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A GRANDE APOSTA (THE BIG SHORT)

The_Big_Short_teaser_posterEste é um filme inteligente, dinâmico, original e muito bem feito (direção, trilha sonora, edição, elenco harmonioso…). Mas o assunto é espinhoso. Porque enfoca o mercado financeiro americano e além de os personagens se moverem em torno de atos difíceis de compreender à primeira vista, os termos utilizados são um enigma para os leigos. Então, apesar do ritmo, o filme pode ser uma chatice para alguns, inclusive porque os diálogos são rápidos. Talvez grande parte do público não o aprecie. Vemos expressões como “bônus de empréstimos”, “subprime ajustável”, “CDOs” etc, sem que de imediato tenhamos o significado, para a perfeita compreensão. Algumas delas são explicadas pelos próprios personagens (inclusive pelo recurso de o personagem se dirigir diretamente ao espectador), outras aparecem escritas na tela, mas nem todas ficam bem claras. Contudo, para quem entende do assunto ou se aventura de peito aberto, o resultado vale a pena, porque o roteiro é muito bom, baseado em fatos reais de uma complexa crise imobiliária que ocorreu nos Estados Unidos e por esse motivo o filme não tem realmente muitos caminhos para ser mais simples: entretanto, há mérito na maneira didática pela qual os fatos são mostrados e esclarecidos, inclusive com muitas referências culturais e recursos de analogia (os jogadores na mesa do cassino explicando as CDOs sintéticas, com o exemplo de apostas e apostas paralelas, nos próprios apostadores…). Na verdade, o escândalo envolveu Bancos, financiamentos imobiliários, seguradoras, operações colaterais (venda de ativos dados em garantia) e as decorrências de investimentos em massa no prejuízo, ou seja, no aumento da dívida hipotecária, em palavras de um personagem: apostar contra a economia americana, o que significa que se a aposta for ganha, isso fará com que pessoas percam casas, empregos, haja um colapso na previdência, nas aposentadorias, pensões…O drama, com muitos momentos de tensão – inclusive porque o mercado não reage quando a inadimplência se acentua, gerando desconfiança nos investidores – é engrandecido pelas atuações naturais de Christian Bale (exótico), Steve Carell, Ryan Gosling, Brad Pitt e outros, com direção de Adam McKay (O homem formiga), concorrendo a 5 Oscar: Filme, Diretor, Ator coadjuvante, Roteiro adaptado e Edição. Na minha opinião, tem chance nos dois últimos, principalmente roteiro adaptado. Mas pela qualidade do filme e importância do assunto (inclusive a denúncia no final), não me espantaria muito se desse zebra e acabasse até mesmo ganhando o Oscar (passando O regresso para trás).  8,0

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