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MEMOIR OF A MURDERER

Esta é mais uma produção sul-coreana de qualidade, consistindo em um belo filme do estilo policial. Um thriller, na verdade. No mínimo, vemos fatos de uma forma bem diferente da que é mostrada pelo cinema americana e até mesmo diferenciada em relação aos outros países que produzem coisas desse gênero. Ou seja, foge ao lugar-comum, o que por si só já é muito bom para o espectador que aprecia coisas novas e instigantes. O roteiro tem algumas estranhezas (talvez de momento, talvez pela cultura oriental), provoca certa confusão em determinados momentos, mas tem bastante originalidade desse cinema que cada vez mais vem se destacando no cenário mundial. O filme é tenso, intrigante e bastante violento, apresentando em muitos trechos interpretações impactantes/excelentes do elenco. Muito suspense, até um pouco de terror, tem sua originalidade também no fato de que trata de assassinatos em série e ao mesmo tempo do Mal de Alzheimer – o que justifica o seu simples porém ótimo título -, mistura realmente diferente e que dá ensejo a muitas alternativas dramáticas. Naturalmente impressiona, mantém o interesse e ao menos no final também comove, o que também é um grande mérito.  8,5

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DESOBEDIÊNCIA

Após um longo afastamento de sua terra natal por razões que ficaram envoltas em mistério na época, a personagem interpretada pela atriz Rachel Weisz retorna à Inglaterra por razões de luto, as quais, juntamente com o contexto todo, somente aos poucos vão se aclarando. Os fatos e o luto se passam dentro de uma comunidade judaica conservadora, onde naturalmente todos se submetem à obediência às normas, à autoridade do rabino, dos pais e onde a liberdade fica em parte tolhida pelos ritos rígidos e fechados, justamente sendo os fatos que dão origem ao título do filme, que diz respeito diretamente a um passado que retorna como incômodo, para assombrar uma rotina tão sistemática/regrada.  Um drama que vai se desenvolvendo e intensificando aos poucos e que atinge momentos de grande densidade emocional, havendo ao final pelo menos duas cenas belíssimas. Inclusive o que parece previsível ao espectador pode deixar de ser…notadamente após certa notícia inesperada. Os personagens são muito bem interpretados, principalmente por Rachel McAdams e Alessandro Nivola, retratando com talento a intensidade do sofrimento experimentado. Na verdade, os papéis aqui representam um especial desafio para as duas atrizes (ambas Rachel), quer pela dificuldade relativa aos próprios personagens, quer pela natureza e força das cenas, provavelmente as mais ousadas na carreira de ambas.  8,2

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ESTIGMA DA CRUELDADE (THE BRAVADOS)

Um dos ótimos westerns de todos os tempos, na verdade um faroeste dos bons tempos, no caso de 1958, com direção de Henry King (Jesse James, lenda de uma era sem lei, As neves de Kilimanjaro, O cisne negro, Suave é a noite…) e protagonizado por Gregory Peck. O ator tem alguns ótimos momentos, embora sempre tenha carregado com ele o estigma do “homem correto” em todos os filmes que fez, sendo considerado um ator bom e carismático, porém com limites. Além dele, as presenças de Joan Collins (não muito convincente como mexicana…), Henry Silva e Lee Van Cleef (já com o jeito do grande vilão que viria ser). Também trabalha no filme, fazendo o papel de carrasco, o ator Joe De Rita, que a partir daquele ano passaria a ser o novo “Curly Joe” de “Os três patetas”. Na verdade, o diretor somente aceitou fazer o filme em homenagem ao amigo Peck e, depois, tomado de uma grande inspiração acabou mudando o roteiro que recebeu, justamente no aspecto que acabou sendo o que destacou o filme em meio aos demais do gênero (parte final). Realmente a parte final do filme coroa com muita felicidade uma aventura dramática, com conflitos morais, cavalgadas nas sombras, trilha sonora palpitante (“The Hunter” é o tema principal) e paisagens deslumbrantes: aquelas magníficas amplidões que só os cenários do velho Oeste oferecem, no caso nas montanhas, florestas e planícies de locações no México (Cinemascope e Technicolor). O chamado herói se nutre do mais puro desejo obsessivo de vingança, em uma era onde já se revelava cada vez mais o propósito dos homens de encontrar o seu lugar, a sua paz, com alguma humanidade. De todo modo, o que vemos é a busca da justiça e no final o homem confrontando suas dúvidas, seus equívocos (o peso do “não-retorno”) e a frase do xerife – na porta da Igreja (fé) – resume tudo, adquirindo uma dubiedade jamais suspeitada por ele: “Deus escreve certo por linhas tortas”.  8,8

