O SHOW DE TRUMAN (THE TRUMAN SHOW – 1998)

Este filme de 1998, visto agora (quase trinta anos depois), confirma tanto sua qualidade (já que permanece com sua mensagem eloquente e foi extremamente bem concebido e desenvolvido), como seu caráter de prever o futuro que hoje está aí diante dos olhos de todos: o voyeurismo dos “reality shows”, a exposição, absorção e alienação das redes sociais e assim por diante. O roteiro explora questões filosófico-existenciais, discute temas éticos essenciais e sua fonte data de 1988/1989, de um episódio da série “Além da imaginação”. É uma crítica satírica e pungente à mídia e à própria sociedade, antecipando um futuro imprevisível mas sombrio e tudo vai sendo delineado aos poucos, envolvendo cada vez mais o espectador, além de ricamente permitir diversas concepções e analogias. Com bela concepção artística e trilha sonora, é conduzido pelas competentes mãos de Peter Weir, que, entre outras obras, dirigiu “A sociedade dos poetas mortos”, “A testemunha”, “A costa do mosquito”, “Gallipoli” e “O ano em que vivemos em perigo”. O protagonista é Jim Carrey, que aquí comprova seu talento e feeling dramáticos, embora predomine aquele seu lado de “careteiro”, o qual neste caso sintoniza perfeitamente com o lado cômico-satírico da história. Também no elenco – e todos excelentes – Laura Linney, Ed Harris (indicado ao Oscar), Natascha McElhone e Noah Emmeric. Embora não tenha ganho nenhum Oscar, o filme, dentre alguns prêmios, foi vencedor do Globo de Ouro nas categorias de Ator em Drama (Carrey), Ator coadjuvante (Harris) e Trilha sonora e do Bafta (Oscar britânico) nas de Direção e Design de produção. Realmente algo original, impactante e atemporal. 9,4

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