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ANATOMIA DE UM CRIME

anatomy_of_a_murder (1)A história não é nova neste drama do gênero “filme de tribunal”: um advogado, ex-promotor, aceita um caso para defender um militar acusado de assassinar o suposto estuprador de sua esposa. O diferencial neste filme americano de 1959 é o excelente roteiro, a direção perfeita do austríaco contestador Otto Preminger (Laura etc.) e que o advogado é James Stewart, a esposa Lee Remick (novinha, assim como também estava no início de carreira George C. Scott, um dos promotores no julgamento – mas já ótimo) e o tenente acusado Ben Gazarra, tendo além disso uma bela fotografia e uma trilha sonora premiada com o Grammy (de Duke Ellington, que inclusive toca piano em uma cena com James Stewart). Outro que trabalha no filme, como assistente do advogado, é o simpático e muito assíduo em filmes Arthur O´Connell, ganhador de vários prêmios de coajuvante.  O filme concorreu a diversos outros prêmios (filme, roteiro, fotografia etc., sendo inclusive indicado a 7 Oscar), mas era o ano de Ben Hur. James Stewart ganhou o de Melhor Ator em diversos festivais, inclusive no Festival de Veneza (sou suspeito para falar desse ator, um dos meus ídolos). Mais duas curiosidades: o cartaz do filme foi eleito um dos melhores da história do Cinema e o juiz que atua no julgamento era efetivamente magistrado na época da filmagem, o que fica claro pela dignidade e verossimilhança que confere à sua própria atuação (a paciência e a ironia fina do magistrado dão um tom magnífico às cenas, permeadas com humor afiado principalmente no tribunal). Nesse ponto, de fato, o julgamento é um dos melhores em termos realistas que o Cinema já apresentou, com diversos pontos altos, entre os quais o réu perguntando para o defensor como é que o júri poderia esquecer uma pergunta que ele fez e que o juiz mandou apagar dos registros, tendo o advogado respondido: “eles não podem esquecer”. O texto na parte do tribunal chega a ser brilhante, no estudo da conduta de advogados e dos meandros do Direito e os duelos da defensoria com a promotoria são afiados e brilhantes. Outra frase boa do filme: “Como advogado aprendi que as pessoas não são só boas ou más. As pessoas são muitas coisas”. No final, após uma cena de grande impacto e emoção, a reflexão enquanto se espera o resultado do júri chega à inesperada conclusão da dúvida, tendo um personagem dito: “não sei o que eu decidiria se fosse jurado…”. O espectador também pode ser sentir assim, o que será mais uma virtude desse clássico filme. 9,0

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