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A VIDA DOS OUTROS

Este é um filme alemão de 2006 de primeiríssima linha e que ganhou inúmeros prêmios, tanto do próprio cinema alemão (filme, ator, roteiro, direção…), como do europeu (Prêmio do Cinema Europeu de Melhor Filme), sendo também premiado como Melhor Filme Estrangeiro nos mais importantes festivais do mundo, como o Oscar, o Bafta e o César (Oscar francês). É uma obra extremamente bem acabada, em todos os detalhes e ainda impactante pelo excelente roteiro (do próprio diretor Florian Henckel von Donnersmarck) e pela importância do tema, que contempla a Berlim Oriental dos anos 80, antes da derrubada do Muro e as atividades de controle/espionagem do Estado totalitário (escuta principalmente) para investigar/denunciar inimigos do regime socialista. O roteiro enfoca principalmente um famoso escritor e uma consagrada atriz e faz um estudo profundo tanto do sistema, do poder insensato e devastador do Estado, como da vida pessoal dos investigados (a arte tentando não ser amordaçada) e da possibilidade de sensibilização do ser humano, mesmo diante dos limites da liberdade e do temor do castigo. Um brilhante drama histórico, político, social e humano, com grande densidade e sensibilidade. A parte final do filme coroa de forma extraordinária todo o contexto, de forma surpreendente e magnífica. Encerro com o final da resenha do médico e cinéfilo Marcelo Sobrinho sobre o filme, que achei devastadora e mais do que apropriada: Uma ditadura sempre começará a definhar quando um homem for capaz de se reconhecer no outro. 9,5

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AQUI EM CASA TUDO BEM (A CASA TUTTI BENE)

A verdade deveria ser a matéria-prima dos relacionamentos. Mas não é. As pessoas escondem coisas. As próprias estruturas familiares impedem que certas verdades sejam ditas. Em um belíssimo trabalho de elenco e de direção (Gabriele Muccino, de O último beijo, Sete vidas, À procura da felicidade…), este filme mostra aquela família típica italiana que todos conhecem, de mesa repleta e farta, falante, composta por avós, pais, mães, filhos, netos…e os relacionamentos, que aparentemente são todos ótimos e felizes. Só que embaixo do verniz se escondem os segredos, as coisas não ditas, o que torna as pessoas infelizes. E diante de um fato imprevisto, que provoca a permanência dessas pessoas reunidas por um tempo além do previsto, alguns desses segredos começam a vir à tona…E em meio à constatação do quanto é triste quando se tem que viver à margem da verdade, também se vê como os seres humanos são complexos, complicados, como os sentimentos são difíceis de ser expostos, ainda mais nas relações amorosas. Com Pierfrancesco Favino, a agora veterana Stefania Sandrelli e grande elenco (em todos os sentidos), uma comédia leve mas ao mesmo tempo ácida, que faz lembrar de outras obras do gênero e que exploraram o tema até mais profundamente. Mas é um filme muito bom e que ao final deixa uma mensagem edificante, de que o melhor alimento é o amor e sempre há tempo para sermos felizes.  8,5

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UTOYA

Em 22 de julho de 2011 o mundo, incrédulo e assustado, foi obrigado a reconhecer, à força, que a violência súbita e implacável é uma realidade que pode estar em qualquer parte, que o terrorismo não tem mais fronteiras e que mesmo lugares sempre tidos como pacíficos podem ser alvos de ataques brutais e aparentemente sem sentido. Este filme aborda o que ocorreu na Ilha de Utoya, na Noruega, e que em apenas 72 minutos resultou em mais de setenta mortos e quase cem feridos, sendo as vítimas jovens de 15 a 18 anos na maioria, do partido trabalhista norueguês e o atirador um partidário da extrema direita. O filme é extremamente bem realizado, retrata os fatos com base em relatos dos sobreviventes e choca mais ainda, na medida em que mostra os acontecimentos sob a perspectiva dos agredidos. Hitchcock já dizia que o maior terror é aquilo que não se vê e o diretor Erik Poppe adota inteiramente esse pensamento: o espectador só ouve tiros, correria, gritos, não vendo o atirador: não sabe onde ele está e nem de onde ele pode surgir a qualquer momento. E nesse ponto é que reside o maior mérito do filme, ou seja, o suspense e a tensão quase insuportáveis em muitos momentos, sendo escancarado o horror sob o olhar das vítimas, no caso uma personagem tendo sido escolhida para retratar todo o pânico e o desespero.  A trilha sonora tensa e perfeita, a câmera ágil (muitas vezes de mão) e a convincente interpretação do elenco tornam o drama mais intenso e perturbador. O único ponto que poderia ser questionado é o da falta de tempo para reflexões e de explicações ou questionamentos sobre a origem do mal, sobre os motivos criminosos, pois o filme apenas faz o cruel relato, sem juízo de valor, começando com a bomba detonada em Oslo (pelo mesmo criminoso) e se concentrando a partir daí, durante todo o tempo, no massacre da ilha de Utoya. Mesmo assim e a despeito da dor e do terror, é um belo momento sob o ponto de vista cinematográfico.  8,5

