AMARGO PESADELO (DELIVERANCE – 1972)
Com a construção da represa, o rio Cahulawasse (fictício) irá desaparecer, assim como os povoados no entorno. Quatro amigos de Atlanta resolvem, então, despedir-se do rio, descendo suas perigosas corredeiras com dois caiaques e muita coragem e bom humor. Mas o que seria apenas uma viagem de integração à natureza e uma jornada de ação e aventuras, acaba se tornando algo imprevisível e dramático: a partir de certo ponto e até o seu final, o filme se torna um thriller tenso, intenso e impactante. Muito bem dirigido por John Boorman (“À queima-roupa”, “Excalibur”), apresenta cenas fortes e personagens marcantes, inclusive por situações específicas, notadamente uma delas, de maior peso, e que dentro do contexto se revela como totalmente inesperada. O elenco tem um trio famoso: Burt Reynolds, Ned Beatty e Jon Voight (“Perdidos na noite”, “O campeão” e Oscar de melhor ator em 1979 pelo filme “Amargo regresso”) – também conhecido como o pai de Angelina Jolie. Outro destaque é a insólita apresentação musical que ocorre logo nos primeiros momentos do filme, em que vemos o “duelo” entre um violão e um banjo e que acabou virando algo icônico na história do cinema, tanto pela destreza da execução, quanto pela beleza cultural da música (“Dueling banjos”), mas principalmente porque se divulgou que a cena foi improvisada, quando esse fato não é verdadeiro, além de o tocador do banjo ter sido dublado em sua performance (por sinal, a música já existia anteriormente). Mas é óbvio que tais circunstâncias não desmerecem o filme, ao contrário acrescentando-lhe um sabor a mais desde o seu princípio. E o que vemos é algo que permeia entre a ação, a estranheza, o desconhecido e o desconforto, compondo uma bela obra cinematográfica, inclusive pelo desfecho, que também deixa a emoção em estado de alerta. 9,0
