dormand – Três Anúncios para um Crime
MELHOR ATOR COADJUVANTE

Sam Rockwell – Três Anúncios para um Crime
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Allison Janney – Eu, Tonya
MELHOR ATOR OU ATRIZ JOVEM

Brooklynn Prince – Projeto Flórida
MELHOR ELENCO

Três Anúncios para um Crime

 

MELHOR DIRETOR

Guillermo del Toro – A Forma da Água
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

Jordan Peele – Corra!

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

James Ivory – Me Chame Pelo Seu Nome
MELHOR FOTOGRAFIA

Roger Deakins – Blade Runner 2049
MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

Paul Denham Austerberry, Shane Vieau, Jeff Melvin – A Forma da Água
MELHOR MONTAGEM

Paul Machliss, Jonathan Amos – Em Ritmo de Fuga
MELHOR FIGURINO

Mark Bridges – Trama Fantasma
MELHOR CABELO E MAQUIAGEM

O Destino de uma Nação
MELHORES EFEITOS VISUAIS

Planeta dos Macacos: A Guerra
MELHOR ANIMAÇÃO

Viva – A Vida é uma Festa
MELHOR FILME DE AÇÃO

Mulher-Maravilha

 

MELHOR FILME DE COMÉDIA

Doentes de Amor
MELHOR ATOR DE COMÉDIA

James Franco – Artista do Desastre
MELHOR ATRIZ DE COMÉDIA

Margot Robbie – I, Tonya
MELHOR FILME DE TERROR OU FICÇÃO-CIENTÍFICA

Corra!
MELHOR FILME DE LÍNGUA ESTRANGEIRA

Em Pedaços
MELHOR CANÇÃO

“Remember Me” – Viva – A Vida é uma Festa
MELHOR TRILHA SONORA

Alexandre Desplat – A Forma da Água

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VIVA, A VIDA É UMA FESTA (COCO)

Apesar do carimbo de qualidade Pixar/Disney (o que já pressupõe desenho de alta qualidade, som, músicas, cores maravilhosas etc.), esta é uma animação que surpreende por enfrentar com leveza e sensibilidade um tema polêmico e geralmente árido – em suas diversas facetas, inclusive a do “esquecimento”… -, podendo ser definida como “uma grande festa do Dia dos Mortos”. O “Dia de los muertos” é uma celebração ancestral mexicana, de origem indígena, que ocorre todo ano entre os dias 31 de outubro e 2 de novembro e que já foi reconhecido pela Unesco como Patrimônio Oral e Intangível da Humanidade. A peculiaridade dessa comemoração é que, ao contrário do que acontece na grande parte dos países, no México é celebrada com grande alegria a visita dos mortos aos parentes (diz a lenda), tendo os festejos muita comida, cores, música, danças, fantasias (de caveiras principalmente), oferendas, onde é comum o uso da flor laranja Aztec Marigold, que aparece no filme com destaque. Esta animação se debruça sobre essa festa e aprofunda o tema ao criar uma história extremamente rica, envolvendo o afeto familiar, a música e um grande mistério do passado a ser desvendado. No começo, há uma certa estranheza mas que ocorre pelas próprias e singulares características do evento, cuja alegria contrasta com a maneira como a morte é tratada em grande parte do mundo. Entretanto, à medida em que o espectador se acostuma com os usos e costumes e compreende a história e seu fio condutor , o resto é só deleite, pela criatividade/inteligência, beleza, sons, cores e alegria que tomam totalmente conta da tela e de nosso espírito, invadido por todo o manancial de talento dos Estúdios Pixar (que se localizam na Califórnia e pertencem ao grupo Disney) e que aqui trata de modo primoroso, porém com isenção e muito respeito, das questões espirituais e culturais do povo mexicano, embora não deixe de fora o indispensável bom humor (como, por exemplo, as piadas envolvendo Frida Kahlo – a famosa pintora mexicana). Papai Disney aplaudiria de pé.  9,5

