DIZEM QUE É PECADO (PEOPLE WILL TALK – 1951)

Este filme não é considerado um dos clássicos do cinema, mas bem poderia ser, porque tem qualidade suficiente para tanto. Em primeiro lugar, o roteiro é inteligente, rico, ágil, repleto de boas sacadas e totalmente coerente, com diálogos deliciosos e muito mistério no que os diálogos não explicitam e em alguns aspectos que só no final encontram seu desate: apenas em pequenas doses é que o espectador conseguirá tanto entender perfeitamente os próprios personagens, como suas motivações e haverá segredos a serem revelados apenas na parte final. Além do roteiro e da parte técnica bem equilibrada, o casal de protagonistas é excelente e tem ótima química: Cary Grant, uma lenda em Hollywood (Este mundo é um hospício, Núpcias de escândalo, Interlúdio e, após 1951, Ladrão de casaca, Tarde demais para esquecer, Intriga Internacional, Charada etc) e a bela e elegante Jeanne Crain (Amar foi minha ruína, Uma carta a três esposas/Quem é o infiel?); além deles, muito bons também Finlay Currie, Hume Cronyn e Walter Slezak. E conduzindo tudo, com sensibilidade e maestria, o diretor Joseph L. Mankiewicz, que inclusive no ano anterior havia ganho o Oscar de Melhor diretor (e roteiro) por “A malvada”, tendo também dirigido inúmeros outros filmaços, como A condessa descalça, Cleópatra e Uma carta a três esposas/Quem é o infiel? Este filme consta como comédia, mas soa mais como um drama e com um fundo de crítica social bastante interessante, desde o início deixando evidente que faz uma homenagem à classe médica, mas apenas aos bons e idealistas profissionais. O filme é delicioso de se ver, deixa o espectador permanentemente curioso sobre suas reticências e guarda um final que traz a vontade de rir ou de chorar, ou ambos ao mesmo tempo, como as grandes boas obras de antigamente. 9,1

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