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LUZES DA CIDADE

Esta é uma obra-prima do Cinema e Charles Chaplin foi um dos seus maiores gênios. Não só pelos filmes que fez, mas pelo seu talento múltiplo, acumulando as mais diversas funções no que produziu: atuando, dirigindo, roteirizando, editando e ainda compondo as músicas da trilha sonora (belíssimas, como as do presente filme e também as célebres Smile e Luzes da ribalta, por exemplo). E incrivelmente foi “esnobado” por Hollywood quanto aos Oscars que deixou de ganhar, além de ter ficado afastado involuntariamente dos EUA pela acusação de comunista. Mesmo assim, seu reconhecimento artístico acabou sendo mundial e permanente e recebeu já velho um prêmio por sua obra, ocasião em que o Oscar presenciou uma das maiores ovações de sua história. E em 1975 recebeu da Rainha Elizabeth II o título de Sir. Antes deste filme, Chaplin já havia feito dezenas e dezenas de outros, a maioria curta-metragens e foi em 1915 que introduziu o personagem Carlitos (no filme O vagabundo), que acabou ficando famoso e do qual ele não quis se separar neste filme, mesmo já na era do cinema falado: seria realmente o fim do personagem. Mas mesmo em 1931, quando foi feito City Lights, ainda o cinema mudo de Chaplin produzia efeitos maravilhosos, enaltecendo o poder maravilhoso da figura engraçada, peculiar mas humana do vagabundo de bengala, chapéu côco e bigodinho, que tanto provoca muitos risos, como reflexões e emoções. De fato, é um personagem extraordinário, carismático e sem dúvidas deve ter sido dolorosa a separação (quando não houve mais lugar para o cinema não-falado). No tempo do nascimento de Carlitos inclusive foi que Chaplin fundou sua própria produtora, junto com Mary Pickford, Douglas Fairbanks e D.W. Griffith: a United Artists. E ao longo de sua carreira, destacou-se por grandes e inesquecíveis obras, tais como O Vagabundo (2015), O Garoto (1919), Em Busca do Ouro (1925). O Circo (1928), Luzes da Cidade (1931), Tempos Modernos (1936), O Grande Ditador (1940), Monsieur Verdoux (1947), Luzes da ribalta (1952), Um rei em Nova Iorque (1957) e A condessa de Hong Kong (1967). Mas este talvez seja o filme mais perfeito que Chaplin realizou, em todos os sentidos, sendo inclusive o favorito de muitos, incluindo Orson Welles. E é de fato um filme extraordinário, em todos os seus detalhes, no desenvolvimento, no ritmo, nos momentos cômicos, nos instantes sentimentais, na trilha sonora, na música que emociona nos momentos certos. E também em diversas cenas, algumas antológicas, começando pela da inauguração da estátua, passando pelas do baile (uma dinâmica difícil de explicar), do limpador de rua olhando com espanto um elefante passar (e pensando no trabalho que teria), pelas fabulosas cenas do boxe (desde a desistência do “amigo combinado”), havendo no filme ainda uma criação/situação absolutamente impagável: a do homem que só reconhece o amigo quando está bêbado! E todo um manancial de talento e criatividade deságua, em seu final, em uma das mais belas cenas do cinema, com a participação da ótima atriz Virgínia Cherryl! Sendo também importante destacar que o roteiro do filme não se resume à inocência das pantomimas, pois está o tempo todo presente e marcante a crítica social, a exposição dos abismos de classes e da sociedade elitista e soberba. Uma curiosidade: na estreia, Albert Einstein assistiu ao filme junto com Chaplin. Enfim, um filme atemporal, atual após quase 100 anos de sua realização e que deve ser tido como de visão obrigatória por todos, das mais variadas idades, credos e raças, pois sua mensagem é imediatamente reconhecida como irresistivelmente universal. 10,0