MISSÃO REFÚGIO (SHELTER – 2026)
Uma das fórmulas mais batidas no cinema, nos filmes de ação e aventura (muitos envolvendo espiões), é aquela do retorno do “ex-força especial”, ou “ex-mercenário”, enfim, alguém aposentado que já foi “elite” de alguma organização do governo (leia-se: preparado para a ação armada e altas missões) e que por um motivo ou outro volta à ação. Entretanto, o mais comum é que essa fórmula gere filmes cansativos, repetitivos ou mesmo apenas assistíveis, porém sem nada além disso. Pelo conjunto da obra e por este filme, não parece ser esse o caso dos filmes de Jason Statham, que apresentam, sim, inúmeros e esperados/inevitáveis clichês, porém traz conteúdos interessantes, algumas surpresas e principalmente um diferencial no ritmo/andamento (com trilha sonora e efeitos caprichados), no enfoque e na própria pessoa do protagonista. A maneira de contar a história e a personalidade do “heroi-vilão” (neste caso também a da coadjuvante) são pontos extremamente importantes e que servem como base segura para um bom divertimento, sem que o espectador se sinta manipulado ou tendo seu tempo perdido. Em geral, os personagens assumidos por Statham têm o temperamento e o caráter do próprio ator, que é hoje quase um sessentão, mas mantém a forma física derivada de um passado rico de múltiplas e enriquecedoras atividades: Jason foi na juventude atleta de saltos ornamentais da equipe da Inglaterra, mais tarde sendo mergulhador profissional e lutador de artes marciais, participando de inúmeros filmes, como “Os mercenários,” “Blitz”, “Snatch – porcos e diamantes” e “Corrida mortal”, constando que não utiliza dublês para as cenas de luta. De qualquer maneira, o tipo caladão, cara de mau e que guarda segredos do passado historicamente sempre se mostra atraente e faz parte do charme da coisa toda. Um filme interessante e agradável de se assistir, podendo ser na companhia de pipoca e refri, com a participação – de mais conhecido – do sempre empático Bill Nighy. 8,6
