FAMÍLIA DE ALUGUEL (RENTAL FAMILY – 2025)

Algumas críticas a este filme enfatizam ser manipulador dos sentimentos e emoções fáceis e, por outro lado, de ter um ator que “força a barra” para parecer uma espécie de Forrest Gump no quesito inocência, quando na verdade representa, como sempre, a vaidade do imperialismo ianque. Brendan Fraser com “A baleia” provou ser um ótimo ator e aquí interpreta um americano que vive há 7 anos no Japão, mas que ainda não conhece muita coisa desse país de cultura milenar e muito exotismo. Se faz um tipo que pode não convencer em algumas cenas (e expressões), em outras, porém, revela carisma e sensibilidade, qualidade que, aliás, permeia todo o filme. E, analisando, por que não ver qualidade naqueles que conseguem despertar emoções que guardamos às vezes com total reserva? Trata-se aqui de um tema diferente, abordado em uma história sensível, que explora o ser humano a princípio envolvido em uma cultura fechada e atípica, mas no final das contas com seus valores universais. Nos apaixonamos por Mia, viajamos a lugares longínquos em busca das origens (viagem que fazemos também dentro de nosso coração) e nos emocionamos com a humanidade contida no filme, que mostra uma civilização e hábitos peculiares, mas também desfila valores comuns a todos os seres, que buscam fugir da solidão  – como os que, de alguma forma, se sentem socialmente deslocados – e se aproximar dos encontros e dos significados da vida. Nesse ponto, principalmente em seu desfecho, o filme é tocante, proporcionando a todos uma bonita e singular viagem. 8,5

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