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A SOCIEDADE LITERÁRIA E A TORTA DE CASCA DE BATATA

O título do filme é comprido, mas como diz um amigo não poderia ser outro. E é daqueles que permanecem conosco horas depois de vê-lo. Pela beleza, pela emoção que passam, nos trazendo leveza em meio a dramas fortes, mas prevalecendo as coisas boas, coisas do coração, que nos tocam e nos enternecem. Estrelado pela carismática e bela atriz do momento, Lily James (Mamma Mia, Cinderela…), o foco são fatos da Segunda Guerra e as consequências que dos mesmos advêm. E justamente na época da Guerra é que as ilhas de Guernsey eram ocupadas pelos nazistas e a sociedade literária referida passou a existir, como uma salvação contra a violência dos opressores. Uma saída mágica e que acabou gerando mágica para o futuro, pois em meio a fatos literários (en passant ou não, o amor pelos livros povoa o filme) se desenrolam dramas, intrigas, mistérios, aventuras, encontros. É um filme leve e todo emocional, daqueles que despertam emoções fáceis mas verdadeiras. Apesar das “variações sobre o mesmo tema”, quem não quer desejar a vitória da beleza, da coragem, da bondade? Quem não espera que na vida todos os sonhos sejam possíveis e o que é belo possa triunfar? Uma maravilhosa viagem, com espetacular fotografia e trilha sonora, perfeita direção e atuação harmoniosa de todo o elenco, que tem, além de Lily, Michiel Huisman (Game of thrones, A incrível história de Adaline….) entre vários outros ótimos atores e atrizes. O diretor é Mike Newell (Quatro casamentos e um funeral, Príncipe da Pérsia, Harry Potter…).  9,0

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BEAST

Um drama policial com suspense (psicológico, em grandes doses – com permanente tensão do início ao fim), ou, para resumir, um thriller. De produção inglesa, 2017, magistralmente dirigido por Michael Pearce, também autor do ótimo roteiro. Pelo que consta, é o primeiro longa metragem desse premiado diretor de curtas. E já começou com todo o fôlego, porque se trata de um filme fascinante e que mantém o espectador o tempo todo interessado, ligado na história e principalmente sem saber o que virá a seguir. Somando-se à qualidade do roteiro e da direção a atuação magistral de Jessie Buckley, as competentes fotografia e a trilha sonora, fica composto um conjunto original e de elevada riqueza cinematográfica. Não que vá agradar a todos os gostos. É um filme de estranhezas. Algumas pessoas parecem agir fora do trivial, fatos e cenas são forçados (na minha visão, intencionalmente), os personagens principais são inquietos, enigmáticos e com isso geram a expectativa de poder acontecer qualquer coisa a partir deles. E isso é um mérito do filme e do elenco, porque vemos o quão inesperados podem ser os meandros do ser humano, o quanto diferentes podem ser as pessoas, o que são, o que buscam e o que ocultam. A alma humana é tão vasta e imprevisível, que pode realmente às vezes transitar por estranhezas e bizarrices. Talvez seja essa a explicação do título deste filme, que pode dar margem a muitos debates, mas que tem inegavelmente a marca da qualidade. 9,0

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MISSÃO IMPOSSÍVEL – EFEITO FALLOUT

