MEMÓRIA DE UM ASSASSINO (MEMOIR OF A MURDERER – 2017)
Este é um policial coreano diferente de tudo a que estamos acostumados dentro do gênero. O cinema da Coreia do Sul consegue ser ao mesmo tempo explosivo e tocante, mesclando cenas de violência com outras repletas de ternura e que nos comovem; preservando o realismo e o perfeccionismo da ação, embora seja característica oriental o certo exagero em algumas situações. Mas esta história efetivamente nos prende do começo ao fim, tratando de um tema bem interessante e que só recentemente foi mais explorado: o do assassino com sintomas de Alzheimer (não é spoiler porque esse fato é revelado desde o início). E isso é a base de tudo, inclusive da agonia do próprio personagem, extremamente bem interpretado e obviamente inconstante nas suas idas e vindas e tentativas de manter a lucidez e também acesa sua memória. O filme funciona bem pelo dinamismo, pela carga dramática e pelas performances vigorosas, apresentando algumas cenas marcantes, notadamente na sua sensacional parte final (a coreografia da luta é invejável), mas peca um pouco por cenas excedentes ou desnecessárias e pela falta de algumas conexões, inclusive lógicas. De todo modo, o que prevalece é a qualidade muito acima da média e é mais um ótimo exemplo do movimentado cinema policial coreano atual. Este filme não deve ser confundido com outro de mesmo gênero, também coreano e com o nome bem parecido, mas de 2003: “Memories of murder”, traduzido como “Memórias de um assassino”, quando esse título soa totalmente contraditório com o filme, que foca em assassinatos e só desvenda o assassino no final (coisas dos nossos competentes tradutores…): detalhe a considerar é que o filme de 2003, apesar de alguns senões comentados na resenha específica, é tido em alta conta pela crítica, sua produção e direção são superlativas e é considerado um clássico policial da Coreia do Sul de todos os tempos. 8,7
