BLUE MOON (2025)

Lorenz Hart foi um letrista nova iorquino que fez dupla com o músico Richard Rodgers, tendo eles, em parceria fiel, composto centenas e centenas de canções (alguns dizem que faziam mágica juntos e que as composições são, em grande parte, atemporais), sendo considerada a dupla mais bem sucedida do teatro musical americano de todos os tempos. Fizeram músicas como “Blue moon”, “My funny Valentine”, “The lady is a tramp” e “Manhattan”, mas foram centenas delas. O filme se passa em Nova Iorque na época da segunda guerra, no interior de um bar estiloso (“Sardi´s”, com piano e o charme da época), que se torna aqui palco do eclético e verborrágico Hart, magnificamente interpretado por Ethan Hawke, que inclusive já concorreu a diversos prêmios pelo papel, esperando-se que também seja indicado ao Oscar. A “metralhadora” ambulante destila memórias, pensamentos, filosofias, analogias, picardia e muita cultura musical-literária, além de dramas íntimos e pessoais, estimulados pela personalidade liberal mas também pelo álcool. Um texto algo denso mas delicioso, que fala muito da natureza humana (“a cabeça não tem nada a ver com a loucura do amor”) e, claro, é valorizado pela performance de Hawke – em muitas cenas comovente e em algumas até inspirando a nossa melancolia –, que na composição do personagem buscou inclusive a semelhança física com o excêntrico poeta. Todavia, em razão do excesso de pensamentos e informações, com pinceladas intelectualizadas, o filme se torna ao mesmo tempo estimulante e cansativo. São muitos fatos acumulados, alguns deles exigindo uma cultura incomum do cenário do show business americano da época. Também atuam no filme, entre outros, a ótima e cada vez mais prestigiada atriz Margaret Qualley (A substância), o talentoso Andrew Scott (Ripley) e Bobby Cannavale (Third Watch), que faz um invulgar “barman”. O diretor é o sempre competente e sensível Richard Linklater (Boywood, Assassinato por acaso, Antes do amanhecer). Um roteiro inteligente, espirituoso e que, ao valorizar o carisma de Hart e enaltecer sua cultura e seu estilo único, acaba nos fazendo pensar sobre o valor de suas letras, confrontado com o das melodias de Rodgers, que, se bem analisadas, parecem superiores: embora letra e música na grande parte das vezes tenham alcançado perfeita harmonia. E deve-se ter em conta também que, no dizer do próprio Dick (Rodgers), sua carreira só alavancou graças ao impulso de Larry (Hart). 8,7

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