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A FORMA DA ÁGUA

Caso eu não esteja totalmente maluco ou insensível, concluo que se trata  aqui de um espetacular movimento de marketing cinematográfico, para promover este filme e incutir na mente das pessoas que se trata de uma obra-prima. E fazendo inclusive muita gente se infantilizar a respeito de coisas já vistas muitas vezes anteriormente. Tenho acompanhado a trajetória do filme, recebendo prêmios diversos, concorrendo em inúmeros eventos…críticas de 5 estrelas na mídia etc. Até achei, pelos acirrados comentários e elogios, que ia ganhar o Globo de Ouro (na ocasião eu ainda não o havia visto), embora eu tenha dado nota 9 (alta !) para seu maior concorrente, o ótimo Três anúncios para um crime (que acabou – com justiça – ganhando!). Porque é um filme bem feito, com algum lirismo (ótimo início e excelente final), boas interpretações (a atriz Sally Hawkins está muito bem, mas não se compara à Frances McDormand ou à Meryl Streep)…mas se assemelha muito àqueles filmes de ficção científica com monstros dos anos 50. Se fosse exibido naquela época, teria seu destaque pela qualidade da produção…Mas não vai muito além disso: clichês dos contos de fada de ficção, sob nova roupagem e com uma trilha que nem é isso tudo para ter merecido o Globo de Ouro. Trata-se aqui de lavagem cerebral pela propaganda massificada! Em uma época oportuna, certamente: em que se discutem as diferenças! De gênero! Se intensificam campanhas contra qualquer assédio, contra a desigualdade salarial entre atores e atrizes etc. etc. No caso deste filme, até o vilão é clichê puro e seu final é absolutamente semelhante ao de todos os filmes já mencionados e que fizeram sucesso nos idos de 1950 e seguintes. Aproveitando-se também de ideias (e enfoques) de filmes posteriores àquela época e que sempre mexem com o imaginário e com as emoções, como A Bela e a fera… Como dito ao início, é um bom filme, tem momentos interessantes – embora outros bizarros e meio ridículos -, mas não traz praticamente nada de novo. Seja no roteiro, seja nas cenas, seja na emoção. Como entretenimento vale a pena, mas nem chega perto qualitativamente da maioria de seus concorrentes. O resto é enganação de Hollywood, a terra do sonho permanente.  7,7

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PELOS CAMINHOS DO INFERNO (WAKE IN FRIGHT)

Um filme de 1971 e que tem cheiro de datado, mas na verdade não é. Não é tipo de filme para agradar todo mundo, mas tem qualidade e se mostra bastante interessante quanto à sua mensagem. Sem contar o fato de que apresenta cenas realmente reais, de matança de animais e que ainda hoje se mostram chocantes, deixando o espectador bastante desconfortável. Apresentando de ator conhecido apenas Donald Pleasence (mas excelente), o filme aborda locais pouco visitados do deserto australiano (clima semi-desértico), sendo sua força baseada em fatos a princípio pouco verossímeis: alguém ficar subitamente refém de sua imobilidade. Esses fatos dizem respeito a um professor e seu repentino envolvimento com um mundo de excessos ao qual estava pouco acostumado e que parece confirmar o dito popular de que a companhia faz o homem ou o homem é moldado pelo ambiente. O mundo hedonista parece emergir, mas levado ao extremo, que prazeres e perigos proporcionará? Como alguém de pouca experiência se integrará a ele e como se libertará? Aqui essas descobertas contrastarão gravemente com a monotonia da vida até então experimentada e o que vemos é um mundo cruel em que parece livre e incontrolável a natureza primitiva e selvagem do homem. Nunca o calor intenso e a cerveja estiveram tão associados ao mal.  7,7

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GLOBO DE OURO 2018 (7/1/18) – RESULTADOS – TELEVISÃO

 

MELHOR SÉRIE DE TV – DRAMA

The Handmaid’s Tale

MELHOR SÉRIE DE TV – COMÉDIA/MUSICAL

The Marvelous Mrs. Maisel

 

MELHOR MINISSÉRIE/TELEFILME

Big Litle Lies

MELHOR ATOR – DRAMA

Sterling K. Brown (This Is Us)

