O BOM VIZINHO (THE GOOD NEIGHBOR – 2022)

Importante, em primeiro lugar: quem conseguir ficar longe das sinopses, só terá a lucrar e um ganho considerável em termos de mistério, suspense e emoção. Pois aquí o bom mesmo é não se saber nada do enredo deste thriller dramático que ostenta um título que, afinal, acaba se revelando o ideal, pois além de misterioso, pode tanto dizer muito, como dizer pouco, dependendo do enfoque. Porém o fato é que se trata de um filme que traz muitas surpresas e muitos poderão declarar que isso decorre de não ser nada daquilo do que a princípio sugere seu nome e sua propaganda: nesse sentido, é muito melhor. O roteiro é interessante, bem elaborado e desenvolvido com a direção segura do alemão Stephan Rick e tudo emoldurado por uma ótima trilha sonora. Uma história envolvente, instigante, repleta de situações de mistério e suspense e o epílogo acaba ficando totalmente imprevisível, o que situa o espectador com os olhos permanentemente na tela. A composição dos dois protagonistas masculinos é excelente: em um deles o sentimento que prevalece acaba perdurando e sendo intensificado ou revivido a cada cena, dando credibilidade (e peso) ao personagem; no outro, da mesma forma, o lado escuro não se torna um clichê, mas algo repleto de facetas e alternativas, que somente com o tempo vão se revelar amplamente. Belas performances do americano Luke Kleintank e do irlandês Jonathan Rhys Meyers, principalmente deste último, cujo personagem é bem mais intenso e complexo. Também se destacam no elenco o veterano ator americano Bruce Davidson e a atriz britânica Eloise Smyth. A verdade é que se trata de um suspense dramático de qualidade muito acima da média e que se caísse em mãos erradas (na direção e quanto a um elenco de menor performance) com certeza viraria uma porção de estereótipos. Mas isso não ocorre e se há incongruências no roteiro, acontecem apenas na parte final e desaparecem diante de um contexto maior e qualitativo. O desfecho do filme coloca o destino dos principais personagens em um tênue fio, que poderá se manter ou se partir, conforme o destino de outra personagem. Questão de segundos, de destino, de sabe-se-lá-o-quê, tudo fica por um sopro. E embora se possa pensar em outras alternativas para o final, o “the end” é precedido por cenas de grande beleza plástica e significado, dando coerência a tudo e qualificando um trabalho realmente merecedor de elogios. 9,0

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