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SANGUE E OURO

Uma produção Netflix que passa despercebida, até porque não é colocada entre os destaques. Entretanto, é algo diferente e que merece ser visto, pela qualidade da produção, pela direção do alemão Peter Thorwarth e roteiro peculiares e pelo ótimo elenco. Outro grande destaque do filme é a trilha sonora, que do começo ao fim, ornamenta com variedade e criatividade toda a trama. É uma história que se passa um pouco antes do final da Segunda Guerra, em 1945 e que é contada com claríssimas influências de (ou referências a) Sérgio Leone (Trilogia dos Dóilares/western spaguetti, Era uma vez no Oeste) e Quentin Tarantino (Pulp Fiction, Kill Bill), possivelmente ídolos do diretor, que pelo talento que obviamente tem e demonstra, não pode ser acusado de ser meramente um plagiador de estilos. Em resumo, um filme de nazistas, com muita ação, tiros, sangue, emoção, mas com uma certa originalidade sofisticada por trás do pano, um ritmo muitas vezes alucinante, personagens fortes e bem delineados, tramas paralelas e cenas/detalhes interessantes e que certamente constitui um ótimo divertimento. 8,6

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SISU

Uma produção finlandesa de 2022 (com diretor e o protagonista também finlandeses), que em seu início nos coloca na Segunda Guerra Mundial, em 1944, na Lapônia Finlandesa e nos informa que a Finlândia havia feito um acordo com a Rússia, para expulsar os nazistas do local. As primeiras imagens já revelam tratar-se de um filme diferente, bem produzido e com preocupações com a forma, já desde a primeira cena mostrando uma bela fotografia. A partir daí e quando em poucos minutos surgem os nazistas, resta apenas um conselho a ser dado ao espectador despreparado (quase todos que não leram comentários sobre o filme): esquecer a credibilidade e mergulhar na fantasia e na diversão! Porque o filme não tem a mínima preocupação em ser fiel à realidade do possível e enfoca uma espécie de misterioso e legendário herói de guerra, bem ao estilo cinema ianque, do “sozinho contra o mundo”. E vai haver, naturalmente, ação incessante, bem como muita violência, cenas de sangue e carnificina, sem poupar o espectador de qualquer exagero, o que, aliás, passa a ser uma tônica do roteiro. Mas tudo estará resolvido se quem estiver vendo se entregar de corpo e alma a este divertimento, que parece misturar alguma coisa de Tarantino, com generosas porções de filmes B e dos “ao estilo John Wick, redundando em uma miscelânea insólita, mas prazerosa. Aatami Korpi é um ex-militar de elite, brutalmente bem treinado e preparado para enfrentar qualquer inimigo e o faz de forma impiedosa. Matar nazistas e maniqueísmo combinam tão bem quanto o comentário que alguém fez na internet sobre a palavra que poderia definir, ao final, o que é este filme; isso, após a análise de toda ação, emoção e cenas sem qualquer parcela do verossímil: simplesmente insano! Vale por ser original, vale por ser finlandês e vale pela diversão, similar à propiciada por alguns games ou pelos antigos bang-bangues de índios e caravanas, claro que com a vantagem tecnológica do cinema atual. 8,3

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FIÉIS (FAITHFULLY YOURS)

A vantagem de se ver um thriller policial holandês em relação aos enlatados americanos é que como aqui os personagens em geral não são regidos por padrões (de comportamento, gestual, tipo de cenas, enfoques emocionais etc), tudo fica meio imprevisível e não se sabe via de regra para onde se está sendo levado pelo roteiro. Mesmo que a trama, vista com olhar exigente, seja basicamente superficial; mesmo que até o final não traga grandes ou originais surpresas – embora apresente, sim, um ou outro toque imprevisível. Porque o fundamental em filmes deste tipo é a forma, ou seja, a força cinematográfica das imagens e dos recursos da produção, da direção e da interpretação para deixar o espectador entretido e curioso. Às vezes não se entende alguns detalhes e isso deixa o percurso interessante; um ingrediente a mais consegue dar sabor e instigar. O suspense e o mistério propositais forçam suspeitas inesperadas (e, afinal, gerlamente de onde não vai se sair nada mesmo). Mas tudo faz parte do mise em scène e do entretenimento, que neste filme também tem muitas doses de sensualidade. O filme é bem dirigido e interpretado, sendo o diretor e a maior parte do elenco de holandeses, embora também haja uma minoria belga. Na Bélgica, aliás, boa parte da história acontece. A trama é bem construída, apesar de não haver grandes sofisticações, contudo há uma ou outra cena forçada e uma cena especialmente mal feita, quase no final (a do tapa). No geral, entretanto, o filme traz um divertimento acima da média e nos deixa envolvidos pelo mistério e interessados até o seu final, apesar do que possam dizer os críticos mal-humorados e de alguém até poder dizer que aqui se trata, na verdade, de um tipo de “enlatado de luxo”. Produção Netflix. 8,5

