CORTA-FOGO (CORTAFUEGO – 2026)
Dirigido por David Victori – que também é co-roteirista deste filme – e com afinado elenco, este drama com suspense espanhol trata de um tema já conhecido e muito atual: incêndios florestais ameaçadores. Pois embora existam as áreas desmatadas e sem árvores (as áreas “corta-fogo”), as condições do fogo, do vento e do próprio ambiente (vegetação) tornam tudo imprevisível, de modo que repentinamente um fogo que parece controlado pode se alastrar de forma violenta e imprevisível. Esse é um dos focos de tensão do filme. Mas em meio a esse panorama existem outros fatos que ocorrem com os membros de um encontro familiar e que amplia os pontos de emoção. Cria-se a partir de dois fatos que se sucedem no tempo um clima tenso e de grande impacto psicológico (pode-se até dizer que o filme é um thriller psicológico), com nuances crescentes e até de violência, que tornam tudo ao mesmo tempo imprevisível e fascinante em torno do mistério criado e pelos desdobramentos inesperados. Há situações morais em destaque, limites testados dos seres humanos e o filme acaba capturando o espectador do início ao fim. É certo que existem alguns momentos em que tudo parece meio banal, coisa já vista, outros em que o roteiro soa exagerado, mas há também argumentos interessantes e cenas de ótimo nível cinematográfico, sendo o principal feito do filme o de levantar sérias dúvidas quanto ao comportamento de um dos personagens e que vai mudar a direção das ações e tornar tudo mais palpitante. Desse modo, embora algumas idas e vindas qualitativas, prevalece o bom entretenimento, inclusive pelo tom até meio enigmático do desfecho, sendo fato que este filme tem sido atualmente um dos grandes sucessos mundiais da Netflix. 8,4
