MINHA SECRETÁRIA (NELLY ET MONSIEUR ARNAUD – 1995)
O cinema francês tem um tipo de filme que alguns apreciam, mas outros desgostam completamente. Esse é um desses filmes: a história vai-se construindo lentamente, fala de relacionamentos, de distâncias e aproximações, de sentimentos muitas vezes velados, não deixa os fatos perfeitamente delineados e povoa o enredo de reticências, muitas das quais não serão clarificadas. Tudo às vezes parece uma névoa em que os personagens mergulham surpreendentemente ou prudentemente resolvem não se expor. E o espectador acompanha tudo com interesse, mas pode se frustrar se tiver muitas ou erradas expectativas. Na minha visão das coisas este é um belo e bem construído filme e que tem as coisas não ditas como totalmente propositais. sendo missão do espectador justamente desvendar o que se passa por trás dos gestos e das ações muitas vezes envernizadas ou maquiadas. Mérito do diretor Claude Sautet (Um coração no inverno, Vicente, Francisco, Paulo e os outros, César e Rosalie) e do excelente elenco, no qual se destacam com grande atuação Michel Serraut e Emmanuelle Béart, com a presença também dos ótimos e conhecidos Jean-Hugues Anglade, Michèle Laroque e Michael Longsdale. O filme, como alguém bem definiu, é ao mesmo tempo sutil e delicado e também capaz de ser surpreendentemente arrebatador, deixando suas impressões por longo tempo nas retinas e no coração do público, após o seu final. Sautet e Serraut ganharam o Cesar (Oscar francês) de 1996, respectivamente como Melhor Diretor e Melhor Ator. 9,0