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PERFEITOS DESCONHECIDOS (PERFETTI SCONOSCIUTI)

Produção italiana de 2016, o filme tem alguns desdobramentos, mas em resumo trata-se de um jantar entre amigos, onde nasce a ideia um jogo, pelo qual todos concordam em ficar expostos à revelação de eventuais segredos ou a que sejam escancaradas as verdades que se costuma guardar a sete-chaves (uma espécie de “jogo da verdade” moderno). Os amigos sempre pensam que se conhecem, principalmente os que convivem há muitos anos. Será? Ou será que todas as pessoas ou pelo menos grande parte delas guardam segredos inconfessáveis? Ainda mais nos tempos de hoje, de internet, anonimato/relações virtuais, whats app – nossos celulares serão realmente nossas “caixas pretas”? O título do filme sugere exatamente isso e a proposta é de uma comédia (de humor negro), que acaba se desdobrando em drama. Os fatos acontecem em uma noite de eclipse, fato que dá um certo tom de misticismo ou sobrenatural, justificado na parte final do filme. É uma obra inteligente, divertida, leve, mas também tem seu lado forte, quando escancara o preconceito e deixa como recado uma importante crítica social, quando expõe fragilidades e revela as máscaras sob as quais os humanos se escondem, fazendo-nos também pensar/refletir sobre se seria possível não acontecer dessa forma…Um ótimo e harmonioso elenco (interpretação bastante natural e afinada), com também ótima direção de Paolo Genovese (The Place – também com Valério Mastandrea -, entre outros). Um ano após ser produzido este filme, houve uma adaptação pelo cinema espanhol (Perfectos desconocidos), com direção de Álex de la Iglesia (O bar…). Apesar da grande semelhança das duas versões, na minha opinião o italiano é superior em todos os sentidos, inclusive no que se refere à exploração do eclipse, que no filme espanhol merece algumas críticas.  8,8

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CALIBRE

Esta é uma produção da Netflix e cabe primeiramente um importante conselho: não saber nada a respeito do filme (não ver trailer, não ler sinopse etc.) e simplesmente desfrutá-lo, porque assim as emoções serão maiores. Primeiro, porque a história se passa em locações não usuais e com um “clima” que evoca o cinema “noir” e é enaltecido pela ótima fotografia (inclusive nas muitas cenas noturnas), diferente do que se costuma ver, inclusive por se passar na Escócia, nas misteriosas florestas e em um vilarejo fictício. Segundo, porque o roteiro é realmente interessante e instigante, conduzindo o espectador da aventura para o drama/suspense (thriller) e principalmente na parte final acumula grande tensão e tudo fica imprevisível, embora com um cheiro de tragédia no ar. Inclusive nos é apresentada uma situação limite de grande conteúdo moral/ético. É o homem diante do imprevisível, do seu descontrole, em uma vastidão territorial que aparenta total monotonia, mas onde muitas coisas podem acontecer. O filme inquieta, angustia e o elenco é ótimo, com excelente direção de Matt Palmer, que também é o autor do roteiro.  8,8

