JUSTIÇA ARTIFICIAL (MERCY – 2026)
Com o norte-americano Chris Pratt (o Andy de “Parks & Recreation”) e a sueca Rebecca Ferguson (“Missão impossível”), este filme tem vários pontos positivos: uma dinâmica impressionante ao utilizar todos os elementos do atual mundo tecnológico a favor de um enredo muito interessante e original, no qual um tribunal presidido por inteligência artificial julga rapidamente crimes contra a vida, dispondo de modo praticamente instantâneo de todos os fatos e provas possíveis, gravados em câmeras, celulares, nuvem, enfim, o extremo do “olho que tudo vê” a serviço da lei; o ritmo vertiginoso, com muita tensão e suspense no curso dos acontecimentos; a história sendo construída, com dinamismo, também em torno da atuação da juíza interpretada por Rebecca Ferguson (como AI). Mas tem também alguns aspectos negativos, como ser meio forçado ao tentar demonstrar a AI hesitante diante de situações emocionais, ser inverossímil quanto à velocidade dos acontecimentos e a interação de falas e raciocínio e, por fim, banalizar no final – coisa bem típica americana -, com a lição de moral e a ridícula proposta de humanizar o que não pode ser sensibilizado: o filme de ação em que se transforma a parte final é banal e cai no lugar comum, perdendo boa parte de seu brilho e mantendo o interesse apenas pela adrenalina. Entretanto, no fim tem uma surpresa interessante, de modo que, pelo contexto todo, não deixa de ser uma razoável diversão. 8,2