Este filme – salvo engano o sexto da série no cinema – é realmente irretocável em termos de efeitos especiais, ousando fazer cenas de ação e perseguição inclusive nas ruas centrais de Paris e no Grand Palais (passando pela espetacular arquitetura de seu teto), além de outras extraordinárias em vários ambientes, envolvendo paraquedas, carros, motos, helicópteros… E felizmente continua preservando dois elementos essenciais da série original da TV: primeiro, a música-tema, para mim a melhor da TV e do cinema (composta pelo argentino Lalo Schifrin), vinculada com a edição espetacular e emocionante de cenas que ainda veremos no filme, uma espécie de trailer em alta velocidade no começo do próprio filme; e, segundo, a ação tendo início com a missão sendo passada para o nosso herói – hoje com o uso sofisticado da tecnologia. O Ethan Hunt de Tom Cruise, na série de 66 da TV era Jim Phelps de Peter Graves, muito mais carismático do que Tom, mas Tom é conhecido por fazer várias cenas de grande risco sem dublê e realmente se trata de alguém dedicado e que merece reconhecimento pelo seu esforço e perfeccionismo. Como ator eu o acho regular e embora com 56 anos ainda faça cenas de impressionante vitalidade e força, a interpretação dele ainda destoa quando as cenas exigem expressão facial. Mas o elenco ainda tem Rebecca Ferguson, Henry Cavill (o atual superman), Michelle Monaghan, Ving Rhames, Angela Basset, Simon Pegg, Sean Harris, Alec Baldwin e Vanessa Kirby, entre outros. Contudo, trata-se aqui de um filme de espionagem e ação, dominado pela tensão, pelo suspense e pelas reviravoltas inesperadas do roteiro, revestido de uma incessante experiência sensorial e também intelectual pelas intrigas que apresenta (quem é amigo, quem é inimigo, afinal?). O filme não é nada tão espetacular ou original quanto à história em si (seguindo mais ou menos a linha de sempre: o mundo em perigo), mas desfila um conjunto harmônico simplesmente eletrizante, que não nos permite tirar os olhos da tela por um segundo. Nesse sentido, é sem dúvidas espetacular. Ou seja: vale tudo quando se trata de um passatempo com esse estilo e essa qualidade, com a condição de que se esqueça a realidade e se mergulhe de cabeça (e paraquedas talvez…) na fantasia. E, desse modo, a nota não pode ser menor do que essa.  9,0

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A CIDADE DOS DESILUDIDOS (TWO WEECKS IN THE OTHER TOWN)

Filme de 1962, com Kirk Douglas, Edward G. Robinson, Cyd Charisse, Daliah Lavi e George Hamilton, entre outros, baseado na obra literária de Irwin Shaw e dirigido por Vincente Minelli. O filme mostra o lado escuro e o glamoroso do mundo do cinema, invadindo os bastidores de uma produção em curso e escancarando diversos ângulos que permitem se imaginar que a qualquer momento pode tanto sobrevir a glória, como a amargura da derrota ou do ostracismo (orçamento, pressão da produção, problemas pessoais do elenco, relacionamentos, interesses, dinheiro, são temas abordados). O que parece mesmo ser o mundo do cinema, desde sempre. Tudo começa quando um famoso diretor em dificuldades resolve recorrer a um ator que admira, mas que anda desaparecido, embora tenha feito sucesso no passado e então os fatos passam a ocorrer com ótimo ritmo, uma dose generosa de realidade e crueza e alguns desdobramentos inesperados. Como alguns críticos descreveram, é um filme que aborda o amor e o ódio no mundo do cinema, sendo uma espécie de continuação de Assim estava escrito, filme de 10 anos anos, igualmente dirigido por Minelli e que fazia provocações aos bastidores cinematográficos. Fora alguns reparos quanto a alguns personagens (oscilantes ou desnecessários), um dos pontos negativos é a cena do carro esporte quase ao final, que se de um lado é intensa, emocionante, bem interpretada e angustia, de outro é totalmente irreal, de um exagero insuportável.  8,3