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NOVEMBER

Atenção: este é um filme estranho, totalmente fora do convencional. Pode-se enquadrá-lo na categoria de “Cinema de arte”, inclusive porque foi o representante da Estônia no Oscar na categoria de Melhor Filme Estrangeiro (não se classificou, porém, entre os 5 finalistas). Foi produzido em 2017 (co-Polônia) e filmado nos dois países com uma espetacular fotografia em preto e branco, que chama bastante a atenção (simplesmente deslumbrante), juntamente com a trilha sonora (com músicas tensas e dramáticas, embora também apresente Moonlight Sonata do Beethoven). A música valoriza bastante o “clima” do filme, que é uma mistura de drama com fantasia, mitologia estoniana, humor negro e até romance. A época é medieval (o branco-e-preto fica bem adequado) e a história ocorre em uma aldeia pagã, com várias estranhezas acontecendo ao mesmo tempo, incluindo sonambulismo, bruxaria, lobisomem e até mesmo a prática de furtos escancarados da população, que acha que tem direito a tudo que está em sua terra, em prejuízo dos senhores alemães. Uma das grandes esquisitices é o “kratt”, um ser mágico formado por metais/instrumentos agrícolas e palha e que serve aos seus donos, geralmente para furtar coisas (até vaca). Parece um robô rural do mal. É um filme para ser visto com paciência e curiosidade e certamente haverá os que gostem (fascinados pela bizarrice e/ou pelo estilo) e os que detestem, mas só pelo fato de ser diferente e de ter uma história original e imprevisível, com ótima trilha sonora e fotografia espetacular, já vale a visita. 8,0

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MARY SHELLEY

Sabemos de antemão (pelo título) que se trata de um filme sobre a autora de um dos maiores clássicos da literatura: Frankestein. É a cinebiografia da escritora, narrada de uma forma atraente, com boa reconstituição de época, e mostrando a miséria e o cenário do início do século XIX, bem como os fatos históricos que inspiraram a confecção do livro: o galvanismo (fenômeno elétrico produzido por processos químicos – que hoje pode ter alguma associação com o desfibrilador), uma importante perda, o sentimento de abandono, a eletricidade da tempestade, as pessoas com quem a escritora conviveu, entre elas Lord Byron (famoso poeta inglês e de vida nada conservadora) e Polidori (poeta e médico, a quem se credita a invenção do gênero de ficção envolvendo o vampirismo). O filme é importante também pelo retrato de uma época  na qual as mulheres estavam longe de terem reconhecido seus direitos, ainda mais de serem escritoras (a primeira edição do livro saiu, por tal razão, no nome do companheiro de Mary, o famoso poeta Percy Shelley). E fundamental ao revelar a verdadeira profundidade e essência do livro gótico Frankestein, que é muito mais do que uma obra de terror ou ficção científica, tanto que pertence à literatura universal. Muito embora Mary tenha tido pai filósofo e escritor e mãe (falecida quando completou 10 anos) feminista e também escritora, seja liberal e tenha apreço pela ciência, ficamos curiosos  sobre como chegará, nas condições em que vivia, a escrever uma obra com tamanho significado e arrojo. E o filme vai mostrando os fatos, embora de forma algo seca e econômica em muitas cenas, ao estilo da diretora/roteirista árabe Haifaa Al-Mansour (O sonho de Wadjda), contendo também alguma superficialidade e em certos trechos chegue a beirar o “novelão”. Mas é verossímil quanto às relações e às fontes de inspiração e felizmente a atriz Elle Fanning é muito boa e expressiva, apesar da idade (20 anos, embora com currículo de mais de 20 filmes) e também a parte final do filme faz valer o ingresso, com a realidade do mercado editorial da época, a forte personalidade de Mary, o reencontro com o pai, entre outros fatos que pareciam represados ao longo da história e que na parte final aparecem com notável emoção. E somos, então e finalmente, apresentados à efetiva importância da obra e conhecemos nos créditos finais o real destino dos principais personagens.  8,0

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A LIVRARIA (THE BOOKSHOP – LA LIBRERÍA)

Esta produção praticamente toda inglesa – e que se passa em uma cidade litorânea e conservadora da Inglaterra na década de 50 – não é um filme para nos deixar extasiados. Mas sim para nos fazer sentir e refletir e nos deixar alguma mensagem sobre coragem, dignidade e também sobre o poder da leitura. O filme referencia e reverencia a literatura, como importante instrumento cultural que é. E embora aparentemente seja simples e despretensioso, é conduzido com muita competência e tem muita beleza e poesia, inclusive na trilha sonora e fotografia. Igualmente possui muita força na direção de Isabel Coixet e na interpretação da britânica Emily Mortimer e dos também veteranos Patrícia Clarkson e Bill Nighy. Foi escolhido, de forma polêmica porém, o Melhor Filme do Goya 2018 (Oscar espanhol) e a diretora ganhou os prêmios de Melhor Direção e Roteiro Adaptado. Ela já tem um currículo respeitável (Minha vida sem mim, A vida secreta das palavras, entre outros). A mensagem leve, mas pretensiosa em seu íntimo, apresenta também, en passant, os efeitos que algumas pessoas, sem perceber, causam na vida das outras. Muitas vezes de  forma definitiva.   8,5