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AIR – A HISTÓRIA POR TRÁS DO LOGO

Muito bem dirigido e também interpretado pelo sempre ótimo Ben Affleck, este filme – que poderia ser um documentário – é também estrelado pelo inseparável amigo do diretor, Matt Damon (com a vantagem de também ser ótimo ator), por Jason Bateman (sempre bom) e pela fabulosa Viola Davis. É ambientado na década de 80 e, como sempre, a reconstituição de época do cinema americano é absolutamente perfeita, bem como a direção de arte, o figurino e até a fotografia é envelhecida para combinar com todo o resto, o que torna toda a produção impecável. É baseado em fatos reais e em sua parte final vemos os personagens em que se baseia a história e ficamos sabendo também de fatos muito interessantes e também importantes envolvendo o basquete americano, a Nike (do início à pujança), o então novato Michael Jordan, a rivalidade com a Adidas, o poderio dessas empresas, os riscos envolvidos, as estratégias, as negociações de atletas, os empresários, o patrocínio e suas nuances, a marca Air Jordan que dá título ao filme e muito mais coisas. Olhado o filme de fora e superficialmente se concluirá que se trata de “mais do mesmo”, pois já “vimos esse filme”, embora com outras temáticas. Tudo ocorre segundo um padrão, reprisado dezenas de vezes pelo cinema ianque. Acontece, porém, que os americanos são mestres em contar esse tipo de história, que envolve mitos, a origem deles e de instituições que se tornam poderosas, dramas envolvendo arrojo, doação, bravura, caráter, princípios etc e o fazem realmente com muito capricho. E, afinal, o filme fala de fatos importantes e os aborda de um jeito que todos gostamos de ver, incluindo boas doses de emoção e de humanidade até. E tudo somado ao caráter histórico e que nos satisfaz até curiosidades que não tínhamos, a respeito de uma grande empresa e de um grande ídolo. Sem falar nos valores envolvidos e que também nos deixam em estado de total perplexidade. Amazon Prime. 8,8

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CENSOR

Um drama com bastante suspense e momentos de terror, mas que sai do trivial: apesar de ser britânico, parece daqueles filmes do leste europeu, em outras palavras, tem uma abordagem totalmente anticonvencional em relação àquela dos filmes aos quais estamos acostumados. E contribuem muito para a qualidade do filme a ótima atriz irlandesa Niamh Algar e a competente diretora galesa Prano Bayler-Bond. Na verdade, a diretora é estreante e o filme tem momentos de ótimo nível com outros meio discutíveis, mas certamente envolverá o espectador com sua história interessante e imprevisível. Pode-se até dizer que, entre sangue e sustos, propicia uma interessante discussão sobre a questão social dos cidadãos e dos limites da censura (inclusive de reação). De todo modo, muito clima de tensão e mistério, principalmente na noite escura da floresta, com uma trama que agradará principalmente os fãs do gênero. 8,6

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CRIME E DESEJO

Apesar do título como sempre meio ridículo em português, o original se traduz como “Acima de suspeita”, (Above suspicion), fazendo referência a pessoas que atuam como “informantes”. Uma produção policial Netflix, realizada em 2019, com muito do gênero, mas também com vários e interessantes pontos de originalidade, um deles talvez remetendo alguns a um livro específico do grande Machado de Assis. Baseado em fatos reais (os personagens verdadeiros aparecem nos créditos finais), é estrelado por Emilia Clarke, a rainha dos dragões de Game of Thrones. Um filme diferente e bem acima da média das dezenas que andam por aí, valorizado pelo roteiro – que não se sabe por onde nos levará -, pela direção e pelo elenco coeso. O filme envolve drogas, FBI, assassinatos e por aí afora, sendo ambientado em uma cidadezinha no Kentucky, o que significa um clima de temperado para frio (embora esse Estado fique praticamente no sudeste americano), mas algumas cenas e determinadas situações limite o aquecerão. Suas virtudes, em suma, são um roteiro consistente e ágil, com ação, suspense, a ótima direção do australiano Phillip Noyce (Salt, Jogos patrióticos) e a imprevisibilidade, inclusive quanto ao destino dos personagens (menos de uma, é claro). Clarke é uma atriz inversamente proporcional ao seu tamanho e por si só já vale ver o filme. 8,8

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A FARSA (MASCARADE)

