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O MERCADO DE NOTÍCIAS

605176236fEste é um documentário premiado e que não só por isso merece destaque, já que foi elaborado de forma muito inteligente e original,  mostrando inicialmente trechos de uma peça de teatro, montada especialmente para o filme por um grupo de atores gaúchos (Casa de cinema de Porto Alegre), cujos depoimentos também são rapidamente colhidos, assim como do diretor do filme, Jorge Furtado. Vemos também trechos dos ensaios e das primeiras leituras da suposta peça modernizada, com figurino de época inclusive, mas tendo o propósito de mostrar a atualidade de um texto, 400 anos depois de escrito pelo dramaturgo inglês Ben Johnson (1626). A partir daí, alternando trechos oportunos da peça, o que vemos são partes de entrevistas com treze jornalistas importantes do país: Mino Carta, Jânio de Freitas, Bob Fernandes, Cristiana Lôbo, Fernando Rodrigues, Geneton Moraes Neto, José Roberto de Toledo, Leandro Fortes, Luís Nassif, Maurício Dias, Paulo Moreira Leite, Raimundo Pereira e Renata Lo Prete, fazendo reflexões sobre o jornalismo, a mídia, seus limites, sua ética, qualidades e defeitos, sua missão, afinal, o declínio do jornal impresso etc, depoimentos extremamente lúcidos e que também abordam pontos “nevrálgicos” poucas vezes debatidos com tal transparência. O antijornalismo, por exemplo, é uma temática difícil, que é enfrentada de modo aberto e despojado. Outro tema inquietante, o da liberdade da imprensa, que represento por frase colhida do filme: “Eu quero deixar registrado que não acredito em liberdade de imprensa. Acredito em liberdade de expressão. Porque o veículo tem interesse político, econômico e comercial…”. A par dos assuntos estimulantes, o filme tem o mérito de nos apresentar a jornalistas que impressionam pela cultura, erudição, experiência e aparente integridade, em relação a alguns deles provavelmente reforçando uma admiração já existente. Talvez a mensagem final seja a que foi passada por Jânio de Freitas, no sentido de que mais do que o veículo de comunicação, o leitor deve estar atento ao jornalista que escolhe ler.  8,8

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