UM HOMEM DE SORTE (LYKKE–PER)

Um drama de época dinamarquês (ambientado no final do século 19), passado principalmente em Copenhague e que tem quase três horas de duração, porque na realidade foi concebido para ser uma minissérie. Seu defeito – se cabível apontá-lo – é o mesmo das minisséries adaptadas para filme: partes lentas e partes apressadas, prejudicando a continuidade. Não confundir com o filme americano de 2012 de mesmo nome (em português, obviamente), baseado em livro de Nicholas Sparks (autor também das obras que geraram os filmes “Uma carta de amor” e “Diário de uma paixão”). Este filme de 2018 se baseou no romance “Lykke-Per” de Henrik Pontoppidan, premiado com o Nobel de Literatura de 1917, pelo realismo de sua escrita (incluindo esse livro) sobre a Dinamarca da época, o progresso e a herança social: pelo que consta, baseou-se na vida dele mesmo, embora seja uma ficção criativa. De se notar que o fato de o filme ser dinamarquês nos faz escapar do cunho melodramático que teria se fosse, por exemplo, uma produção americana. Assim, caminha para um realismo muito mais interessante e digerível, inclusive na sua parte final. É um filme repleto de emoções, mas com toda a verossimilhança possível e caminhos variados no seu enredo que mistura amor, paixão, ambição, entre outros ingredientes. O diretor é o dinamarquês Billie August, de “Pelle o conquistador” e “A casa dos espíritos”, entre muitos outros, que conduz o filme permitindo que os personagens exponham suas emoções. Bem dirigido e bem interpretado, traz também a virtude do imprevisível: a 10 minutos de seu final não conseguimos antecipar os fatos que virão. Frase relevante extraída do filme: “Nós somos algozes de nós mesmos”. Netflix. 8,9