Um filme original de 2022 (Prime), que deixa o espectador curioso durante toda a história, sem saber exatamente o que está acontecendo e qual será o desfecho da trama e o destino dos personagens. Idas e vindas, voltas e reviravoltas e fica-se meio perdido em meio à narrativa. A impressão que se tem é, na verdade, de que tudo foi proposital, essa maneira meio confusa de serem retratados os fatos, mas há dúvida: às vezes parece haver mesmo uma certa descontinuidade, uma falta de harmonia no desenvolvimento, apesar de o diretor (e roteirista) ser o competentíssimo Nicolas Bedos, o mesmo que dirigiu os maravilhosos Senhor e senhora Adelman e Belle époque. Seja como for, esse fator da imprevisibilidade somado com alguns ótimos momentos do roteiro, com as belíssimas locações da Costa Francesa (Nice etc) e com as atuações principalmente da bela Marine Vachte (O amante duplo, Jovem e bela), de François Cluzet (Intocáveis – e não tem como não lembrar de Dustin Hoffmann) e das veteranas Isabelle Adjani (A rainha Margot) e Laura Morante (O quarto do filho), compensam quaisquer problemas e tornam o filme no mínimo interessante. Sem os detalhes do desenvolvimento “manco” em algumas situações e da falta de coerência em um ou outro ponto, o filme seria realmente uma perfeição. Até porque se trata de uma grande produção, envolvendo certamente um grande orçamento para poder retratar, em cenários suntuosos, vidas e costumes milionários. Mas mesmo assim é algo totalmente original e que, seja pela forma, seja pelo conteúdo, foge do trivial e valoriza a arte cinematográfica, trazendo ao público legítima e aprazível diversão, ao mesmo tempo em que faz também pensar, para que se tentar compreender todo o contexto. Na verdade, a clareza vai aparecer mais na parte final, quando os fatos justificarão plenamente o título, tornando ainda mais contrastante a beleza das imagens com a escuridão do caráter de alguns personagens, que, aliás, em sua maioria revelam todo o tempo intuitos totalmente antagônicos com o esplendor que brilha em seu entorno. 8,8

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O ESTRANGULADOR DE BOSTON

Esta produção americana de 2023 aborda fatos reais ocorridos na cidade de Boston, Massachussets, nos anos 1960 e que já foram tema de mais de um filme, sendo o mais conhecido o estrelado por Tony Curtis em 1968 (poucos anos após os fatos, portanto), sob o título de “O homem que odiava as mulheres” ou “The Boston Strangler”. Aqui, além de se tratar de uma história investigativa, a narrativa e o foco ocorrem a partir da perspectiva da jornalista bem interpretada por Keira Knighley e a história aborda também outros aspectos além da busca pelo assassino (sociais). O suspense predomina durante todo o enredo, valorizado bastante pela trilha sonora, que exala mistério mesmo nas cenas em que em tese não seria necessário. Mas não se pode apontar o fato como defeito notável, pois o filme é bem feito e constitui uma boa diversão, embora não seja memorável e não tenha grandes momentos de tensão ou empolgação como poderia, tanto nos fatos envolvendo os assassinatos, quanto na busca pela identidade do serial killer. Essa falta de grandes momentos compromete um pouco pelo fato de já ser uma história conhecida – portanto, previamente se saber sobre o seu desenlace -, mas o filme ainda assim fica acima da média do entretenimento dentro do gênero “thriller policial”. Também atua no filme a ótima Carrie Coon (“O refúgio”) e o mais interessante aqui é que os fatos, conforme ocorreram na realidade, permitem que se preencha com total flexibilidade e criatividade algumas lacunas, o que o roteiro deste filme fez com relativa propriedade. 8,2

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OSCAR 2023 (realizado em Los Angeles em 12 de março de 2023) – VENCEDORES

Resultados do Oscar 2023

MELHOR FILME

  • Nada de Novo no Front
  • Avatar: O Caminho da Água
  • Os Banshees de Inisherin
  • Elvis
  • Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo
  • Os Fabelmans
  • Tár
  • Top Gun: Maverick
  • Triângulo da Tristeza
  • Entre Mulheres

MELHOR DIRETOR

  • Martin McDonagh (Os Banshees de Inisherin)
  • Daniel Kwan/Daniel Scheinert (Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo)
  • Steven Spielberg (Os Fabelmans)
  • Todd Field (Tár)
  • Ruben Ostlund (Triângulo da Tristeza)

MELHOR ATRIZ

  • Cate Blanchett (Tár)
  • Ana de Armas (Blonde)
  • Andrea Riseborough (To Leslie)
  • Michelle Williams (Os Fabelmans)
  • Michelle Yeoh (Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo)

MELHOR ATOR

  • Austin Butler (Elvis)
  • Colin Farrell (Os Banshees de Inisherin)
  • Brendan Fraser (A Baleia)
  • Paul Mescal (Aftersun)
  • Bill Nighy (Living)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

  • Angela Bassett (Pantera Negra: Wakanda para Sempre)
  • Hong Chau (A Baleia)
  • Kerry Condon (Os Banshees de Inisherin)
  • Jamie Lee Curtis (Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo)
  • Stephanie Hsu (Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo)