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TERCEIRA PESSOA

Não é um filme fácil de digerir, tanto que tem despertado as mais variadas críticas, havendo desde comentários entusiasmados, até críticas severas (a cotação varia de 1 a 4 estrelas). Os críticos na verdade concentram sua artilharia não na profundidade do filme, muito pelo contrário: acusam-no de vazio, de utilizar recursos e personagens sem uma finalidade bem concebida ou definida etc. e tal. Não é a minha opinião. As tramas que se passam em três metrópoles diferentes (Roma, Paris e Nova York), vão se sucedendo e se alternando, criando bastante mistério e deixando o espectador intrigado, não só com os fatos que ocorrem, como ao tentar antecipar/antever o que vai acontecer e como eventualmente as tramas vão se entrelaçar (as famosas histórias “entrecruzadas”). O ritmo é muito bom pelo trabalho de edição (talvez a própria edição impeça alguns aprofundamentos…mas desnecessários a meu ver), achei a direção muito boa e o elenco é excelente, com belas atuações de Liam Neeson, Kim Bassinger, Olívia Wilde e Adrien Brody. Não gosto muito do ator James Franco e Mila Kunis não me diz nada, mas não creio que comprometam o filme, com certos críticos apontam. Também não penso que Olívia seja só uma atriz bonita: vejo-a como muito talentosa também. E tampouco acho que tudo foi construído para nada. Gostei do roteiro e achei certas partes do filme muito interessantes e algumas até desconcertantes, embora uma ou outra cena pudesse ser dispensada. A parte final do filme pode causar uma grande surpresa e intensas emoções (principalmente por quem se limita a ir desfrutando e esperando as surpresas acontecerem, sem tentar adivinhar…). O diretor Paul Haggis é o mesmo que ganhou um Oscar com seu polêmico Crash – no limite8,5

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EUPHORIA

Talvez todos precisássemos exorcizar nossos demônios com mais frequência. Há os que não querem, há também os que não tentam e os que não conseguem. Quem estiver procurando um drama leve ou uma comédia, fuja deste filme. Mas assisti-lo será uma oportunidade de enfrentar fatos dos quais procuramos manter distância segura e que dizem respeito ao tempo final de nossas vidas. Se não é um filme fascinante ou perfeito, no mínimo tem instantes contemplativos (a trilha sonora ajuda), de grande significado e propicia alguma reflexão e importantes lições. Como, por exemplo, a que se extrai da fala do personagem interpretado pelo carismático ator Charles Dance (Tywin Lanister em Game of Thrones): “as pessoas tendem a pensar que há algum tipo de significado. Algo que elas devem ser capazes de entender antes de morrer. Não há nada para entender. Você apenas morre. Elas se recusam a aceitar que suas vidas são completamente sem sentido. Por que uma vida de repente se tornaria importante apenas porque você está prestes a morrer?…No final, somos todos patéticos”. A palavra “euforia” tem origem no Grego “euphoria“, que significa “capacidade de aguentar facilmente” e segundo consta da internet o termo foi usado pioneiramente no século 19, para definir o contentamento dos viciados em morfina. Um drama forte, pungente – a eutanásia às vezes é mais chocante do que se imagina -, intensificado pelas excelentes atrizes Alícia Vikander, Eva Green e Charlotte Rampling e dirigido/roteirizado pela cineasta sueca Lisa Longseth, em seu primeiro filme em língua inglesa.  7,8

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FORTY GUNS (DRAGÕES DA VIOLÊNCIA)

