O DIA DO CHACAL (THE DAY OF THE JACKAL – 1973)
A primeira e mais harmoniosa adaptação do romance de mesmo nome, do escritor inglês Frederick Forsyth (escrito em 1971 e seu primeiro best seller), co-produzida pela França e Reino Unido. Desde o início do filme ficamos sabendo que em certo período de 1963 o Presidente da França Charles de Gaulle causou severo descontentamento na extrema direita, ao apoiar efetivamente a independência da Argélia, sendo considerado um traidor da França e levando os radicais (o grupo terrorista OAS – Organisation armée secrète ) a atentar inexitosamente contra a sua vida e finalmente a contratar os serviços de um assassino profissional. A partir daí, temos um filme muitíssimo bem estruturado e conduzido, que enfoca não apenas no astuto e experiente matador profissional e seus elaborados métodos, mas também no lado oposto: na organização do governo e da polícia (juntamente com todo o aparato ao alcance, como Scotland Yard, Interpol etc) ao encalce do assassino de rosto e passado totalmente desconhecidos. E assim presenciamos um interessantíssimo jogo de “gato e rato”, que coloca o espectador não apenas contemplando os fatos, mas envolvido e até fazendo torcida (também para o assassino não ser pego de imediato…Freud explica). Com excelente e dinâmica edição (ponto crucial do filme), o suspense se mantém até o final, com os fatos se sucedendo e parecendo totalmente imprevisíveis. O Chacal é interpretado por Edward Fox e seu principal “caçador”, o Comissário Claude Lebel, por Michael Lonsdale. A direção é do consagrado Fred Zinnemann (Julia, A um passo da eternidade, Matar ou morrer) e houve um remake em 1997 (com Bruce Willis e Richard Gere), além de várias adaptações para a televisão, inclusive a ótima série estrelada por Eddie Redmayne, de 2024. O filme é tido como um dos melhores suspenses políticos da história e ganhou o Bafta (Oscar britânico) de Melhor Edição, sendo também indicado ao Oscar nessa mesma categoria, além de outros vários prêmios e indicações. Curiosidade: a sequência final foi feita durante as solenidades e comemorações reais em Paris e o fato gerou bastante confusão com o público, que desconhecia que havia um filme sendo feito e inclusive não apenas confundiu atores com policiais de verdade, como o ator que interpretava o De Gaulle foi tido por alguns como a reencarnação do presidente (falecido dois anos antes da produção do filme !). 9,2