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A VIDA SECRETA DAS PALAVRAS

Este é um filme praticamente sem ação (recomendável talvez para quem aprecia cinema “de arte”), mas de virtudes incontestáveis, praticamente uma obra-prima da diretora espanhola Isabel Coixet (Minha vida sem mim), com produção executiva de Pedro Almodóvar. Com a segura participação de Julie Christie na parte final, a interpretação sempre ótima de Javier Cámara e performances inesquecíveis de Tim Robbins e Sarah Polley (magistral), acompanhamos um mergulho sensível, profundo, intimista e doloroso, a partir de um relacionamento ocasional, temporário e inesperado e que acabou reunindo dois sobreviventes, cada qual do seu modo e por motivos diferentes. Tomamos, então, contato com os fatos, que vão se intensificando à medida em que a intimidade avança e que revela traumas do passado, acabando por aflorar entre outras a impressionante virtude da empatia, a generosidade, embora presente a sensação permanente de dor e desconforto, físico e psicológico (ambos os personagens do par central possuem restrições físicas). Nasce, então, do improvável a beleza na total e irrestrita entrega. Apesar de a história se passar basicamente em uma plataforma de petróleo, a fotografia também é destaque, assim como a bela trilha sonora. O título do filme já é belíssimo, mas também o são vários momentos, incluindo o da revelação junto ao leito e o da cena quase ao final (inesquecível e mágica), com o diálogo envolvendo a natação (um “achado”). Aliás, eu terminaria o filme nessa cena, dispensando os momentos finais do filme em que a voz em “off” parece deslocada, tentando justificar desnecessariamente sua existência, a qual também aparece no início do filme (momento em que também seria dispensável). De resto, algo para se emocionar legitimamente, em cinema de altíssima qualidade. O filme ganhou o Goya (Oscar espanhol) em 2006, nas categorias de melhor Produção, Diretora, Roteiro e Filme9,2

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MEMOIR OF A MURDERER

Esta é mais uma produção sul-coreana de qualidade, consistindo em um belo filme do estilo policial. Um thriller, na verdade. No mínimo, vemos fatos de uma forma bem diferente da que é mostrada pelo cinema americana e até mesmo diferenciada em relação aos outros países que produzem coisas desse gênero. Ou seja, foge ao lugar-comum, o que por si só já é muito bom para o espectador que aprecia coisas novas e instigantes. O roteiro tem algumas estranhezas (talvez de momento, talvez pela cultura oriental), provoca certa confusão em determinados momentos, mas tem bastante originalidade desse cinema que cada vez mais vem se destacando no cenário mundial. O filme é tenso, intrigante e bastante violento, apresentando em muitos trechos interpretações impactantes/excelentes do elenco. Muito suspense, até um pouco de terror, tem sua originalidade também no fato de que trata de assassinatos em série e ao mesmo tempo do Mal de Alzheimer – o que justifica o seu simples porém ótimo título -, mistura realmente diferente e que dá ensejo a muitas alternativas dramáticas. Naturalmente impressiona, mantém o interesse e ao menos no final também comove, o que também é um grande mérito.  8,5

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DESOBEDIÊNCIA

Após um longo afastamento de sua terra natal por razões que ficaram envoltas em mistério na época, a personagem interpretada pela atriz Rachel Weisz retorna à Inglaterra por razões de luto, as quais, juntamente com o contexto todo, somente aos poucos vão se aclarando. Os fatos e o luto se passam dentro de uma comunidade judaica conservadora, onde naturalmente todos se submetem à obediência às normas, à autoridade do rabino, dos pais e onde a liberdade fica em parte tolhida pelos ritos rígidos e fechados, justamente sendo os fatos que dão origem ao título do filme, que diz respeito diretamente a um passado que retorna como incômodo, para assombrar uma rotina tão sistemática/regrada.  Um drama que vai se desenvolvendo e intensificando aos poucos e que atinge momentos de grande densidade emocional, havendo ao final pelo menos duas cenas belíssimas. Inclusive o que parece previsível ao espectador pode deixar de ser…notadamente após certa notícia inesperada. Os personagens são muito bem interpretados, principalmente por Rachel McAdams e Alessandro Nivola, retratando com talento a intensidade do sofrimento experimentado. Na verdade, os papéis aqui representam um especial desafio para as duas atrizes (ambas Rachel), quer pela dificuldade relativa aos próprios personagens, quer pela natureza e força das cenas, provavelmente as mais ousadas na carreira de ambas.  8,2

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ESTIGMA DA CRUELDADE (THE BRAVADOS)

