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E DEUS CRIOU A MULHER

É…os homens sempre se sentiram atraídos pelas indomáveis. Ainda mais quando belas, têm ares de inocência e ao mesmo tempo aparentam permanente enfado e insatisfação com tudo e com todos. Elas os fazem de “gato e sapato”, mas mesmo assim todos a querem, porém ninguém a tem. Personagens como a que Brigitte Bardot faz neste filme não são novidade no cinema (a “vadia” para a aldeia, a “destruidora de homens” para todos, inclusive para os próprios homens). Mas temos que nos transportar para a época (1956) e entender que o mito BB foi habilmente construído não apenas pela sensualidade e despojamento –  neste caso,  além da natural nudez, o fascínio pelo espírito livre desafiando a moralidade -, mas por ser o foco praticamente  único de uma trama totalmente preparada para transformá-la em mito, apesar de, no fundo no fundo, tratar-se de um roteiro bem banal e novelesco. Mas tudo à feito à feição para destacar BB e torná-la a sex symbol da França e dali para o mundo: nesse sentido e no do contexto do filme, a famosa cena da dança diz tudo, em sua nada sutil simbologia. Cena que foi tida como extremamente ousada e a qual se segue um final de filme bem ao caráter de Nelson Rodrigues. Méritos da atriz e principalmente de Roger Vadim, o diretor , que a lançou e também fez o mesmo com os ícones Jane Fonda e Catherine Deneuve. No caso deste filme, além dos elementos acima citados, a locação em Saint- Tropez, o próprio título do filme (chamativo e um tiro na mosca para os propósitos mitificadores) e um bom elenco – incluindo o jovem Jean-Louis Trintignant, que se tornaria depois um dos grandes atores do cinema francês – contribuíram para o filme e o mito permanecerem, ela como um dos maiores símbolos sexuais do cinema. Graças a BB ter ido morar lá, alguns anos após a filmagem, Saint-Tropez se transformou de uma vila de pescadores em charmoso e concorrido balneário de veraneio. Outras curiosidades: houve época em que BB (a loira) e CC (Cláudia Cardinalli, a morena) geraram disputas entre os fãs, cada legião defendendo a sua como a mais bonita. E a condenação do filme pela Legião da Decência Americana acabou contribuindo em muito também para projetar internacionalmente o filme.  7,5

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