MELHOR ATOR COADJUVANTE

  • Brendan Gleeson (Os Banshees de Inisherin)
  • Brian Tyree Henry (Passagem)
  • Judd Hirsch (Os Fabelmans)
  • Barry Keoghan (Os Banshees de Inisherin)
  • Ke Huy Quan (Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo)

MELHOR FILME INTERNACIONAL

  • Nada de Novo no Front (Alemanha)
  • Argentina, 1985 (Argentina)
  • Close (França)
  • Eo (Polônia)
  • The Quiet Girl (Irlanda)

MELHOR ANIMAÇÃO

  • Pinóquio de Guillermo del Toro
  • Marcel the Shell with Shoes On
  • Gato de Botas 2: O Último Pedido
  • A Fera do Mar
  • Red: Crescer é uma Fera

MELHOR CURTA EM ANIMAÇÃO

  • The Boy, The Mole, The Fox, and the Horse
  • The Flying Sailor
  • Ice Merchants
  • My Year of Dicks
  • An Ostrich Told Me the World is Fake, and I Think I Belive It

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

  • Nada de Novo no Front
  • Glass Onion: Um Mistério Knives Out
  • Living
  • Top Gun: Maverick
  • Entre Mulheres

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

  • Os Banshees de Inisherin
  • Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo
  • Os Fabelmans
  • Tár
  • Triângulo da Tristeza

MELHOR DOCUMENTÁRIO

  • All that Breathes
  • All the Beauty and the Bloodshed
  • Vulcões: A Tragédia de Katia e Maurice Krafft
  • A House made of Splinters
  • Navalny

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM

  • The Elephant Whisperers
  • Hauloiut
  • How Do You Measure a Year?
  • Stranger at the Gate
  • The Martha Mitchell Effect

MELHOR CURTA

  • An Irish Goodbye
  • Ivalu
  • Le Pupille
  • Night Ride
  • The Red Suitcase

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO

  • Nada de Novo no Front
  • Avatar: O Caminho da Água
  • Babilônia
  • Elvis
  • Os Fabelmans

MELHOR FOTOGRAFIA

  • Nada de Novo no Front
  • Bardo, Falsa Crônica de Algumas Verdades
  • Elvis
  • Império da Luz
  • Tár

MELHOR FIGURINO

  • Babilônia
  • Pantera Negra: Wakanda para Sempre
  • Elvis
  • Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo
  • Sra. Harris Vai a Paris

MELHOR SOM

  • Nada de Novo no Front
  • Avatar: O Caminho da Água
  • Batman
  • Elvis
  • Top Gun: Maverick

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL

  • Nada de Novo no Front
  • Babilônia
  • Os Banshees de Inisherin
  • Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo
  • Os Fabelmans

MELHOR EDIÇÃO

  • Os Banshees de Inisherin
  • Elvis
  • Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo
  • Tár
  • Top Gun: Maverick

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO

  • Nada de Novo no Front
  • Batman
  • Pantera Negra: Wakanda para Sempre
  • Elvis
  • A Baleia

MELHOR EFEITOS VISUAIS

  • Nada de Novo no Front
  • Avatar: O Caminho da Água
  • Batman
  • Pantera Negra: Wakanda para Sempre
  • Top Gun: Maverick

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

  • Applause (Tell It Like a Woman)
  • Hold My Hand (Top Gun: Maverick)
  • Lift me Up (Pantera Negra: Wakanda para Sempre)
  • Naatu Naatu (RRR: Revolta, Rebelião, Revolução)
  • This is a Life (Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo)
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EMILY THE CRIMINAL

Um filme com boas doses de realismo, bem dinâmico e interessante, inclusive porque do chamado cinema “independente”. Por esse motivo, aliás, foi premiado há dois dias (04/03/2023) com o Independent Spirit Awards de Melhor Primeiro Roteiro, para John Patton Ford, seu roteirista e diretor. E é de fato uma história bem amarrada e muito bem conduzida. Aubrey Plaza é a protagonista (Harper, da série The White Lotus), em torno de quem todos os fatos giram e tem uma bela e magnética atuação. O filme é muito bem dirigido, com uma história instigante que mantém o interesse do espectador até o final e seu defeito aparente é “empoderar” demasiadamente as mulheres, enfatizando com isso a fragilidade masculina, o que inclusive parece ser até uma tendência da atualidade. Mesmo assim, uma personagem marcante, desempenhada por uma atriz competente, que ressalta as qualidades e defeitos de Emily, entre eles o arroubo inconsequente. O que, por sinal, também pode ser tido como uma qualidade. De resto, uma boa diversão, um filme feito com uma equilibrada dose de ingredientes, dispostos em um thriller dramático policial, produzido nos EUA e tendo como objetivo aparente o de entreter, divertir, sem grandes compromissos, o que consegue sem esforços, chegando sem sobressaltos ao seu final e ao resultado almejado. Contudo, apesar das aparências simples, é um roteiro contundente em termos de crítica social e quem conseguir perceber suas sutilezas, seja ou não nas entrelinhas, também compreenderá a força do roteiro e a razão de ter sido premiado em evento de tamanha importância. No final, o filme surpreende e também angustia, mas a última cena talvez arranque um sorriso do espectador. 8,8