Um dos ótimos westerns de todos os tempos, na verdade um faroeste dos bons tempos, no caso de 1958, com direção de Henry King (Jesse James, lenda de uma era sem lei, As neves de Kilimanjaro, O cisne negro, Suave é a noite…) e protagonizado por Gregory Peck. O ator tem alguns ótimos momentos, embora sempre tenha carregado com ele o estigma do “homem correto” em todos os filmes que fez, sendo considerado um ator bom e carismático, porém com limites. Além dele, as presenças de Joan Collins (não muito convincente como mexicana…), Henry Silva e Lee Van Cleef (já com o jeito do grande vilão que viria ser). Também trabalha no filme, fazendo o papel de carrasco, o ator Joe De Rita, que a partir daquele ano passaria a ser o novo “Curly Joe” de “Os três patetas”. Na verdade, o diretor somente aceitou fazer o filme em homenagem ao amigo Peck e, depois, tomado de uma grande inspiração acabou mudando o roteiro que recebeu, justamente no aspecto que acabou sendo o que destacou o filme em meio aos demais do gênero (parte final). Realmente a parte final do filme coroa com muita felicidade uma aventura dramática, com conflitos morais, cavalgadas nas sombras, trilha sonora palpitante (“The Hunter” é o tema principal) e paisagens deslumbrantes: aquelas magníficas amplidões que só os cenários do velho Oeste oferecem, no caso nas montanhas, florestas e planícies de locações no México (Cinemascope e Technicolor). O chamado herói se nutre do mais puro desejo obsessivo de vingança, em uma era onde já se revelava cada vez mais o propósito dos homens de encontrar o seu lugar, a sua paz, com alguma humanidade. De todo modo, o que vemos é a busca da justiça e no final o homem confrontando suas dúvidas, seus equívocos (o peso do “não-retorno”) e a frase do xerife – na porta da Igreja (fé) – resume tudo, adquirindo uma dubiedade jamais suspeitada por ele: “Deus escreve certo por linhas tortas”.  8,8

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PERFEITOS DESCONHECIDOS (PERFETTI SCONOSCIUTI)

Produção italiana de 2016, o filme tem alguns desdobramentos, mas em resumo trata-se de um jantar entre amigos, onde nasce a ideia um jogo, pelo qual todos concordam em ficar expostos à revelação de eventuais segredos ou a que sejam escancaradas as verdades que se costuma guardar a sete-chaves (uma espécie de “jogo da verdade” moderno). Os amigos sempre pensam que se conhecem, principalmente os que convivem há muitos anos. Será? Ou será que todas as pessoas ou pelo menos grande parte delas guardam segredos inconfessáveis? Ainda mais nos tempos de hoje, de internet, anonimato/relações virtuais, whats app – nossos celulares serão realmente nossas “caixas pretas”? O título do filme sugere exatamente isso e a proposta é de uma comédia (de humor negro), que acaba se desdobrando em drama. Os fatos acontecem em uma noite de eclipse, fato que dá um certo tom de misticismo ou sobrenatural, justificado na parte final do filme. É uma obra inteligente, divertida, leve, mas também tem seu lado forte, quando escancara o preconceito e deixa como recado uma importante crítica social, quando expõe fragilidades e revela as máscaras sob as quais os humanos se escondem, fazendo-nos também pensar/refletir sobre se seria possível não acontecer dessa forma…Um ótimo e harmonioso elenco (interpretação bastante natural e afinada), com também ótima direção de Paolo Genovese (The Place – também com Valério Mastandrea -, entre outros). Um ano após ser produzido este filme, houve uma adaptação pelo cinema espanhol (Perfectos desconocidos), com direção de Álex de la Iglesia (O bar…). Apesar da grande semelhança das duas versões, na minha opinião o italiano é superior em todos os sentidos, inclusive no que se refere à exploração do eclipse, que no filme espanhol merece algumas críticas.  8,8

