UM CONVIDADO BEM TRAPALHÃO (THE PARTY)
O ator britânico Peter Sellers, falecido em 1980, foi um dos grandes comediantes do cinema, com brilho especial nas décadas 60 e 70. Embora tenha ficado conhecido como o inspetor Jacques Clouseau, nos seis filmes da Pantera cor-de-rosa (de 1963 a 1978, sendo seis deles com “pantera cor-de-rosa” no título e o outro “Um tiro no escuro” de 1964), Sellers teve uma expressiva cinematografia, que incluiu filmes como “Dr. Fantástico”, “Lolita” e o inesquecível “Muito além do jardim” (o mais incisivo e filosófico em que atuou). Esta comédia, repleta de inocência e datada de 1968 – e cujo nome original traduzido seria “A festa” -, apresenta o ator em grande forma no papel de um indiano (ficou, aliás, um indiano perfeito!) e tem vários momentos de grande criatividade e que nos fazem sorrir em alguns e em outros chegar às gargalhadas. As situações cômicas são inteligentes e com aquela espontaneadade do riso fácil, razões de o filme permanecer atraente, interessante e até hoje, quase sessenta anos depois de seu lançamento, provocar muitos risos e propiciar grande divertimento a todas as idades. Situações rotineiras rendem piadas ótimas e o humor tem várias frentes, principalmente ao destacar cenas do cotidiano, que assumem aqui seu lado mais bizarro ou engraçado. O roteiro é muito bem bolado, desde sua primeira cena, que mistura graça e pastelão e temos também a participação especial da cantora francesa (naturalizada norte-americana) Claudine Longet, que fazia grande sucesso na época. O diretor é Blake Edwards, o mesmo que dirigiu toda a série da “Pantera cor-de-rosa”, além de várias dezenas de comédias, como “Bonequinha de luxo”, “A corrida do século”, “Victor ou Victória” e “Mulher nota 10”. 9,1