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ENTRE MULHERES (WOMEN TALKING)

Ainda mais diante de uma realidade ainda brutal e opressora em que vivemos (de feminicídios etc), este filme se mostra atual e bastante oportuno (universal), pela sua força, mensagem, abrangência e também por propiciar a reflexão (menos, é claro, aos “trogloditas”, que jamais se sensibilizam). Na verdade, é um trabalho sobre tema antigo, mas com uma abordagem original. Chocante a constatação sobre a época da ocorrência dos fatos, que são narrados a partir da realidade de mulheres que vivem em uma pequena comunidade religiosa (que bem pode espelhar boa parte do mundo). Os acontecimentos praticamente se concentram dentro de um galpão (celeiro), mas o fato em nada desmerece a notável harmonia entre todos os elementos, incluindo trilha sonora, fotografia (estilo envelhecido), elenco e direção/edição. A diretora Sarah Polley (como atriz: Minha vida sem mim, Senhor ninguém, A vida secreta das palavras) consegue com muita competência e feeling transmitir as dores e lamentações das personagens, sem em nenhum momento esbarrar nos caminhos fáceis do dramalhão ou do pessimismo amplo. Há muitas cenas de grande significado, porém algumas são belas plasticamente, como a da criança dormindo sobre o produto da colheita, que parece uma pintura. Todavia, o que predomina e efetivamente interessa é o diálogo, como instrumento particularmente notável de integração e renovação/reação. Todas as atuações são excelentes, inclusive o filme concorreu no SAG AWARDS como Melhor elenco, com destaque para Rooney Mara (Os homens que não amavam as mulheres), Claire Foy (The crown), Jessie Buckley (A filha perdida), Judith Ivey (A dama de vermelho) e Frances McDormand (Três anúncios para um crime). Entretanto, embora seja um filme de mulheres, com mulheres e para mulheres, o ator Ben Whishaw desempenha muitíssimo bem o único papel masculino relevante (August). Um filme que talvez merecesse ser mais bem cotado nas diversas premiações do cinema, mas que, de qualquer forma, vai concorrer ao Oscar do próximo dia 12 de março nas categorias de Melhor filme e Melhor roteiro adaptado. Já no início do filme temos a síntese para o destino de muitas mulheres: nas “cédulas” da eleição atípica só existem as três escolhas, de “lutar”, “nada fazer” ou “partir”. As duas últimas cenas deste rico filme permitem leituras diversas: a penúltima, parece mostrar ou as dificuldades dos caminhos a serem percorridos ou a vastidão desses caminhos; e a última cena – que completa o ciclo da narrativa da primeira cena do filme -, parece retratar ou o desejo de toda mãe em relação a seus filhos ou reafirmar, naquela tentativa algo profética, a irônica visão quanto à real possibilidade de mudanças. 8,8

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INDEPENDENT SPIRIT AWARDS (2023) – VENCEDORES-04/03/2023 (principais categorias, relacionadas com o Oscar)

Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo

Daniel Kwan, Joe Russo, Anthony Russo, …

Melhor Filme

Daniel Kwan

Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo

Melhor Diretor

Daniel Scheinert

Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo

Melhor Diretor

Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo

Daniel Kwan, Daniel Scheinert

Melhor Roteiro

Joyland

Saim Sadiq

Melhor Filme Estrangeiro

Michelle Yeoh

Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo

Independent Spirit Award for Best Lead Performance

Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo

Paul Rogers

Melhor Montagem

Ke Huy Quan

Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo

Independent Spirit Award for Best Supporting Performance

Entre Mulheres

Rooney Mara, Claire Foy, Jessie Buckley, …

Prêmio Robert Altman

Tár

Florian Hoffmeister

Melhor Fotografia

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SAG AWARDS 2023 (Prêmios do sindicato dos atores) – De 26 de fevereiro de 2023 a partir das 22h