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CALIBRE

Esta é uma produção da Netflix e cabe primeiramente um importante conselho: não saber nada a respeito do filme (não ver trailer, não ler sinopse etc.) e simplesmente desfrutá-lo, porque assim as emoções serão maiores. Primeiro, porque a história se passa em locações não usuais e com um “clima” que evoca o cinema “noir” e é enaltecido pela ótima fotografia (inclusive nas muitas cenas noturnas), diferente do que se costuma ver, inclusive por se passar na Escócia, nas misteriosas florestas e em um vilarejo fictício. Segundo, porque o roteiro é realmente interessante e instigante, conduzindo o espectador da aventura para o drama/suspense (thriller) e principalmente na parte final acumula grande tensão e tudo fica imprevisível, embora com um cheiro de tragédia no ar. Inclusive nos é apresentada uma situação limite de grande conteúdo moral/ético. É o homem diante do imprevisível, do seu descontrole, em uma vastidão territorial que aparenta total monotonia, mas onde muitas coisas podem acontecer. O filme inquieta, angustia e o elenco é ótimo, com excelente direção de Matt Palmer, que também é o autor do roteiro.  8,8

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NOVEMBER

Atenção: este é um filme estranho, totalmente fora do convencional. Pode-se enquadrá-lo na categoria de “Cinema de arte”, inclusive porque foi o representante da Estônia no Oscar na categoria de Melhor Filme Estrangeiro (não se classificou, porém, entre os 5 finalistas). Foi produzido em 2017 (co-Polônia) e filmado nos dois países com uma espetacular fotografia em preto e branco, que chama bastante a atenção (simplesmente deslumbrante), juntamente com a trilha sonora (com músicas tensas e dramáticas, embora também apresente Moonlight Sonata do Beethoven). A música valoriza bastante o “clima” do filme, que é uma mistura de drama com fantasia, mitologia estoniana, humor negro e até romance. A época é medieval (o branco-e-preto fica bem adequado) e a história ocorre em uma aldeia pagã, com várias estranhezas acontecendo ao mesmo tempo, incluindo sonambulismo, bruxaria, lobisomem e até mesmo a prática de furtos escancarados da população, que acha que tem direito a tudo que está em sua terra, em prejuízo dos senhores alemães. Uma das grandes esquisitices é o “kratt”, um ser mágico formado por metais/instrumentos agrícolas e palha e que serve aos seus donos, geralmente para furtar coisas (até vaca). Parece um robô rural do mal. É um filme para ser visto com paciência e curiosidade e certamente haverá os que gostem (fascinados pela bizarrice e/ou pelo estilo) e os que detestem, mas só pelo fato de ser diferente e de ter uma história original e imprevisível, com ótima trilha sonora e fotografia espetacular, já vale a visita. 8,0

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MARY SHELLEY

Sabemos de antemão (pelo título) que se trata de um filme sobre a autora de um dos maiores clássicos da literatura: Frankestein. É a cinebiografia da escritora, narrada de uma forma atraente, com boa reconstituição de época, e mostrando a miséria e o cenário do início do século XIX, bem como os fatos históricos que inspiraram a confecção do livro: o galvanismo (fenômeno elétrico produzido por processos químicos – que hoje pode ter alguma associação com o desfibrilador), uma importante perda, o sentimento de abandono, a eletricidade da tempestade, as pessoas com quem a escritora conviveu, entre elas Lord Byron (famoso poeta inglês e de vida nada conservadora) e Polidori (poeta e médico, a quem se credita a invenção do gênero de ficção envolvendo o vampirismo). O filme é importante também pelo retrato de uma época  na qual as mulheres estavam longe de terem reconhecido seus direitos, ainda mais de serem escritoras (a primeira edição do livro saiu, por tal razão, no nome do companheiro de Mary, o famoso poeta Percy Shelley). E fundamental ao revelar a verdadeira profundidade e essência do livro gótico Frankestein, que é muito mais do que uma obra de terror ou ficção científica, tanto que pertence à literatura universal. Muito embora Mary tenha tido pai filósofo e escritor e mãe (falecida quando completou 10 anos) feminista e também escritora, seja liberal e tenha apreço pela ciência, ficamos curiosos  sobre como chegará, nas condições em que vivia, a escrever uma obra com tamanho significado e arrojo. E o filme vai mostrando os fatos, embora de forma algo seca e econômica em muitas cenas, ao estilo da diretora/roteirista árabe Haifaa Al-Mansour (O sonho de Wadjda), contendo também alguma superficialidade e em certos trechos chegue a beirar o “novelão”. Mas é verossímil quanto às relações e às fontes de inspiração e felizmente a atriz Elle Fanning é muito boa e expressiva, apesar da idade (20 anos, embora com currículo de mais de 20 filmes) e também a parte final do filme faz valer o ingresso, com a realidade do mercado editorial da época, a forte personalidade de Mary, o reencontro com o pai, entre outros fatos que pareciam represados ao longo da história e que na parte final aparecem com notável emoção. E somos, então e finalmente, apresentados à efetiva importância da obra e conhecemos nos créditos finais o real destino dos principais personagens.  8,0

