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WINTER SLEEP

WinterSleepEste filme turco (co-produção França e Alemanha) ganhou a Palma de Ouro em Cannes 2014 (67ª edição). Isso significa que se trata de uma obra de qualidade. Mas não quer absolutamente dizer que, automaticamente, todos vão gostar dele. Porque Cannes é um festival totalmente desvinculado de filmes comerciais, premiando propostas inovadoras, corajosas ou mesmo conservadores porém com conteúdo. Pode-se dizer que Cannes reconhece os “filmes de arte”, como se diz. Nos últimos três anos, por exemplo, foram premiados “Árvore da vida”, Amor” e “Azul é a cor mais quente” (respectivamente em 201, 2012 e 2011), filmes no mínimo polêmicos. Portanto, o mais comum é “gostar muito” ou “detestar” os laureados…E Winter sleep não é uma exceção, exigindo que o espectador esqueça totalmente os padrões do cinema americano e procure identificar e se deixar levar por outros tipos de valores e enfoque. O filme é lento e se passa na Anatólia em época de frio, em hotel próximo a algumas aldeias com o estilo típico da famosa Capadócia: formações geológicas extremamente peculiares (moradias encravadas nas rochas ou em grutas), vegetação escassa e ausência de recursos. Ali existe honra, tradição e cheiro de história, mas a vida moderna (televisão, computador…) parece contrastar com o despojamento do lugar e das pessoas. Essa impressão inicial logo vai se desfazer quanto às pessoas e é justamente nos dramas humanos que se concentra o foco e onde reside o ponto vital da história e sua densidade. E o forte aroma da vida real não dá muito espaço para fantasias e pouco a pouco vamos degustando o filme e sendo envolvidos no enredo, vendo surgir das relações aparentemente pacíficas pura filosofia, pela qual mesmo nas entrelinhas e en passant são tratados grandes temas da humanidade (o Mal, a religião, a evolução dos costumes e dos direitos femininos, a honra etc.): nos deparamos, então, com o verdadeiro sabor por trás das aparências. A força do filme é sua humanidade, paralelamente à sua intelectualidade. Além de obviamente fluir da excelente direção e da magistral interpretação, fatos corriqueiros nesse tipo de obra, onde parecemos ser meros espectadores da vida real que desfila diante de nossos olhos. E a conclusão, afinal, é de que a aridez que percebemos no início somente se limita à paisagem.  8,6

 

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