MELHOR ATRIZ – DRAMA

Elisabeth Moss (The Handmaid’s Tale)
 

MELHOR ATOR – COMÉDIA/MUSICAL

Aziz Ansari (Master of None)

MELHOR ATRIZ – COMÉDIA/MUSICAL

Rachel Brosnahan (The Marvelous Mrs. Maisel)

MELHOR ATOR – MINISSÉRIE/TELEFILME

Ewan McGregor (Fargo)

MELHOR ATRIZ – MINISSÉRIE/TELEFILME

Nicole Kidman (Big Little Lies)

MELHOR ATOR COADJUVANTE – SÉRIE DE TV/MINISSÉRIE/TELEFILME

Alexander Skarsgard (Big Little Lies)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE – SÉRIE DE TV/MINISSÉRIE/TELEFILME

Laura Dern (Big Little Lies)

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GLOBO DE OURO 2018 (7/1/18) – RESULTADOS – CINEMA

MELHOR FILME – DRAMA

Três Anúncios para um Crime

 

MELHOR FILME – COMÉDIA/MUSICAL

Lady Bird – A Hora de Voar

 

MELHOR DIRETOR

Guillermo del Toro (A Forma da Água)

MELHOR ATOR – DRAMA

Gary Oldman (O destino de uma nação)

 

MELHOR ATRIZ – DRAMA

Frances McDormand (Três Anúncios Para um Crime)

MELHOR ATOR – COMÉDIA/MUSICAL

James Franco (Artista do Desastre)

MELHOR ATRIZ – COMÉDIA/MUSICAL

Saoirse Ronan (Lady Bird)

 

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Sam Rockwell (Três Anúncios Para um Crime)

 

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Allison Janney (Eu, Tonya)

 

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO

Viva – A Vida é uma Festa

 

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

Em Pedaços (Alemanha)

 

MELHOR ROTEIRO

Martin Mc Donagh (Três Anúncios para um Crime)

 

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL

A forma da água

 

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

This is me, Justin Paul e Benj Pasek (O Rei do Show)

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UNDER THE TREE

Um drama realista contemporâneo, candidato islandês dentre os representantes ao Oscar 2018 de Melhor Filme Estrangeiro. O pano de fundo – mas não sem menos importância – é a relação matrimonial, o desgaste, o adultério, as consequências de uma separação…com isso, a exposição pública da intimidade, a reflexão sobre os limites de convivência, sobre o perdão e até sobre a chance de corrigir os erros. Mas o foco principal do filme, com humor negro pode ser definido como a “política da boa vizinhança”. Mas sob o ponto de vista do incorreto politicamente.  O cartaz do filme é excelente! O que uma guerra velada entre vizinhos pode provocar, ainda mais se envolver pessoas com amargor acumulado…as suspeitas corroendo a alma e alimentando o rancor… as pequenas coisas se transformando em grandes, os fatos aparentemente sem grande importância se acumulando, crescendo e tomando proporções imprevisíveis…a cena do animal embalsamado é medonha! E no espectador surge a pergunta, depois de tudo e da derradeira cena, que é tragi-cômica (precedida de outra quase inacreditável): o desenlace terá sido exagerado, caricato ou realista? Quais os limites para o espírito humano envenenado? Excelente trabalho de direção e elenco, em um cinema sem concessões (cru, nos diálogos e nas cenas), tendo o filme sido um dos dois mais vistos na Islância no ano de 2017.  8,0

