ACROS THE UNIVERSE (2007)
- Quem gosta de música, é sensível, romântico e principalmente adora/ama os Beatles vai talvez se apaixonar perdidamente/intensamente por este filme, ambientado no final dos anos 60 e que, por sinal, foi um fracasso de bilheteria quando lançado em 2007. Trata-se de um “revolucionário musical de rock” (sic), que aborda um período turbulento da história, de manifestações sociais reprimidas fortemente pela polícia, contra a guerra do Vietnã, que acabou sendo imposta a meio milhão de americanos e também contra a guerra de modo geral e o racismo, inclusive sendo notícia durante o filme o assassinato de Martin Luther King. O detalhe é que enquanto se desenrolam os dramas, com algum romance e desfila um maravilhoso painel dos anos 60 (inclusive intensificado pelas cores da maravilhosa fotografia e dos efeitos visuais), são incidentais inúmeras músicas do Beatles, perfeitamente harmonizadas com as situações onde acontecem (34 músicas ao todo). A cena inicial já é um convite ao deleite que virá. Uma das músicas, lançada em 1970 no álbum “Let it be” dá o título ao filme. Merece também grande destaque o fato de que a maneira como as músicas são cantadas e interpretadas – mais lentamente do que conhecemos – nos permite verdadeiramente avaliar a grande musicalidade e profundidade da obra dos Beatles e que a coloquemos em um patamar máximo: efetivamente de imortalidade! A direção é da americana Julie Taymor (Frida, A tempestade), que co-assina o roteiro e o excelente elenco é comandado por Jim Sturgess como Jude (Um dia, O melhor lance), Evan Rachel Wood como Lucy (Westworld, True blood) e Joe Anderson como Max (A epidemia, A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2). Além deles, brilham Martin Luther McCoy como Jojo, Dana Fucs como Sadie e ocorrem inesperadas participações especiais, entre outros, de Bono, Eddie Izzard, Joe Cocker e Salma Hayek. Filme extremamente bem feito, dirigido, interpretado e editado, com maravilhosa fotografia e trilha musical simplesmente magnífica e inesquecível, sendo para mim totalmente incompreensível o já citado fracasso de bilheteria. E aqui realmente não há, para se avaliar o filme, como não se deixar levar pela emoção da música dos Beatles, das cenas belas e de impacto e das várias referências sócio-culturais em que somos mergulhados como uma deliciosa viagem no tempo. 10,00
