O CONVITE (THE INVITE)
- Uma comédia dramática de primeira linha e que, temática à parte, lembra algumas das antigas, em que o texto e o elenco eram bastante afiados, aguçando a inteligência e os sentidos do espectador. Na verdade, para que possa funcionar, esse tipo de filme – cuja locação é um apartamento, onde interagem apenas quatro pessoas – pede como imprescindível a harmonia irrestrita de seus elementos, principalmente roteiro, direção (inclusive de atores e atrizes) e atuação. E aqui isso acontece, porque, em seu terceiro filme como cineasta, Olivia Wilde entrega uma direção inspirada, à altura do ótimo roteiro (texto inteligente e envolvente) e o timming é perfeito entre os protagonistas: a própria Olívia, que para mim se destaca, talvez junto com Penélope Cruz, além do sempre ótimo Edward Norton e Seth Rogen. Na verdade, apesar de caminhar contra a corrente, não gostei do desempenho de Rogen e acho que ele é sempre o mesmo, em todos os papéis em que atua (mas não chega de modo algum a prejudicar). A edição é perfeita e a trilha sonora super adequada, variando os enfoques conforme cada momento da história. Fato a ser lembrado e que não é spoiler porque a frase aparece antes de iniciar o filme: a citação da abertura consiste na famosa frase de Oscar Wilde, traduzida mais ou menos como “Deve-se estar sempre apaixonado e essa é a razão pela qual nunca se deve casar”. Mais ironia impossível e esse clima permeia muitos instantes do filme, com detalhes de crítica social, muitas alfinetadas, farpas, frustrações externadas, conflitos, em um interessantíssimo filme que certamente vai provocar risos, mas que também pode provocar algumas lágrimas e deve propiciar reflexões. Nesse ponto, pode funcionar até como terapia, sendo certamente um belo oásis no atual deserto cinematográfica em que estamos atualmente. 9,3