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A CONFISSÃO

Exibido pela Netflix, também tem o título no plural, mas o original é “Le confessioni”, portanto o singular é o mais adequado. Uma reunião de economistas de vários países em um luxuoso e bem protegido local vai desencadear um interessante drama com forte fundo político, contendo questões muito atuais sobre a economia, o capitalismo, o poderio do sistema bancário (até mesmo comparado com a Máfia), o domínio do mundo moderno, tudo cercado de muito mistério quanto aos objetivos do encontro, sobre alguns personagens, mas principalmente a respeito do monge (presença aparentemente inusitada no encontro), interpretado pelo ótimo Tony Servillo (A grande beleza). Mas o mistério maior, em torno do qual orbita toda a trama, é justamente o de uma confissão, que acaba se vinculando à morte de um dos personagens e seu conteúdo acaba sendo uma das surpresas da parte final do filme. No caso, uma surpresa positiva. Mas há também uma surpresa para mim negativa, que é a da doutrina ideológica que o filme abraça em seu desenlace e que parece contrariar o equilíbrio e a abertura existente ao longo de toda a história. Com exceção desse desenlace que toma partido, todo o filme é guiado pela qualidade da produção, do roteiro, da fotografia, da trilha sonora, da direção e dos diálogos, com um clima permanente de mistério e um elenco afinado, integrado inclusive por Connie Nielsen e Daniel Auteuil.   8,7

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A SOMBRA E A ESCURIDÃO

Tsavo é uma localidade do Quênia, batizada com o nome do rio por sobre o qual no final do século 19 a Inglaterra decidiu construir uma ponte ferroviária estratégica, tendo para tanto contratado um engenheiro especializado, naturalmente com prazo para cumprir a tarefa. O projeto, claro, envolveu uma logística complexa, de materiais e pessoas (centenas de trabalhadores), porém certos fatos inesperados e lendários ocorreram para dificultar ou até mesmo impedir a continuidade do trabalho. Esses fatos estão relacionados com o título do filme e com os animais que foram assim apelidados pelos trabalhadores, que – após dezenas de mortes – acreditavam que não se tratava apenas de algo comum, mas sobrenatural, demônios invencíveis pela maneira como atacavam e escapavam das diversas armadilhas feitas para capturá-los. Este é um filme de 1996 sobre tais fatos, tendo obviamente acrescentado alguns elementos a mais, notadamente para dar mais emoção ao filme, como os que envolvem a família do personagem interpretado por Val Kilmer, por exemplo, ou a juba  – que na verdade os animais não possuíam (conforme se pode ver pelas fotos do museu de Chicago onde estão expostos atualmente). Trata-se de um filme de aventura e suspense, um thriller pode-se dizer, porque o suspense aqui é dominante e elevado a níveis de grande qualidade. As cenas mais fortes e vitais foram excepcionalmente bem dirigidas e editadas, com trilha sonora mais do que adequada, para trazer ao espectador um clima de alta tensão, o qual, aliás, permeia grande parte da história, também valorizada pela presença de Michael Douglas. É um dos melhores filmes já feitos, dentro do gênero.  9,0

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RODA GIGANTE

Este é o mais novo filme de Woody Allen. E, como dizem (e é a verdade), um filme de Woody já é melhor do que a média dos demais. Aqui, a época são os anos 50 e o local Coney Island. Vemos aquela introdução só com os letreiros com as antigas melodias de blue, jazz etc., que tanto são apreciadas pelo diretor, seguindo-se a primeira imagem (o impacto, após a apresentação), que já confirma a deslumbrante fotografia, comum a todos os seus filmes. Trilha sonora impecável e elenco escolhido a dedo, no caso um James Belushi diferente, mas muito denso, Kate Winslet, no papel de uma “senhora” e não de uma jovem (maravilhosa, como sempre), Justin Timberlake, um ótimo ator e Juno Temple, também revelação. Mas a história é um melodrama que poderia ser perfeitamente servido em um outro meio, como o teatro, por exemplo. O veículo escolhido foi o Cinema e, de fato, há algumas cenas que não funcionariam na seara teatral. Entretanto, não há muita criatividade no enredo, apenas sendo os personagens tratados com muita habilidade pelo diretor, assim como os diálogos. Porém a falta de algo novo acaba cansando um pouco. Mas o filme é polêmico, conquistando referências inclusive entusiasmadas de alguns críticos. Na minha opinião, está entre os dramas medianos do diretor.  7,8

