PROIBIDO ! (VERBOTEN ! – 1959)
Um filme que começa mais ou menos como algo comum – embora a fotografia e os detalhes de produção já assumam um especial destaque -, mas que vai se desenvolvendo e assumindo caminhos inesperados, ficando de fato interessante e surpreendente – principalmente considerando a época em que foi feito -, ao tratar de questões da segunda guerra, mas na Alemanha, na véspera do final da guerra e durante a ocupação americana: o tema, então, passa a ser tanto os americanos vencedores da guerra, quanto os alemães na Berlim ocupada e devastada. O filme foca nos próprios americanos, inclusive como supostos “algozes” dos alemães sobreviventes na formação de um novo país, ditando as regras em meio às ruínas e à escassez (principalmente de comida e medicamentos) e, por outro lado, nos alemães do povo e nos integrantes de uma resistência que não aceitava “estranhos” reorganizando seu país, alguns de certa forma ainda acalentando parte do sonho de Hitler. E o roteiro (que não vai a grandes profundidades, mas ao limite suficiente) aborda também o envolvimento de soldados americanos com mulheres alemães, em tese interesseiras, diante da óbvia necessidade de segurança e sobrevivência. E então tudo culmina no julgamento de Nuremberg e vemos, com emoção, muitas cenas reais do Holocausto: é quando o drama se torna visceral ao expor os atos desumanos, crueis e abomináveis contra a humanidade e o ódio primordialmente dirigido ao povo judeu. Tudo que orbita essas temáticas se encontra suficientemente bem harmonizado, em um drama escrito e bem construído e desenvolvido pelo diretor americano Samuel Fuller (Agonia e glória, Cão branco), menos de duas décadas após o final da Segunda Guerra Mundial. O elenco é também competente, principalmente Susan Cummings, com destaque para James Best, principalmente na segunda metade da história. E a gente acaba se perguntando como realmente se poderia na época conceber tanta loucura, tanta maldade, ou seja, imaginar todas as faces do genocídio! Pois parte do povo alemão tomou conhecimento de tudo, de forma incrédula, apenas posteriormente, por meio do que foi documentado. Muitos sendo forçados a absorver – muitas vezes definitivamente – uma culpa tão pesada, quanto discutível e indissolúvel. Imagens fortes e tristeza que aquí se tornam cicatriz. 9,0
