LAWRENCE DA ARÁBIA (LAWRENCE OF ARABIA – 1962)

Esta produção anglo-americana é um verdadeiro épico, na verdade uma esplendorosa e vibrante superprodução, magistralmente dirigida pelo mestre britânico David Lean (A filha de Ryan, A ponte do rio Kwai, Passagem para a Índia, Dr. Jivago, Grandes esperanças), contando uma história extraordinária, com um personagem inesquecível que dá título ao filme, desempenhado de forma soberba por Peter O´toole (O leão no inverno, Adeus Mr. Chips). Mas todo o elenco está excelente, com destaque para as inesquecíveis performances de Alec Guinness (Prince Feisal) e Anthony Quinn (Auda Abu Tayi) e também sendo memoráveis as atuações de Omar Sharif (Sherif Ali), Jack Hawkins (General Allenby) e Claude Rains (Mr. Dryden). Com imagens vastas e maravilhosas em Superpanavision 70, com impressionante colorido – como a luz dos olhos do protagonista, iluminados com sua personalidade e seus ideais -, romanceia fatos da vida real e que exibem parte importante da história, na época da 1ª Guerra Mundial, envolvendo as tribos árabes no início autônomas, sua liderança, os inimigos turcos e as estratégias das batalhas no deserto, inclusive sob o comando do rei Faisal. A participação de Thomas Edward Lawrence nos fatos acabou fazendo com que ele ficasse mundialmente conhecido como Lawrence da Arábia, após a cobertura e divulgação dos eventos pela imprensa (aquí representada pelo ótimo Arthur Kennedy, no papel do correspondente de guerra Jackson Bentley). T.E. Lawrence era oficial do exército britânico, diplomata, arqueólogo e escritor (Os sete pilares da sabedoria) e o filme explora muito bem suas viagens emocionais, além da lealdade dividida entre o ideal dos povos árabes e o império inglês. Trata-se de um filme de fôlego, com quase quatro horas de duração e que foi indicado a 10 Oscar, tendo ganho 7: os de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Montagem (edição), Melhor Mixagem Sonora, Melhor Direção de Arte em Cores, Melhor Fotografia em Cores e Melhor Trilha Sonora. Aliás, esta foi a primeira parceria ganhadora de Oscar do músico-maestro Maurice Jarre com David Lean, sendo as outras duas “oscarizadas” as dos filmes Dr. Jivago e Passagem para a Índia. Outras trilhas famosas de Jarre: as de O homem que queria ser rei, A testemunha (onde inovou com o uso de sintetizadores), A montanha dos gorilas e Ghost (entre várias outras). Observação: Peter O´Toole perdeu o Oscar e o Globo de Ouro de Melhor Ator para Gregory Peck, pelo filme O sol é para todos. Entretanto, entre outros prêmios, este filme ganhou o Globo de Ouro como Melhor filme-drama, Melhor diretor, Melhor ator coadjuvante (Omar Sharif) e Melhor fotografia e o Bafta (Oscar britânico) nas seguintes categorias: Melhor filme, Melhor filme britânico, Melhor ator britânico (Peter O´toole) e Melhor roteiro britânico. O filme impressiona pela beleza, pela pujança das cenas, principalmente nos desertos (com camelos, figurinos etc), pela trilha, pelas interpretações e pelo fato de terem nele trabalhado mais de 1000 pessoas. Contudo, exige um certo conhecimento e um atento acompanhamento dos fatos, notadamente sob o ponto de vista político e considerada a relativa complexidade da trama e dos personagens principais, o que faz com que às vezes o roteiro fique mais difícil de compreender ou obscuro parcialmente (ainda mais por ser longa metragem). Seja por ser complexo o personagem principal, seja por ser denso o roteiro, ou pela própria metragem do filme…seja como for, em suma, trata-se de uma grande obra da história do cinema, por tudo o que se vê (e que deslumbra) e por tudo o que representa. O Lawrence da vida real faleceu aos 46 anos, em 19 de maio de 1935, após sofrer um acidente de motocicleta na Inglaterra (cena no início do filme). 9,3

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