A GRANDE FUGA (THE GREAT ESCAPE – 2023)

Com um belo roteiro, a grandiosa interpretação de dois mitos do cinema britânico, Michael Caine (aos 90 anos) e Glenda Jackson (pouco antes de falecer aos 87 anos) e a sensível direção do também britânico Oliver Parker (Otelo, Dorian Gray, Quase no paraíso), um filme que trata de alguns temas fundamentais, como o amor, a velhice, a memória, a guerra e suas cicatrizes, o perdão e o faz de um modo redondo, certeiro e sem soar apelativo, embora seja uma história sentimental e que deverá fazer chorar – talvez mais de uma vez – os mais emotivos. Somos levados a vários momentos de reflexão, notadamente sobre sérias questões existenciais, embalados por algo que nunca deixa de parecer sincerto e que nos brinda com belos momentos, alguns memoráveis, como o da cena em que veteranos aliados se encontram com veteranos alemães. Dizem que foi esse momento, tão emocional, quanto simbólico, que acabou convencendo Caine a fazer o filme no papel de Bernard (Bernie) Jordan, pois o veterano ator já estava gozando da merecida aposentadoria, após tantos anos dedicados ao cinema, com mais de 100 filmes (Jogo mortal, Vestida para matar, Hannah e suas irmãs, trilogia de Batman, A origem, Interestelar, Juventude entre muitos outros). Spoiler (atenção): o filme foi inspirado em um personagem real, que tinha residência em Hove, na Inglaterra e participou do desembarque na Normandia (Dia “D”). Realmente um belo trabalho cinematográfico (embora singelo), sendo um grande prazer ver atuar com tanta perfeição, emoção e carisma a dupla Caine-Jackson. Também participam do filme com algum destaque John Standing (como o veterano Arthur) e Danielle Vitalis (no papel da enfermeira/cuidadora Adele). Um filme que alimenta o coração e nos faz mergulhar em temas de nostalgia, de humanidade e dos mistérios da vida (e da morte). 9,2

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