O LABIRINTO DO FAUNO (EL LABERINTO DEL FAUNO – 2006)

Estamos diante de uma obra extremamente original e daquelas que após o seu término nos deixa minutos ou horas com várias sensações perturbadoras, incluindo a de melancolia. Tudo por conta do que acabamos de ver, mas também da maravilhosa música que embala os créditos finais. O ano é 1944, quando já há vários anos a Guerra Civil Espanhola havia sido vencida pelos nacionalistas – comandados pelo general Francisco Franco (e apoiados pela Alemanha nazista e a Itália fascista) -, mas ainda havia focos de resistência por parte dos republicanos. Ocorre que a esse tema, abordado em primeiro plano pelo roteiro, corre paralelamente outro e que possui um lirismo mágico e ao mesmo tempo bizarro e sombrio: o da menina Ofélia, maravilhosamente interpretada por Ivana Baquero, na época com 11 anos, e que transita tanto pelo mundo da opressão da ditadura Franquista (da angústia, da guerra, da dor, da tortura e da violência), como pelo do escape dessa realidade (e o modo de ser transgredido), junto a fadas e a seres mostruosos, especialmente o mitológico que dá nome ao filme, vivido por Doug Jones (que também interpreta o assustador Homem Pálido): o seu mundo fantasioso. Ainda se destacam no elenco Sergi López, como o oficial falangista capitão Vidal, Ariadna Gil, como Carmen, a mãe de Ofélia, Maribel Verdú, como caseira de Vidal e Álex Angulo, como o médico. O filme tem cenas fortes e seu final é imprevisível, como um conto de fadas soturno, meio gótico, repleto de fatos impactantes e que deixam o espectador simplesmente hipnotizado. O mexicano Guillermo Del Toro, com muitos filmes de sucesso e vencedores de prêmios, como “Hellboy”, “A forma da água” e recentemente “Frankestein”, provavelmente escreveu, produziu e conduziu aquí a sua obra-prima: o seu filme mais criativo e impressionante. Co-produzido por México, Espanha e Estados Unidos, este filme teve várias indicações a prêmios e ganhou vários deles, inclusive o Oscar de Melhor maquiagem, fotografia (ambas soberbas) e Melhor direção de arte; entretanto perdeu o de Melhor filme estrangeiro para o alemão “A vida dos outros”, também excelente. Uma fábula que extrapola o próprio gênero, mesclando o real e o imaginário e desconstituindo barreiras entre ambos e com isso criando algo efetivamente memorável na história do cinema. 9,5

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