Este é um faroeste de 1957, com os ingredientes de sempre e mais outros adicionais que fazem com que o filme valha a pena ainda hoje, inclusive para aqueles que não são especialmente fãs do gênero. O filme tem ótimo roteiro (em parte bem original), uma bela fotografia, cenários, ótima trilha sonora e música-tema embalada no violão (e que fecha o filme com maestria), além de mais dois elementos muito importantes: o diretor Samuel Fuller e a maravilhosa Bárbara Stanwyck, que na época do filme já tinha 50 anos e que 25 anos depois seria agraciada com um Oscar honorário, pelo conjunto de sua arte como atriz. Embora haja notícias de que ela teria sido um “dedo duro” de seus colegas de cinema em épocas “negras”, isso aqui assume um caráter absolutamente irrelevante (até porque tais fatos teriam ocorrido muitas décadas depois). Pois como atriz ela dá um banho em todos os papéis que interpretou, revelando sempre seu talento, profundidade e versatilidade (sabe montar a cavalo etc.), não sendo este filme exceção. O protagonista (US Marshal) é bem interpretado por Barry Sullivan e um de seus irmãos por Gene Barry, ator que 1 ano mais tarde faria Bat Masterson, o famoso personagem da série de TV (produzida de 1958 a 1961). É um drama de aventuras com romance, onde estão em jogo paixões, interesses e sentimentos, inclusive de lealdade, no velho Oeste do final do século 19. Mas também há toques de leveza em alguns momentos. Faroeste de qualidade e que prende a atenção do começo ao fim. Seu título se refere ao “comboio” de pistoleiros que sempre acompanha a protagonista, a poderosa dama, dona do rancho e da cidade.  8,5

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LEON ON PETE

Este é um filme produzido no Reino Unido (co França) sem rebuscamentos, sem efeitos especiais, sem heroísmos baratos e seu título ostenta o nome do animal com o qual interage o personagem principal. Seu mérito é o de contar muito bem uma história de pessoas e conexões, que nada tem de extraordinária e que podemos observar ao nosso redor, ou mesmo imaginar a sua existência, embora a realidade do filme enfoque o noroeste americano (Idaho, Oregon, Wyoming…). São as tragédias do dia a dia, mostradas sob vários enfoques e uma difícil e desafiadora jornada que acompanhamos com interesse, conduzida pelo personagem adolescente-adulto muito bem interpretado por Charlie Plummer. A sua competência na interpretação, aliada à do roteirista e diretor Andrew Haigh (Weekend, 45 anos…) nos tornam cúmplices das emoções (inclusive em parte road movie) e da determinação da procura, provocando inclusive reflexões diversas…por exemplo sobre como seria ficar de repente sem referências no mundo, com um tênue fio de esperança e dele parecer depender nosso destino…A trilha sonora, a fotografia, tudo é muito bem dosado e a história é contada sem exageros e sem pieguices. Talvez o filme, afinal, traga uma lição sobre perseverança, sobre tenacidade, sobre o livre arbítrio ou até sobre a sorte ou o azar…pode-se até concluir que, de certo modo, acabamos sendo todos  sobreviventes e a dor e o desespero ficam dependendo apenas da cor que atribuímos a elas: são as perdas e as atitudes de superação. De todo modo, um filme sensível e comovente, onde também atuam o ótimo Steve Buscemi e Chloë Sevigny, entre outros.  8,5

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THE TALE

Este é um drama forte, corajoso, poderoso pela temática delicada, valorizado pela interpretação de Laura Dern e também de Isabelle Nélisse (14 anos e que faz a personagem de Laura quando tinha 13 anos) e da veterana e sempre ótima Ellen Burstyn. Além de ter uma belíssima direção por Jennifer Fox. Coincidentemente o tema do filme lembra recente acontecimento no Brasil, abordando fatos da vida real e que ocorreram na adolescência (ou pré) da diretora. Em razão do sucesso no Festival de Sundance, o filme foi comprado pela HBO e agora está fazendo “carreira” também na televisão. Tal êxito se deve não apenas à sua qualidade cinematográfica, mas principalmente à atualidade e importância do assunto, ainda mais se considerado o número sucessivo de escândalos que se verificam em diversos países no mundo, causando não apenas surpresas constantes (inclusive pelo nome dos protagonistas), mas também relevantes preocupações a respeito de como tutelar as vítimas de mal tão difícil de ser imediatamente constatado (e denunciado). O que deu origem a expressivos movimentos e a várias campanhas em todos os cantos do mundo civilizado. Não se sabe se todos os detalhes do filme são autobiográficos, mas efetivamente o roteiro é muito bem construído, inclusive ao enfocar tanto a situação da violência (que no caso aparenta normalidade, o que dá a dimensão da perversidade do ato), como a da possibilidade da percepção da realidade apenas com o passar do tempo: o que choca igualmente, porque é a realidade escancarada. O filme dosa muito bem todos os seus elementos, inclusive a mescla das cenas do passado com as do presente (inclusive investigatórias), sendo efetivamente uma obra de grande e oportuno fôlego.  9,0

