PAPAI (DADDIO – 2023)
Apesar do título, este filme não tem nada de infantil, sendo, ao contrário, recomendado para adultos, em razão das temáticas abordadas. Sua história, na realidade, poderia ter utilizado o teatro como veículo, porque se trata de apenas dois personagens dialogando dentro de um táxi, no trajeto entre o aeroporto JFK e a residência. Mas preferiu, para nossa sorte, o cinema e eis aqui seu grande desafio (vencido com maestria): tornar interessante e instigante o diálogo envolvendo o motorista e sua passageira durante o percurso. A conversa, diga-se, envolve diversos temas, de intensidades emocionais diferentes, em uma corrida repleta de significados sociológicos. E o excelente e bem delineado roteiro consegue tal feito e envolve totalmente o espectador, do início ao fim do filme, tendo do elenco minimalista a densidade e a qualidade interpretativa necessária para imprimir as emoções e a autenticidade devidas. A sensibilidade e perfeccionismo da direção também se fizeram imprescindíveis para que tudo funcionasse na mais perfeita harmonia, inclusive o som e a fotografia (movimento de câmeras), Méritos para a jovem roteirista e diretora americana Christy Hall (também autora do roteiro de “É assim que acaba”, com Blake Lively) e para os que alcançaram performances superlativas na interpretação do inteligente e penetrante texto: Dakota Johnson (Cinquenta tons de cinza, Amores materialistas) e Sean Penn (Uma batalha após a outra, Sobre meninos e lobos), ambos realmente excelentes! Qualquer spoiler de acréscimo seria muito inconveniente, bastando então resumir que se trata de um drama intimista e reflexivo de elevada qualidade e que pode ser até definido por seus efeitos de terapia. O título do filme – mais do que adequado: perfeito – inclusive permite várias interpretações pelos diversos significados que alcança ao longo da história (“Daddio” a princípio é uma variação de “Daddy” ou “Dad”). 9,3