VENCEDORES – CINEMA

ELENCO DE FILME

Tudo Em Todo Lugar Ao Mesmo Tempo

Babilônia

Os Banshees de Inisherin

Os Fabelmans

Entre Mulheres

ATRIZ

Michelle Yeoh – Tudo Em Todo Lugar ao Mesmo tempo

Cate Blanchett – Tár

Viola Davis – A Mulher Rei

Ana de Armas – Blonde

Danielle Deadwyler – Till: A Busca por Justiça

ATOR

Brendan Fraser – A Baleia

Austin Butler – Elvis

Colin Farrell – Os Banshees de Inisherin

Bill Nighy – Living

Adam Sandler – Arremessando Alto

ATRIZ COADJUVANTE

Jamie Lee Curtis– Tudo Em Todo Lugar…

Angela Bassett – Pantera Negra: Wakanda Forever

Hong Chau- A Baleia

Kerry Condon – Os Banshees de Inisherin

Stephanie Hsu – Tudo Em Todo Lugar Ao Mesmo Tempo

ATOR COADJUVANTE

Ke Huy Quan – Tudo Em Todo Lugar…

Paul Dano – Os Fabelmans

Brendan Gleeson – Os Banshees de Inisherin

Barry Keoghan – Os Banshees de Inisherin

Eddie Redmayne – O Enfermeiro da Noite

 

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IMPÉRIO DA LUZ (EMPIRE OF THE LIGHT)

Uma história que se passa na costa sul da Inglaterra na década de 1980, com ingredientes simples e que vai lentamente sendo construída, com cenas belas, interessantes e argumentos que nos sensibilizam aos poucos. Nada excepcional, um drama envolvendo pessoas e que pouco a pouco vai tecendo seu enredo e nos amarrando de forma indissolúvel. Vamos percebendo questões importantes sendo tratadas (como do racismo, por exemplo) e a homenagem ao cinema vai tomando corpo e nos reserva belos momentos, inclusive em certo momento evocando e homenageando o maravilhoso Muito além de jardim e o inesquecível Peter Sellers, com sua imorredoura filosofia de vida na inesperada e insólita cena final. Quando percebemos, estamos envolvidos nos fatos e nas vidas e dilemas dos personagens, totalmente cativados pelo roteiro e principalmente inebriados com a interpretação fabulosa da maravilhosa Olívia Colman. No elenco, diga-se, também o experiente e carismático Colin Firth. O diretor Sam Mendes (Beleza americana, Skyfall, 1917), do alto de sua experiência cinematográfica, sabe muito bem conectar os pontos, a ponto de nos envolver, nos emocionar e nos propiciar um qualificado filme, com um final também simplesmente belíssimo! Uma experiência envolvente e que na construção dos detalhes revela a sensibilidade da obra e também de seu diretor, que tem a seu serviço uma das melhores atrizes do cinema e uma história sem maiores rebuscamentos, mas que trata de pessoas, de relacionamentos e da vida, com cores bastante reais, sendo tudo ainda emoldurado pela mágica inesgotável do cinema. 8,9

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A BALEIA (THE WHALE)

Dirigido por Darren Aronofsky (Réquiem para um sonho, Cisne negro), este é um filme polêmico por ter como um dos seus temas principais a obesidade mórbida. Mas não deveria ser. Pois por mais que seja um texto pesado, doloroso, no contexto geral absolutamente avassalador, o assunto em questão é enfrentado com rara coragem, muita responsabilidade e realismo e, ao contrário de poder gerar repugnância ou sentimentos negativos, deverá, sim, produzir justamente efeitos opostos a esses: ou dando humanidade aos que veem os obesos de uma forma talvez preconceituosa (dando-lhes, também, uma visão diversa) ou até mesmo fazendo com que muitos se identifiquem com o protagonista, reflitam e até acabem agindo em busca de algo maior, como o restabelecimento da sua saúde, por exemplo. Seja como for, é um filme forte, denso, repleto de situações e diálogos incômodos, baseado em peça teatral de Samuel D. Hunter e que simplesmente foi o roteirista do filme: ou seja, algo fiel ao texto original e à ideia, principalmente. Só que com os recursos de som e imagem/efeitos do cinema. O que além de uma direção extremamente competente – e os fatos, bem propícios ao teatro, ocorrem dentro de uma casa, na verdade basicamente em um dos seus aposentos – reúne um elenco excelente, com uma ótima trilha sonora e uma também qualificada edição. Detalhe: apesar da excelência do elenco (principalmente a atriz Hong Chau, a “cuidadora”), o brilho indiscutível é do ator Brendan Fraser, que apresenta aqui uma performance simplesmente monumental e inesquecível. Não porque o ator engordou muitíssimo, mas porque ele consegue, independentemente da aparência, dar ao belíssimo personagem nuances tocantes, improváveis e surpreendentes de fragilidade, bondade, generosidade, acentuadas com rara competência em cada cena, fazendo transbordar de seus gestos e expressões uma impressionante humanidade, de alguém que ainda crê no ser humano, nos seus valores positivos e na sua capacidade de superar quaisquer obstáculos. Discordo, portanto, das opiniões divergentes, que rotulam o filme de dramalhão ou tentam reduzi-lo de sua importância e magnitude. E mais: o fascínio de Charlie (e de sua abnegada renúncia), a intensidade perturbadora da história que vai se descortinando por detrás de tudo e o “achado” das cenas derradeiras (e dos “efeitos finais”), que revelam o que se podia antever, mas jamais em toda a profundidade que aflora  – de forma lírica, poética, chocante -, tornam o final deste contundente filme um dos mais belos e devastadores da história do cinema. 9,2

