A ODISSEIA (THE ODYSSEY)
- Este é um épico do grande diretor Christopher Nolan, inteiramente gravado em IMAX, portanto com imagem e som esplêndidos, inspirado no livro baseado nos cânticos de Homero, poeta épico da Grécia antiga, que nem se sabe se realmente existiu e que teria vivido cerca de 1000 anos antes de Cristo. Portanto, não há que se discutir a liberdade de criação e invenção (para um público contemporâneo) de Nolan, diretor que já deu ao cinema filmaços como “Batman o cavaleiro das trevas”, “A origem”, “Interestelar”, “Dunkirk” e “Oppenheimer”. Trata-se de uma grandiosa obra cinematográfica, forte trilha sonora, produção impecável e que apresenta quase todos os grandes momentos presentes nas adaptações anteriores das desventuras de Ulisses (Odisseu). Todo o elenco no geral está bem, a meu ver havendo dois destaques que são Anne Hathaway (Penélope) e Jon Bernthal (Menelau) – que bem poderia estar no papel de Odisseu – e dois personagens que não me convenceram: não gostei da interpretação de Tom Holland como Telêmaco e efetivamente não me agradou – exceto na parte final do filme – ver Matt Damon como Odisseu: em muitas cenas fica devendo em muito o vigor de um rei no comando de sua tripulação e nas próprias ações envolvendo perigo. Também não gostei nada da concepção do ogro/ciclope da caverna (o gigante de um olho só, na verdade Polifemo, filho de Poseidon, que está caracterizado de forma ridícula, ou no mínimo estranha) e muito pouco apreciei as figuras da feiticeira Circe (que de poderosa aparência e suntuosa moradia, apareceu no filme completamente diferente) e da ninfa Calipso (sem a sedução e o capricho que a lenda conta, embora interpretada pela Charlize Theron). Achei as armaduras dos gigantes totalmente fora de contexto e não gostei de vários momentos sem uma sequência mais elaborada e de outros que são fundamentais na história (aqui seria “estória”) mas que foram minimizados e ficaram mancos de detalhes: como a permanência de Ulisses na ilha da ninfa Calypso. Em compensação, a parte final do filme – até por não poder fugir da apoteose da própria obra – é extremamente empolgante e emocionante. Emoção que faltou em muitos dos momentos anteriores, sendo esse talvez o maior defeito do filme e que compensaria todos os demais: faltam cenas de empatia com o espectador; mesmo as que envolvem colossais perigos parecem produzidas com alguma pressa ou com finalidades outras, que não a de produzir tensão e emoções. Mesmo assim, pela grandiosidade das cenas e das imagens e som, a duração de quase três horas do filme não aparece como um ponto negativo. E apesar dos elementos depreciados, trata-se de mitologia e esse gênero de filme, com ação, aventuras e muitas lutas e fantasia, é sempre bem-vindo, até porque presente na memória afetiva de muita gente. 8,5
