E.T. O EXTRATERRESTRE (E.T. THE EXTRATERRESTRIAL)

Realmente impressionante o impacto que este filme de 1982 ainda causa nos dias de hoje, em 2026! Isso mostra a sua grandeza e mais: perpetua a sua força e essência, como uma das obras mais marcantes do cinema de todos os tempos. E o filme é realmente uma obra-prima, magnífico em todos os sentidos, principalmente direção, atuação, efeitos visuais, som e uma trilha sonora simplesmente espetacular de John Williams (e não só nos momentos icônicos, em que a música se tornou eterna). Não é à toa que ganhou os Oscar de Trilha sonora, Som, Edição de som e Efeitos visuais, lembrando que Williams foi autor da trilha sonora em mais de 30 filmes de Spielberg ! Entretanto, mesmo vendo o filme hoje (ou seja, descontando o frenesi que provocou na época do lançamento, movendo e emocionando multidões no mundo todo), não há como se lamentar por mais uma injustiça cometida pela Academia de Artes de Hollywood (o que se tornou corrente ao longo da história), ao não laurear tanto o filme como o melhor do ano, como também seu diretor magistral, Steven Spielberg. Um absurdo total e o próprio diretor do filme que ganhou o Oscar em 1983 (e o filme também ganhou, por sinal), Richard Attenborough, disse na ocasião: “ “Eu tinha certeza de que E.T. não só ganharia, como deveria ganhar. Era inventivo, poderoso, maravilhoso. Eu faço filmes mais banais.” Relmente o filme é maravilhoso, iniciando com um suspense extremamente bem construído e prosseguindo com drama, ação, aventuras, banhados pela ficção científica e espraiando lições belíssimas dos valores essenciais de humanidade, das virtudes do coração, família, amizade, generosidade, convivência de diferenças, cativando o espectador e tornando-o cúmplice do enredo, revestido com espírito juvenil e com todos melhores os aparatos visuais e sonoros da época. Existe aquí harmonia em todos os elementos, não se percebe qualquer falha na concepção ou no desenvolvimento, sendo um filme que preserva a sua força, a sua mensagem e tanto faz rir, quanto chorar. E aqui temos uma das mais eloquentes apresentações de “vilões”, simplesmente apresentados por um singular estilo de filmagem (efeitos de luz e sombras inclusive) e propositais ângulos baixos de câmera que tanto intensificaram o perigo e a eventual maldade, como nivelaram o mundo dos adultos, das crianças e do próprio alienígena.  Imprescindível escancarar, ainda, mais um absurdo – que se tornou corriqueiro – da história do Oscar, que em 1983 não foi concedido para este filme e para o seu mágico diretor Spielberg, que em toda a sua brilhante – e ainda fluente – carreira acabou ganhando apenas dois Oscar de diretor: em 1994, por “A lista de Schindler” e em 1999 por “O resgate do soldado Ryan”. Isso, apesar de ter dirigido, entre muitos outros, filmes como “Tubarão” em 1975, “Contatos imediatos de terceiro grau” em 1977, “Os caçadores da Arca Perdida” em 1981, “A cor púrpura” em 1985, “Império do sol” em 1987 e “Parque dos dinossauros (Jurassic Park)” em 1993. Uma curiosidade: como em 1982 ainda não havia AI ou mesmo os efeitos especiais de hoje, o “personagem” do ET criou vida a partir de um traje de borracha de 1,20m de altura, estando dentro dele um ator de 11 anos de idade e que nasceu sem as pernas, de nome Matthew De Merrit. Ainda a destacar, o ótimo elenco – inclusive infantil e juvenil – composto curiosamente pela então com 7 anos de idade Drew Barrymore (“As panteras”, “Afinado no amor”) e protagonizado pelo ator Henry Thomas (como Elliot), que com apenas 10 anos foi um grande destaque, apresentando uma das maiores atuações infanto-juvenis da história do cinema e contribuindo definitivamente para tornar o filme legitimamente tocante e algumas de suas cenas icônicas e imortais. 10,0

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