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BAFTA 2023 – VENCEDORES (Londres, 19 de fevereiro de 2023)

BAFTA (Oscar do cinema inglês) – GANHADORES (em 19/2/23)

 

Melhor Filme

Nada de novo no front

Melhor Direção

Edward Berger (Nada de novo no front)

Melhor Estreia de Direção, Roteiro ou Produção Britânica

Charlotte Wells (direção e roteiro de Aftersun)

Melhor Ator

Austin Butler (por Elvis)

Melhor Atriz

Cate Blanchett (por Tár)

Melhor Ator Coadjuvante

Barry Keoghan (por Os Banshees de Inisherin)

Melhor Atriz Coadjuvante

Kerry Condon (por Os Banshees de Inisherin)

Melhor Roteiro Original

Os Banshees de Inisherin

Melhor Roteiro Adaptado

Nada de novo no front

Melhor Filme Animado

Pinóquio

Melhor Filme Estrangeiro

Nada de novo no front

Melhor Filme Britânico

Os Banshees de Inisherin

Melhor Trilha Sonora

Volker Bertelmann (por Nada de novo no front)

Melhor Elenco

Elvis

Melhor Fotografia

James Friend (por Nada de novo no front)

Melhor Edição

Paul Rogers (por Tudo em todo lugar ao mesmo tempo)

Melhor Figurino

Catherine Martin (por  Elvis)

Melhores Efeitos Visuais

Avatar: o caminho da água

Melhor Som

Nada de novo no front

Melhor Design de Produção

Babilônia

Melhor Maquiagem e Cabelo

Elvis

 

 

 

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TUDO, EM TODO LUGAR, AO MESMO TEMPO (EVERYTHING, EVERYWHERE, ALL OF ONCE)

Este filme não deverá agradar boa parte das pessoas. O motivo está justificado em seu título. E na exigência de atenção e persistência para que seja bem entendido. Desconheço se vai cair nas graças dos votantes do Oscar (geralmente em boa parte conservadores), como ocorreu no Globo de Ouro, mas o fato é que foi o vencedor do Critic´s Choice Awards há poucas semanas. Porque é algo de certa forma revolucionário, totalmente “insano”, “bizarro”, “surreal”, completamente fora do convencional, mas criativo, inteligente, um frescor na mesmice cinematográfica reinante. Na verdade, um filme extraordinário, de grande fôlego, principalmente se entendido em sua essência (que efetivamente se revela no final). Que provoca a reflexão, mas que talvez exija que se assista a ele mais de uma vez, para ser devidamente percebido e degustado. Pois é tanta coisa acontecendo no filme, que pode gerar cansaço e muitas vezes deixar dúvidas sobre a correta compreensão das coisas. A direção dos “Daniel” Kwan e Scheinert e a montagem, por exemplo, são muito acima do trivial e o filme como um todo é daqueles muito difíceis de se realizar.  A história se apropria de um tema já explorado de ficção científica e o trata de um modo nunca antes visto, com nuances de gibi, de comédia, de drama, de filosofia (que existe até – e de forma memorável – em um “diálogo” de duas pedras contemplando a paisagem do alto de uma montanha). Uma história basicamente familiar em seu cerne é enredada habilmente com possibilidades fascinantes da ficção, em um ritmo incessante, contagiante e empolgante de referências culturais, ações e reações, rebuscados por incríveis e intensos efeitos especiais: lutas chinesas se misturam com questões e ambiente burocráticos em conceitos diversos e recursos cinematográficos dos mais variados. É um turbilhão de sons, cores e acontecimentos – e até pitadas de mistério -, justificando plenamente seu título. A riqueza do roteiro e a qualidade do visual e do som, bem como a belíssima trilha sonora, são incontestáveis. E o elenco não fica atrás e exala qualidade, pela excelente Michelle Yeoh e com uma performance inesquecível de Jamie Lee Curtis, que elaborou um personagem, que certamente tanto a divertiu, quanto a desafiou. E ao longo do enredo, principalmente quando se aproxima seu final, percebemos, com empatia e emoção, que além de seus vários temas, entre eles o do conflito permanente do ser humano com as suas escolhas e o da finitude e a importância e razão das coisas, o filme é na verdade a procura dos encontros, é simplesmente uma linda e emocionante história de amor. 9,2

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SENTIDOS DO AMOR (PERFECT SENSE)