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A LIVRARIA (THE BOOKSHOP – LA LIBRERÍA)

Esta produção praticamente toda inglesa – e que se passa em uma cidade litorânea e conservadora da Inglaterra na década de 50 – não é um filme para nos deixar extasiados. Mas sim para nos fazer sentir e refletir e nos deixar alguma mensagem sobre coragem, dignidade e também sobre o poder da leitura. O filme referencia e reverencia a literatura, como importante instrumento cultural que é. E embora aparentemente seja simples e despretensioso, é conduzido com muita competência e tem muita beleza e poesia, inclusive na trilha sonora e fotografia. Igualmente possui muita força na direção de Isabel Coixet e na interpretação da britânica Emily Mortimer e dos também veteranos Patrícia Clarkson e Bill Nighy. Foi escolhido, de forma polêmica porém, o Melhor Filme do Goya 2018 (Oscar espanhol) e a diretora ganhou os prêmios de Melhor Direção e Roteiro Adaptado. Ela já tem um currículo respeitável (Minha vida sem mim, A vida secreta das palavras, entre outros). A mensagem leve, mas pretensiosa em seu íntimo, apresenta também, en passant, os efeitos que algumas pessoas, sem perceber, causam na vida das outras. Muitas vezes de  forma definitiva.   8,5

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TERCEIRA PESSOA

Não é um filme fácil de digerir, tanto que tem despertado as mais variadas críticas, havendo desde comentários entusiasmados, até críticas severas (a cotação varia de 1 a 4 estrelas). Os críticos na verdade concentram sua artilharia não na profundidade do filme, muito pelo contrário: acusam-no de vazio, de utilizar recursos e personagens sem uma finalidade bem concebida ou definida etc. e tal. Não é a minha opinião. As tramas que se passam em três metrópoles diferentes (Roma, Paris e Nova York), vão se sucedendo e se alternando, criando bastante mistério e deixando o espectador intrigado, não só com os fatos que ocorrem, como ao tentar antecipar/antever o que vai acontecer e como eventualmente as tramas vão se entrelaçar (as famosas histórias “entrecruzadas”). O ritmo é muito bom pelo trabalho de edição (talvez a própria edição impeça alguns aprofundamentos…mas desnecessários a meu ver), achei a direção muito boa e o elenco é excelente, com belas atuações de Liam Neeson, Kim Bassinger, Olívia Wilde e Adrien Brody. Não gosto muito do ator James Franco e Mila Kunis não me diz nada, mas não creio que comprometam o filme, com certos críticos apontam. Também não penso que Olívia seja só uma atriz bonita: vejo-a como muito talentosa também. E tampouco acho que tudo foi construído para nada. Gostei do roteiro e achei certas partes do filme muito interessantes e algumas até desconcertantes, embora uma ou outra cena pudesse ser dispensada. A parte final do filme pode causar uma grande surpresa e intensas emoções (principalmente por quem se limita a ir desfrutando e esperando as surpresas acontecerem, sem tentar adivinhar…). O diretor Paul Haggis é o mesmo que ganhou um Oscar com seu polêmico Crash – no limite8,5