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ME CHAME PELO SEU NOME

Adorar este filme, na minha opinião, talvez seja mais questão de identificação do que qualquer outra coisa. Não encontro aqui motivos para tanta aclamação. Com certeza é algo feito com extrema delicadeza, muito cuidado na produção, fotografia e locações belíssimas, provavelmente seja o filme mais sutil ou sério realizado sobre o tema. Ou seja, uma obra muito bem acabada. Entretanto, no fundo, no fundo, examinado bem o roteiro, não há nada demais na história, sendo igual a tantas outras. Apenas o tratamento merece uma referência, além das interpretações e há um diálogo entre pai e filho que faz valer o filme. Nesta época de ideologias de igualdades talvez o filme tenha soado para alguns como um libelo importante. Tanto, que recebeu inúmeros prêmios e indicações. Deve haver mais sentimentos represados no mundo do que supõe minha vã filosofia. Ou me falta de momento a devida identificação ou sensibilidade para atingir o que confirmam os inúmeros merecimentos que o filme tem ganho na mídia e em festivais diversos. Foi indicado para o Globo de Ouro próximo (daqui a 4 dias precisamente) como Melhor filme/drama, Melhor ator e Melhor ator coadjuvante 7,6

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O REI DO SHOW

Desde a primeira cena o filme já se anuncia: um musical, visualmente maravilhoso, com belas músicas para os momentos tristes e alegres, tudo o que Hollywood sabe fazer dentro do gênero, principalmente quando tem bons intérpretes envolvidos. No caso, Hugh Jackman, excelente como sempre, Michelle Williams, Rebecca Ferguson e Zac Efron e Zendaya (ídolos teen), entre outros. O timming é perfeito e os números musicais e trilha sonora são realmente muitíssimo bem realizados e belíssimos. Magia pura. Quanto ao roteiro, porém, fica um pouco a dever em termos de criatividade, repetindo os clichês que garantem a emoção do espectador, embora tenha seus momentos marcantes. O fato é que se trata aqui de uma adaptação livre e romanceada dos feitos do “pai do circo moderno”, o showman P.T. Bardum, um homem repleto de sonhos e capaz de contagiar com eles todos à sua volta. E de um filme visual e de impacto com a combinação invencível imagens + músicas. O nome aqui é “fantasia”! Concorre a Melhor Filme, Melhor ator e Melhor canção no próximo Globo de Ouro – a música concorrente é This is me, embora pelo maravilhoso momento em que Never enought é cantada e por sua beleza, talvez merecesse a preferência.   8,5

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I, TONIA

Este é um filme biográfico, estilo documentário. A narrativa e os depoimentos dos personagens que participaram dos fatos são típicos e enfocam a vida da polêmica ex-patinadora americana Tonya Harding, muitíssimo bem interpretada pela atriz Margot Robbie. É mostrada uma vida muito difícil, com a falta de um pai a partir de certa época e os maltratos desde a infância (passando pelos do marido), mas principalmente pela vida espartana imposta pela mãe desde os quatro anos da menina, mãe, aliás, muito bem vivida pela atriz Allison Janney. Ambas concorrem no Globo de Ouro de janeiro (2018), nas categorias de Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante e o filme como Melhor Filme. É impressionante alguém ter disciplina e obstinação para superar todas as adversidades e ainda assim tornar-se uma celebridade e representante dos EUA nos maiores torneios de patinação do mundo. Mas o ponto nevrálgico e que acentua o caráter dramático do filme foi o incidente envolvendo a concorrente de Tonya, a patinadora Nancy Kerrigan, acontecimento que toma conta de toda a parte final. Foi um dos maiores escândalos esportivos da história. Nos créditos, cenas da vida real, inclusive com a verdadeira Harding apresentando o estupendo e corajoso movimento conhecido como triple axel, um dos mais ousados e difíceis da patinação e antes de Tonya nunca tentado antes em competições femininas internacionais.  7,8

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TRÊS ANÚNCIOS PARA UM CRIME (THREE BILLBOARDS OUTSIDE EBBING, MISSOURI)

