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BLOOD ROAD

Baseado em fatos reais, um road movie, mas diferente. Primeiro, porque a jornada envolve Rebecca Rusch campeã de resistência em ciclismo, em terras difíceis, selvagens, matas, rios, cavernas…Segundo, porque o objetivo é seguir pela trilha Ho Chi Minh (conhecida como trilha de sangue, que dá título ao filme) e encontrar o local onde um avião americano foi abatido em 1972, durante a Guerra do Vietnã. O piloto era o pai da atleta, que tinha 3 anos quando da morte e não o conheceu, a não ser por relatos, pela música e pelas cartas, que inclusive valorizam várias cenas do filme (narradas e reproduzidas na escrita). Ela tem como objetivo encontrar o local exato do acidente, para prestar uma homenagem ao pai, na data precisa do falecimento. Por muitos anos o piloto foi dado como desaparecido e as duas irmãs criadas pela mãe e na angústia das respostas. Até que um dia os destroços do avião foram encontrados e com eles os restos mortais dentários que identificaram o heroico americano. Agora, a filha atleta, de 46 anos, e mais uma parceira vietnamita, com algum apoio logístico, embarcam nessa aventura, pedalando quase 2000 quilômetros e com muitos desafios pela frente. A frase, em meio à rota, diz tudo: ”talvez a parte de mim que perdi, eu encontre aqui”. É uma viagem física pelas terras do Vietnã, Camboja e Laos, mas também espiritual. E é um filme também histórico, relatando muitos fatos sobre a guerra do Vietnã, inclusive sobre as bombas que, por não terem explodido, ainda ameaçam as aldeias (MNDs), sobre as décadas que virão antes que todas elas sejam desarmadas (os EUA investem milhões de dólares nesse projeto), a respeito dos corpos que ainda não foram localizados dos militares que morreram em combate e sobre as razões das batalhas que houve, sabendo-se que o Laos foi a terra mais bombardeada da história do mundo. O filme é na verdade um documentário, mas também tem diálogos e as filmagens são muito realistas, com ótimo ritmo e sem nenhuma máscara ou disfarce. Inclusive quanto às crenças e costumes locais. Não é um filme visceral nas cenas do trajeto, mas tem conteúdo inclusive cultural e grande significado emocional.  8,5

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