SIRÂT (2025)
Na vastidão desértica do Marrocos enormes caixas de som começam a ser empilhadas. Esse é o início deste filme espanhol dirigido por Óliver Laxe, franco-espanhol de origem galega, que também co-assina o roteiro. O filme concorre ao Oscar de Melhor filme internacional no próximo dia 15 de março (competindo com O agente secreto, o norueguês Valor sentimental, o francês Foi apenas um acidente e o tunisiano A voz de Hind Rajab todos com qualidade suficiente para vencer!) e ganhou o prêmio do Júri do Festival de Cannes de 2025. Um dos produtores é Pedro Almodóvar e se trata de uma obra bastante original e totalmente imprevisível, de modo que qualquer menção aos fatos seria “dar spoiler”. O que pode ser dito, sem estragar as surpresas que virão (a vida não é repleta do imprevisível, afinal?), é aquilo que o filme já traz escrito na apresentação, como sendo o significado de seu título (a palabra árabe “sirât” significa “caminho” ou “via”): no Islã, Sirat é “uma ponte que separa o inferno do paraíso, sendo mais fina do que um fio de que cabelo e mais afiada do que a lãmina de uma espada”. Um drama de aventuras e suspense muito bem feito, com váriadas emoções e trazendo tipos exóticos – porém com cores totalmente reais mas que fogem amplamente dos estereótipos – e inesquecíveis: muitíssimo bem interpretados pelo excelente e harmonioso elenco, conjunto que nos faz acompanhar a história com total interesse, da primeira à última cena (que passa realmente a sensação do verdadeiro deserto). Cinema de primeira. 9,2
