A MORTE DE ROBIN HOOD (THE DEATH OF ROBIN HOOD – 2026)

Obra que apresenta uma visão totalmente diferente do que já foi visto sobre o lendário bandido que “roubava dos ricos para dar aos pobres”. Neste filme não existe romance, nem concessões à bondade e à generosidade: trata-se de tempos cinzentos, violentos, de escassez, com homens brutos e destino incerto para todos e para as famílias. Não há lugar para herois e sim para um passado de pesadelos. A maldade está em todo lugar, tornando os caminhos inseguros e a barbárie uma ameaça constante. O tom do filme, mesmo em seus momentos melancólicos, segue essa linha mais realista e que cria um choque para quem se acostumou a ver os filmes de Robin Hood. Pode-se dizer que é uma “adaptação sombria” da lenda. Mas, o que poderia ser algo bizarro, enfadonho ou de mau gosto, transforma-se em qualidade e beleza, no amplo sentido cinematográfico, tanto em termos de roteiro, quanto de produção: fotografia, trilha sonora, som, direção de arte, interpretações…nesse ponto, realmente se destacam Hugh Jackson – em um papel difícil e que interpreta com rara sensibilidade e profundidade – e Jodie Comer – que, além da série “Killing Eve”, confirma a grande atriz que é, contida e emocional ao mesmo tempo -. ambos brilhantes. O diretor, muitíssimo competente, é Michael Sarnoski, de “Um lugar silencioso: dia um”” e “Pig”. De negativo apenas um detalhe do filme e que não deve passar despercebido pelo espectador atento: sem spoiler, mas é algo que constitui uma falha tão bisonha e grave, que o continuísta mereceria ter sido sumariamente despedido. De resto, um belo espetáculo e o público-alvo certamente saberá apreciar com deleite essa iguaria. 9,3
____________