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A LONGA CAMINHADA DE BILLY LYNN

O filme retrata o retorno temporário de soldados de elite, do Iraque, e as comemorações de seus atos de heroísmo, especialmente do soldado que foi filmado em meio a uma batalha arriscando a vida para tentar salvar seu sargento. Esse regresso, porém, não se dá mais como narravam os livros de história, com a mera e simples celebração dos heróis (embora efusiva, com desfiles pela cidade etc.). Existe na modernidade toda uma exigência formal em torno dos fatos importantes, envolvendo os interesses da mídia e a homenagem a heróis de guerra não pode fugir à exceção, tendo de se submeter a essas exigências de público e investimentos. E nesse caminho e ritmo o filme constrói um painel realista do mundo de hoje, sobre o poder da mídia que corrompe, os valores e a mudança de foco em relação aos eventos importantes, a efemeridade dos mitos, a velocidade da informação – que transforma em pouco tempo o essencial em descartável…em suma, a alienação dos nossos jovens e do nosso tempo, mostrando subtextos vários, como o de que o futebol continua sendo o ópio do povo, e o de que um soldado será sempre um patriota e vai querer continuar soldado etc. Em suma, como os heróis de guerra são atualmente vistos pela mídia e pela população  e, também, como eles mesmos se enxergam. Um filme rico, repleto de ironias (o auge da homenagem se dá no intervalo de uma final de futebol americano, junto com o show do Destiny´s Child – grupo da Beyoncé) e muito bem realizado, sendo muito interessantes os diálogos, bem como os flash back e as cenas paralelas da guerra com o show business. Muito feliz, no desfecho, a frase de um dos soldados: “me conduzam para um lugar seguro, me levem de volta pra guerra”. Ótima Kristen Stewart, muito bom e em papel bem diferente Steve Martin e ainda de conhecida a presença de Vin Diesel, o restante do elenco não sendo famoso. O diretor, sim, é o festejado tailandês Ang Lee (O tigre e o dragão, O segredo de Brokeback Mountain, As aventuras de PI…). O interessante também sobre este filme é que as críticas e opinião são as mais variadas possíveis, indo de ruim até ótimo (de uma a quatro estrelas).  8,5

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POR TRÁS DOS SEUS OLHOS (ALL I SEE IS YOU)

Um drama (EUA-Tailândia), que acaba sendo um thiller, isto é, drama com suspense. Se lermos o roteiro, não encontraremos nada de muito destaque em termos de originalidade. Entretanto, a maneira como a história é contada é que se mostra aqui essencial: o trabalho de direção, edição, trilha e fotografia é muito bom realmente. O ritmo muito bem dosado e o estilo do diretor (a forma) é que valorizam o conteúdo. Eis o “achado” do filme: a “forma” compensando um conteúdo relativamente frágil, embora se possa ler algumas metáforas nas entrelinhas. E embora também não haja uma boa química entre o par central (ele, Jason Clarke). Mas temos, então, um filme que desperta e vai mantendo o interesse e se revelando cada vez mais intrigante, mérito também da ótima atriz Blake Lively (A incrível história de Adeline, Águas rasas…) e dos momentos de crise mostrados, em que se percebe nitidamente o naufrágio de um relacionamento, o instante da ruptura e do desencanto. E a questão passa a ser a das alternativas para resgatar o que parece ser irrecuperável. Haverá saída? Será ela lícita, moral ou ética?  E na sequência, aparece ainda uma surpresa para se agregar aos ingredientes até então bem manipulados. Contudo e também surpreendentemente, o que vinha bem sofre uma repentina e severa mudança: uma forte quebra. O estilo do diretor que era a mágica, passa a produzir efeito contrário, a forma perdendo contato com o conteúdo, as doses passando a ser mal aplicadas, criando um emaranhado sem harmonia, sem sentido lúcido e que rompe com a primeira parte do filme e com a atenção/sensação que até então provocava. Ficamos torcendo para que sejam passageiros esses momentos, mas infelizmente duram até a cena final, que é o desfecho da pressa e do superficial que se instala, como se o orçamento exigisse soluções rápidas. Uma pena essa parte final, embora mesmo assim, pelo conjunto todo, o filme mereça alguma apreciação.  7,7