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EUPHORIA

Talvez todos precisássemos exorcizar nossos demônios com mais frequência. Há os que não querem, há também os que não tentam e os que não conseguem. Quem estiver procurando um drama leve ou uma comédia, fuja deste filme. Mas assisti-lo será uma oportunidade de enfrentar fatos dos quais procuramos manter distância segura e que dizem respeito ao tempo final de nossas vidas. Se não é um filme fascinante ou perfeito, no mínimo tem instantes contemplativos (a trilha sonora ajuda), de grande significado e propicia alguma reflexão e importantes lições. Como, por exemplo, a que se extrai da fala do personagem interpretado pelo carismático ator Charles Dance (Tywin Lanister em Game of Thrones): “as pessoas tendem a pensar que há algum tipo de significado. Algo que elas devem ser capazes de entender antes de morrer. Não há nada para entender. Você apenas morre. Elas se recusam a aceitar que suas vidas são completamente sem sentido. Por que uma vida de repente se tornaria importante apenas porque você está prestes a morrer?…No final, somos todos patéticos”. A palavra “euforia” tem origem no Grego “euphoria“, que significa “capacidade de aguentar facilmente” e segundo consta da internet o termo foi usado pioneiramente no século 19, para definir o contentamento dos viciados em morfina. Um drama forte, pungente – a eutanásia às vezes é mais chocante do que se imagina -, intensificado pelas excelentes atrizes Alícia Vikander, Eva Green e Charlotte Rampling e dirigido/roteirizado pela cineasta sueca Lisa Longseth, em seu primeiro filme em língua inglesa.  7,8

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FORTY GUNS (DRAGÕES DA VIOLÊNCIA)

Este é um faroeste de 1957, com os ingredientes de sempre e mais outros adicionais que fazem com que o filme valha a pena ainda hoje, inclusive para aqueles que não são especialmente fãs do gênero. O filme tem ótimo roteiro (em parte bem original), uma bela fotografia, cenários, ótima trilha sonora e música-tema embalada no violão (e que fecha o filme com maestria), além de mais dois elementos muito importantes: o diretor Samuel Fuller e a maravilhosa Bárbara Stanwyck, que na época do filme já tinha 50 anos e que 25 anos depois seria agraciada com um Oscar honorário, pelo conjunto de sua arte como atriz. Embora haja notícias de que ela teria sido um “dedo duro” de seus colegas de cinema em épocas “negras”, isso aqui assume um caráter absolutamente irrelevante (até porque tais fatos teriam ocorrido muitas décadas depois). Pois como atriz ela dá um banho em todos os papéis que interpretou, revelando sempre seu talento, profundidade e versatilidade (sabe montar a cavalo etc.), não sendo este filme exceção. O protagonista (US Marshal) é bem interpretado por Barry Sullivan e um de seus irmãos por Gene Barry, ator que 1 ano mais tarde faria Bat Masterson, o famoso personagem da série de TV (produzida de 1958 a 1961). É um drama de aventuras com romance, onde estão em jogo paixões, interesses e sentimentos, inclusive de lealdade, no velho Oeste do final do século 19. Mas também há toques de leveza em alguns momentos. Faroeste de qualidade e que prende a atenção do começo ao fim. Seu título se refere ao “comboio” de pistoleiros que sempre acompanha a protagonista, a poderosa dama, dona do rancho e da cidade.  8,5

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LEON ON PETE

Este é um filme produzido no Reino Unido (co França) sem rebuscamentos, sem efeitos especiais, sem heroísmos baratos e seu título ostenta o nome do animal com o qual interage o personagem principal. Seu mérito é o de contar muito bem uma história de pessoas e conexões, que nada tem de extraordinária e que podemos observar ao nosso redor, ou mesmo imaginar a sua existência, embora a realidade do filme enfoque o noroeste americano (Idaho, Oregon, Wyoming…). São as tragédias do dia a dia, mostradas sob vários enfoques e uma difícil e desafiadora jornada que acompanhamos com interesse, conduzida pelo personagem adolescente-adulto muito bem interpretado por Charlie Plummer. A sua competência na interpretação, aliada à do roteirista e diretor Andrew Haigh (Weekend, 45 anos…) nos tornam cúmplices das emoções (inclusive em parte road movie) e da determinação da procura, provocando inclusive reflexões diversas…por exemplo sobre como seria ficar de repente sem referências no mundo, com um tênue fio de esperança e dele parecer depender nosso destino…A trilha sonora, a fotografia, tudo é muito bem dosado e a história é contada sem exageros e sem pieguices. Talvez o filme, afinal, traga uma lição sobre perseverança, sobre tenacidade, sobre o livre arbítrio ou até sobre a sorte ou o azar…pode-se até concluir que, de certo modo, acabamos sendo todos  sobreviventes e a dor e o desespero ficam dependendo apenas da cor que atribuímos a elas: são as perdas e as atitudes de superação. De todo modo, um filme sensível e comovente, onde também atuam o ótimo Steve Buscemi e Chloë Sevigny, entre outros.  8,5

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