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BOYHOOD – DA INFÂNCIA À JUVENTUDE

boyCinema tem muito de momento. Podemos ver um filme sob diversas condições e com diferentes estados de espírito, de modo que em cada ocasião o aproveitamento provavelmente será um, específico. Por esse motivo, quando sinto que não assisto a um filme (de qualidade) com toda a minha sensibilidade, atenção e concentração, vejo novamente. É o caso desta obra, certamente a mais perfeita da carreira do diretor Richard Linklater (Antes da meia noite… prêmio de Melhor Direção no Festival de Berlim 2014). Na verdade, além de se tratar de um enfoque extremamente original, existe uma curiosidade que torna este filme único: o diretor passou 12 anos filmando a história (de 2002 a 2014, em cada ano reunia a equipe e rodava algumas cenas – portanto, o menino é o mesmo ator que faz o adolescente!). A par desses méritos, é um filme que pode chegar de forma diferente e com importância também diferenciada para cada espectador, talvez conforme sua idade, talvez de acordo com suas experiências ou sua visão do mundo: mas atingiu em cheio a minha sensibilidade e aqui refaço a resenha feita há cerca de um mês, quando vi o filme pela primeira vez, apesar de ter naquela ocasião atribuído a ele a ótima nota 8,7. Com Ethan Hawke e Patricia Arquette, o filme é a própria vida passando. Impressionante o realismo das cenas, dos diálogos, a naturalidade dos fatos, mesmo os mais impactantes, produzindo em nós uma identificação imediata, envolvendo conflitos de diversas épocas e diferentes gerações. Todo o elenco e a direção são impecáveis. A trilha sonora, uma viagem deliciosa. Parece que vemos vários filmes em um. Paixões, perdas, ritos de passagem, as inquietações da infância, da juventude, da própria fase adulta, como se não tivesse fim a procura pelo amadurecimento. A constatação da efemeridade das coisas (até mesmo a “síndrome do ninho vazio” – fato natural e por isso tão doloroso quanto belo), o aprendizado de que família não é a satisfação do modelo social e sim uma questão de união, respeito e atitude. Constatamos, afinal, que a vida é bela e, como o amor, tem amplas possibilidades e na própria juventude, com momentos de lirismo, de delírio, mas também de hesitação, reside a grande esperança do mundo de amanhã. E após o filme, ainda por um bom tempo. ficamos com a sensação de estar diante de uma obra rara.  9,5

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