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A GRANDE BELEZA

A-Grande-BelezaBonitas imagens de cenas aparentemente desvinculadas iniciam o filme, que parece até um documentário, mas que ao final revelará uma majestade ao nível do letreiro de seu título, que no início aparece com destaque no horizonte. O excelente ator Toni Servillo faz o personagem central: um escritor sofisticado, charmoso e elegante, que participa ativamente das festas contemporâneas, onde observa o vazio da decadência dos costumes de uma geração sem perspectivas aparentes, na qual ele está inserido sem aparentemente ver uma saída, embora critique a futilidade à sua volta, conjeturando buscar algo que nem ele mesmo parece saber o que é. Este é um filme novo, criativo, inteligente, muito bem acabado em todos os sentidos (inclusive musicalmente) e visualmente belo. Mas não é para todos os gostos, talvez chocando, talvez desgostando parte do público. É dos chamados, legitimamente, um filme de arte e daqueles difíceis até de comentar, pela riqueza que apresenta, de significados. O personagem, um Mastroianni moderno (impossível não lembrar de Fellini por muita coisa no filme), é um escritor maduro e que mesmo com a segurança dos 65 anos se tornou prisioneiro da fauna social paradoxalmente rodeada pela Arte. Diz ele, em meio à mundanidade que sempre buscou e que agora o sufoca, com inteligente ironia: eu com 65 anos já não tenho mais tempo a perder com coisas que não quero fazer. O filme tem momentos visuais marcantes (as estátuas e os quadros revelando-se no passeio noturno, o voo dos flamingos, por exemplo…) e algumas cenas filosoficamente muito significativas, como a da festa onde se dá o embate entre uma arrogante convidada e Gep Gambardella (o personagem de Toni), que após deixar extremamente constrangida a interlocutora (por revelar implacavelmente sua intimidade, embora parecendo apenas divertir-se), finalizou assim o seu pensamento: Estamos todos à beira do desespero. Tudo o que podemos fazer é nos olhar no rosto, nos fazer companhia, contar uma piada às vezes... Produção italiana (co-francesa) de 2013, ganhou o Globo de Ouro e concorre ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, sendo o meu palpite para vencer, pois é uma obra muito original e com alcance universal.  9,0

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