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THE PLACE

Filme de encerramento da 11ª Festa do Cinema Italiano, alguém já o comparou a “um consultório de psicanálise”. Em parte foi uma ótima definição. Porém é muito mais que isso. Pode lembrar às vezes Fausto, ser considerado como um mero conto, ou uma fábula até. Mas também uma hábil mistura… Realmente o que chama atenção é a originalidade do roteiro, porque temos um personagem fazendo ponto em uma mesa de lanchonete/restaurante (aparentemente sem sair dali nem pra dormir) e pessoas comuns diversas (com problemas variados) que vão chegando e se revezando em conversas com ele na mesa. Mas aí é que está o cerne da questão: a natureza dessa conversa. Nesse ponto, o filme se destaca pela bela ideia e pelo mistério que orbita em torno dessa ideia, do começo ao fim: quem é esse intrigante personagem? Qual o objetivo de fazer o que faz? O que vai acontecer com as pessoas que com ele conversam e recebem as “tarefas” (indigestas/proibidas/perigosas/imorais/ilegais)? Alguns destinos vão se entrelaçar? São perguntas que terão respostas. Mas nem todas, deixando a cada espectador a possibilidade de completar as reticências seu modo. O filme é uma adaptação de uma série dramática de TV americana e apresenta sérias e profundas discussões/reflexões sobre a natureza humana e seus limites, sobre o que ela tem de bom e de mau e imprevisível: o lado escuro e sombrio da alma. Mais perto do final, uma das melhores frases do filme e que o explica ou justifica (contudo não inteiramente…), quando alguém diz ao personagem do ator Valério Mastandrea que ele é um monstro e ele dá a magistral resposta. Por sinal, embora todo o elenco esteja ótimo, o premiado ator é perfeito para o papel, porque tem um jeito ao mesmo tempo triste, soturno, misterioso e enigmático, exatamente o que pede o personagem. Um filme rico de propostas e opções, inclusive filosóficas.  8,7

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UM LUGAR SILENCIOSO

O diretor do filme John Krasinski é o ator principal e marido da atriz, Emily Blunt: ambos são bons, mas ela é ótima! E o filme, cujo gênero é o suspense/terror, entrega mais do que o usual, sendo bastante interessante. Vemos o que seria uma vida cotidiana de família, mas com o horror em torno: a impossibilidade de emitir sons altos, sob pena de chamar a atenção de seres sensíveis ao ruído (cegos) e que atacam como violentos assassinos/predadores. Seria um futuro, com a Terra invadida por alienígenas? Parece que sim. Não há muitas explicações fornecidas. O mistério é permanente e o suspense e os demais ingredientes extremamente bem dosados e com sintomas fortes de realismo, de tal forma que o filme atinge um nível a que normalmente não chegam os similares, sendo às vezes quase “de arte” mas sem ser. Porém fica distante das produções do tipo B e está fazendo um enorme sucesso nos cinemas, justamente pela qualidade que o distingue dos demais do gênero. Algumas pequenas falhas de roteiro, mas forte na direção, trilha e fotografia envolventes, enfim, uma boa diversão e com um excelente final. 8,0

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DESEJO DE MATAR

Remake do filme  – na verdade uma série de filmes – que tornou Charles Bronson muito famoso na década de 70, este tem um acabamento moderno, “meio estilo gibi” e estrelado por Bruce Willis. Na minha opinião, apesar de carismático, Bruce beira o canastrão em muitas cenas, ficando longe do perfil que Bronson imprimiu  de 1974 em diante, nos diversos filmes e que fizeram um estrondoso sucesso na época (e até hoje são constantemente reprisados na TV). Mas isso não prejudica, em razão da dinâmica do filme e, como dito, do charme e experiência do ator, principalmente com a série “Duro de matar”.  Quem já conhece a história não terá novidades. Quem não conhece, ainda assim verá que não haverá nada que não seja previsível, mas sim os típicos clichês do gênero ação com suspense. E algum senso de humor, mesmo que meio negro. Mas é um roteiro enxuto, que cumpre o que promete e desperta algumas emoções, principalmente as básicas do ser humano, que faz com que torçamos sempre e acintosamente para o “vigilante”. O filme entrega uma roupagem moderna do sucesso antigo e uma visão bastante atual dos fatos e diverte sem pretensões, mas de uma forma segura e que não compromete em nenhum momento os seus propósitos. Ótimo com pipoca e guaraná. O diretor é Eli Roth (Bata antes de entrar, O albergue…) e também dele participam Vincent D`Onofrio, Elisabeth Shue e Dean Norris, entre outros.  8,3