Para começar, a dupla de protagonistas deste filme alemão de 2011 é formada por um ator e uma atriz de enorme talento. Além disso, ambos são “camaleões”, pela diversidade de papéis que já desempenharam no cinema. Ewan trabalhou em Trainspotting, Moulin Rouge, Star Wars, Peixe Grande, Raymond and Ray, Abaixo o amor, O escritor fantasma. Eva atuou em 007 Cassino Royale, Os sonhadores, Sin City, Camelot, Pássaro branco na nevasca, Euphoria. Também atua no filme, de mais conhecida, Connie Nielsen. Apesar da dupla e da excelente direção de David Mackenzie, este é um daqueles chamados “filmes de arte”, ou seja, vai despertar indiferença em alguns, rejeição em outros e sentimentos maravilhosos em um terceiro grupo, no qual me incluo. O gênero aqui, passando pelo romance, é predominantemente de drama de ficção científica e que, pela pandemia que afetou o mundo recentemente, não parece assim tão distante da realidade, embora a história tenha sido produzida há mais de dez anos. Testa a fragilidade e os limites do ser humano, sua capacidade de adaptação e superação, seu otimismo e sua profunda melancolia, tudo de forma visceral e com uma trilha sonora maravilhosamente enquadrada. É uma história original, impactante, angustiante e que com inteligência e ousadia vai nos fazendo mergulhar no absurdo, no horror, mas ao mesmo tempo nos oferece janelas, abertas pela própria teimosia e pelas virtudes humanas, em busca da beleza de viver e conviver. O enredo também nos dá e com muito ênfase a oportunidade de refletir sobre o destino de uma sociedade exagerada, sem limites, egocêntrica e não tem ideia do que pode haver pela frente de seus atos irresponsáveis e impensados. Aprendemos que o amor é a chave de tudo e está bem próximo, ao nosso alcance, embora às vezes seja urgente e não conseguimos perceber isso. Polêmico, instigante, tem uma cena final simplesmente maravilhosa, avassaladora. Belíssimo. 9,2

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ALABAMA MONROE (THE BROKEN CIRCLE BREAKDOWN)

Como diz um querido amigo meu, gosto de filmes que mostram “a vida como ela é”. Mas muitas vezes a vida não é fácil. E ver na tela esses fatos se torna um desafio e até uma tarefa algo indigesta. E é o caso desta história e dos seus personagens, envoltos em dramas e tragédias. O filme é belga e seus personagens parecem aqueles roqueiros hippies, que prezam a liberdade, a boemia, a vida cheia de surpresas pelos caminhos. Ele é músico, ela trabalha com tatuagens e assim se encontram e os fatos nos são mostrados de forma bastante dinâmica, passando competentemente por linhas de tempo diferentes. Assim como são diversas as fases, são também variados os sentimentos, ora de grande alegria, ora de grande tristeza. Mas o clima que acaba predominando é o sombrio, embora destilado por um roteiro bem elaborado e montado. Na verd

ade, trata-se de um filme realizado com maestria, intenso, porém muito dolorido e que exige do espectador empatia e compreensão. Cinematograficamente falando é uma obra de respeito, mas para se gostar dela deve-se estar preparado para assistir a uma história de amor e de dor, com todas as suas manifestações, vertentes e consequências. O filme concorreu a diversos prêmios e também ganhou vários, entre eles o de Melhor atriz europeia para Veerle Baeters (realmente ótima) e o de Melhor filme estrangeiro no Cesar (Oscar francês) de 2014. 8,5

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PEARL

Aparentemente uma história que lembra O mágico de Oz – com certeza intencionalmente – em um ambiente rural e familiar, embora embalado por uma grande tragédia, provocada pela Gripe Espanhola. Mera aparência. As coisas vão logo ficando estranhas e pesadas, por conta da personagem central, que nos desconcerta ao mostrar sérios sinais de instabilidade, dentro de sua ideia obsessiva de ser uma atriz famosa. Mesmo vivendo em um ambiente monótono mas opressivo, com um pai inválido e uma mãe controladora e tirânica. Os fatos se passam em uma fazenda no interior do Texas em 1918 e até parece uma história de Stephen King pelo rumo que as coisas tomam, misturando fatos inesperados, bizarros e até assustadores (o animal de estimação de Pearl, por exemplo). A atmosfera é atraente, mas sinistra, muito por conta da co-roteirista e atriz Mia Goth (Emma, Ninfomania), aqui em magistral atuação.  Ficamos hipnotizados e grudados na tela e dos fatos podemos tirar algumas conclusões, sobre se tudo é produto do meio ou efetivamente se trata de algo no campo da sanidade mental. O final do filme também pode gerar muitas teorias, mas o fato é que é um filme pesado, com suspense e terror e não vai agradar a todo tipo de público. A última cena é algo realmente impactante, surpreendente e pode gerar os mais variados sentimentos. 8,6