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MAGNÓLIA

MagnoliaEste é um filme complexo e rico em detalhes e conexões, que somente podem ser totalmente percebidos se reapreciados. Por esse motivo, esse inusitado filme do excelente diretor e roteirista Paul Thomas Anderson parece melhor a cada revisão. Porque não é fácil sua perfeita compreensão, já que envolve sutilezas e inúmeros personagens, cujos dramas, vidas e destino parecem desconectados a princípio, às vezes se entrelaçando inesperadamente. A “introdução” do filme já chama a atenção para cenas quase inacreditáveis, mas que pertencem à realidade: tudo para dizer que a vida é repleta de coincidências, estranhezas, bizarrices e que são reais embora pareçam fantasia. Na verdade, as “estranhezas” são principalmente o que ocorre por trás da aparência de normalidade dos seres humanos, cada qual com seu peso e com seus segredos. O que gera a perplexidade inicial no filme é seu desenvolvimento aparentemente sem um fio condutor, com os personagens enfrentando seus dilemas sem a devida vinculação uns com os outros. Mas à medida em que o filme avança, os mistérios vão sendo desvendados, assim como as conexões. As situações vão ficando cada vez mais tensas – ao embalo da excelente trilha sonora, inclusive indicada ao Oscar e que em alguns momentos parece não combinar com as cenas, gerando mais angústia ainda – e tangenciando limites. Cada personagem carrega suas culpas, fato acentuado pela repetida frase “nós passamos pelo passado, mas o passado muitas vezes não passa por nós”. E é perturbador o que vai sendo revelado, envolvendo homossexualismo reprimido, pedofilia, drogas, adultério…E se tudo estava estranho, vem ainda uma imprevisível chuva, símbolo provável de castigo e redenção. O elenco é soberbo, sendo surpreendentemente talvez a “menos forte” Julianne Moore, normalmente estupenda atriz. Não que se saia mal, porém outros se destacam muito mais, notadamente Tom Cruise – em desempenho memorável, tendo sido indicado ao Oscar e ganho o Globo de Ouro, como ator coadjuvante -, John C. Reilly, Melora Walters e Philip Seymour Hoffman. Mas tem mais qualidade ainda: Jason Robards, William H. Macy, Alfred Molina, Philip Baker Hall, entre outros. A produção é americana, de 1999 (imagine-se o impacto à época!) e tem mais de três horas de duração, o que certamente – junto com a temática densa e complicada – vai desencorajar muita gente. Mas no fim valerá a pena só pelo simples fato de ser um filme absolutamente original e em momento algum conspirar contra a nossa inteligência, muito ao contrário, exigindo-a permanentemente, em conjunto com alguma percepção e sensibilidade, valores que não faltaram ao diretor e roteirista desta marcante e impressionante obra.  9,0

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