INTERLÚDIO (NOTORIOUS – 1946)
Este é um dos melhores filmes do mestre Alfred Hitchcock (Psicose, Os pássaros, Um corpo que cai etc), contendo muito mistério e suspense principalmente de início (o personagem masculino parece bem enigmático) e estrelado por Ingrid Bergman (Casablanca quatro anos antes, À meia-luz, Quando fala o coração um ano antes, também filme do mestre do suspense) e Cary Grant (Núpcias de escândalo, Este mundo é um hospício e mais tarde Charada, Intriga internacional, Tarde demais para esquecer). Outro fato bem particular do filme é ter sido ambientado no Rio de Janeiro, local onde se passa praticamente toda a trama. Só que na verdade as filmagens foram em sua maioria feitas em estúdio. Entretanto, são várias as tomadas externas realizadas no Rio e que, apesar de não haver especial interesse na cultura local, mostram um painel histórico apreciável, da cidade nos anos pós Segunda Guerra. O roteiro é interessante e, como de praxe, movimentado, desenvolvendo com bastante sensibilidade a trama de espionagem paralelamente ao relacionamento amoroso com alguns instantes típicos de Hitchcock, inclusive contornando a censura da época com cortes na cena do longo beijo (o beijo na boca poderia durar apenas 3 segundos, de modo que foram filmados vários beijos seguidos com essa duração, tendo como produto final um beijo de longa duração!). Muitos críticos consideram este o melhor filme do diretor, por ter conseguido um raro equilíbro entre a estética de dirigir e a clareza emocional da mensagem, “explorando temas como culpa, desconfiança e o peso do dever”. Por fim, merece destaque a química existente entre os protagonistas, também facilitada pela relativa liberdade que Hitchcock teve para dirigir e sua afinidade com a bela Ingrid Bergman. 9,1