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NÃO SE MOVA (NON TI MUOVERE)

Este é um filme de 2004, dirigido por Sérgio Castellitto e baseado no romance de Margaret Mazzantini (esposa do cineasta), cujo título, pelo contexto, significa algo como “não me deixe”, “não me abandone”. O próprio diretor é o ator principal (muito bom), mas a atuação mais destacada no filme é de Penélope Cruz, que entrega uma soberba interpretação, inclusive consideradas a dificuldade do papel e a invulgar complexidade da personagem. Embora rotulado de romance, o filme na verdade é um drama. E pesado, com variados e ricos subtextos. Mas não só por isso é recomendado a públicos especiais: também porque a forma de contar a história é às vezes meio confusa, estranha (por fugir aos padrões habituais), podendo ser enquadrado perfeitamente dentro do gênero “filmes de arte”. De todo modo, é um trabalho impactante e muito bem realizado (inclusive com vários flashbacks), abordando temáticas bastante interessantes e até incômodas sob certo aspecto, pois relacionadas com perdas, desvios,…do comportamento, da alma (que há de explicar tais desvios, afinal???), com sentimentos de renúncia, com a miséria de certas vidas, com as escolhas principalmente diante do imprevisível e do acaso. Um filme de grande sensibilidade e bem ao feitio das melhores produções italianas do gênero.   8,7

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VOU RIFAR MEU CORAÇÃO

Este é um documentário de Ana Rieper, produzido em 2012, por ela e por Suzana Amado (produtora executiva), e que traça um impressionante painel da chamada música brega e daqueles que não apenas a ouvem e convivem com ela, mas que vivem a realidade narrada nas próprias letras. É um retrato realista e feito com muita verdade e sensibilidade do povo pobre do nordeste, mostrado em seus dramas passionais do dia a dia, nas letras das mais diversas músicas de um gênero geralmente esnobado por muitos. O filme é recheado de cenas do cotidiano desse povo sofrido e feliz ao mesmo tempo (frequentadores de botecos, prostitutas, motoristas, pedreiros, donos de bar etc.) e de relatos prestados por eles e também por alguns dos maiores cantores de sucesso do gênero popular, que também são entrevistados (como se não houvesse uma câmera na frente, mérito total da diretora) e externam sua visão dos fatos, inclusive sobre a criação da música popular romântica, suas relações e paralelos com o que se conhece como MPB. O filme é, então, constituído por músicas, imagens e depoimentos. Para se ter uma ideia desse retrato musical todo, na abertura Nelson Ned canta “Eu também sou sentimental” e no epílogo Agnaldo Timóteo interpreta “Perdido na noite”. Desfilam ao longo do filme, enaltecendo o imaginário romântico, e também sensual do povo brasileiro, entre outros, Odair José, Waldick Soriano, Amado Batista, Wando, Lindomar Castilho, Nélson Ned, Aguinaldo Timóteo, tecendo verdadeiras histórias e depoimentos sobre o povo, a música e os relacionamentos amorosos e passionais. A diretora mostra as dores e os prazeres do amor, a importância desse estilo de música para o povo simples e também escancarara o preconceito, sendo exemplo um dos depoimentos, ao deixar claro que apesar da “vestimenta” (rótulo), o amor exaltado por Chico Buarque, com seus dramas e mazelas, é exatamente o mesmo cantado por Agnaldo Timóteo. O documentário foi gravado principalmente em Sergipe e Alagoas e harmoniza de forma muito feliz as músicas com as cenas que vão sendo mostradas, absolutamente verdadeiras quanto a retratar uma realidade para a qual muitos fecham os olhos, mas que sempre se revelou absolutamente pungente. 8,8

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