MEDO DA VERDADE (GONE BABY GONE – 2007)

Dentro do gênero, thriller policial, um filmaço. De todo modo, na verdade, um filme de primeira linha, em termos de qualidade. Drama e suspense do começo ao fim, muito mistério, diversas reticências para serem preenchidas, um roteiro muito bem construído e absolutamente instigante, sendo brilhante a direção de Ben Affleck e estupendo o elenco. Engraçado que Casey Affleck, apático como ator, parece muitas vezes não combinar em nada com o personagem (que deveria resplandecer coragem, energia e empatia), porém os demais são soberbos, passando por Ed Harris (antes de assumir a calvície), Michelle Monaghan, Amy Ryan, Amy Madigan e, entre outros, chegando ao espetacular Morgan Freeman, que dispensa comentários. O ritmo do filme, a maneira como a história é contada, a direção, a edição, as performances e a trilha sonora deixam o espectador totalmente refém do início ao final e quando se pensa que a trama não terá mais para onde seguir, mais fatos surgirão e tornarão o contexto ainda mais rico, com a verdade sendo o tempo todo coberta por camadas que cabe ao espectador desvendar. O roteiro, ambientado em Boston, é baseado no livro de mesmo nome e de 1998 do escritor americano Dannis Lehane, autor de romances policiais. O filme recebeu inúmeros prêmios e diversas nominações, inclusive sendo Amy Ryan (a mãe de Amanda) indicada ao Oscar de Melhor atriz coadjuvante em 2008. E não há como deixar de destacar a parte final e os sentimentos e emoções que desperta, principalmente em duas ou três cenas em que um grande dilema moral vem à tona (e pede uma definição): a posição do investigador nos faz lembrar de um diálogo tido com o detetive Remy Bressant (quando este expõe as suas ideias, defendendo que o fim justifica os meios), que no caso representa a antítese de seu pensamento. O caminho a ser seguido trará consequências e a última cena é preciosa em mostrar a face desolada de uma decisão tomada com a absoluta convicção do caminho certo: mas o que é correto e o que não é, inclusive diante da relatividade das coisas, certamente é matéria para muitos debates. 9,4

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