O filme se passa em uma daquelas cidadezinhas americanas, onde ainda existe um xerife e seus ajudantes, mas nada muito importante a fazer.. É um drama com algum humor negro, podendo ser enquadrado até, pelos usos e costumes, como um faroeste contemporâneo. Na verdade, o gênero do filme é o que menos importa no roteiro do também (excelente) diretor Martin McDonagh. A partir dos fatos relacionados com o título do filme (três outdoors comprados pela protagonista), toda a história se desenrolará, repleta de dramas, suspense e mistério. Com algumas surpresas, tornando o filme agradavelmente imprevisível. Os fatos ganham vida, não apenas pelo mérito da direção, edição e produção, mas por serem protagonizados por um grande elenco, principalmente por Woody Harrelson (que interpreta o xerife), Sam Rockwell (que faz o ajudante “desequilibrado”) e a coringa Frances McDormand, uma das maiores atrizes do cinema atual. Ela é a verdadeira responsável pelo sucesso da história e pela forma como traz as cores de uma personagem sofrida e brigada com a lei. Todos os elementos do filme são muito bem dosados, não há excessos, não há senões, é uma sucessão de fatos e desdobramentos, que o espectador vai acompanhando com interesse e apenas tentando supor seu desenlace. Mas nesse tipo de filme qualquer previsão é arriscada. É algo muito bem articulado e na medida certa. Também contando com Peter Dinklage, o filme concorre ao próximo Globo de Ouro nas categorias de Melhor Filme/Drama, Diretor, Roteiro, Atriz, Ator coadjuvante e Trilha sonora. Cinema de alta qualidade, com um título ótimo e original e um poster que tudo e nada diz ao mesmo tempo, o que também o valoriza.   9,0

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THE ONLY LIVING BOY IN NEW YORK

Um filme moderno, com inquietações modernas, envolvendo relações pais e filhos, busca da identidade, referências literárias e musicais, glamour social e com um roteiro com algumas surpresas. Esse é o lado positivo. Porque é um filme polêmico. Há muitos opositores, inclusive com relação ao personagem interpretado por Callum Turner, que é supervalorizado no filme, sem ter o merecimento adequado (nisso estou de acordo – o personagem oscila muitas vezes). Igualmente concordo no tocante aos clichês e quanto ao roteiro claudicante às vezes, com algumas contradições). Porém é um filme diferente, gostoso de se ver, produção independente, que tem a bela Kate Beckinsale, o carismático Pierce Brosnam e o sempre “inesperado” e pastoso Jeff Bridges, além de Cynthia Nixon e outros mais. E seu título é o nome de uma canção de Paul Simon e que faz parte do famoso álbum “Bridge over Troubled Water” (1970). Então, apesar dos pesares, é algo que tem seus pontos positivos superando os negativos no cômputo final.  7,8

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VICTÓRIA AND ABDUL – O CONFIDENTE DA RAINHA

Judi Dench já deve estar cansada de fazer papel de Rainha da Inglaterra e equivalentes. Mas, fazer o quê??? Ela é maravilhosa nesses papéis! Na verdade, em qualquer papel. Uma fabulosa atriz. Que no caso interpreta o papel da Rainha Vitória da Inglaterra (que reinou de 1837 a 1901, era conhecida como Vitoriana), nas décadas em que a Índia foi colônia britânica. Esse fato é vital para configurar não apenas a época, mas o clima de submissão que reinava, da opressora em relação à oprimida (a Índia só viria a conquistar sua independência em 1947). E justamente por esse motivo, acabou sendo um fato absolutamente marcante e insólito a aproximação que acabou acontecendo entre a rainha e um indiano muçulmano, que viajou para a Inglaterra com a única finalidade de presentear a realeza em seu jubileu, em nome dos colonizados. O foco principal do filme é precisamente a respeito da relação que nasce entre dois seres tão diferentes, tanto na essência, como na geografia, costumes e principalmente na escala social; e com tal força, que provocou não apenas uma comoção no Reino, mas a total exclusão posterior dos fatos dos anais ingleses. Pena que o filme não vá além dessa relação e das consequências imediatas que tal interação provocou, deixando de explorar todas as palpitantes temáticas que orbitavam ao redor dessa amizade surpreendente.  7,5

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