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VOU RIFAR MEU CORAÇÃO

Este é um documentário de Ana Rieper, produzido em 2012, por ela e por Suzana Amado (produtora executiva), e que traça um impressionante painel da chamada música brega e daqueles que não apenas a ouvem e convivem com ela, mas que vivem a realidade narrada nas próprias letras. É um retrato realista e feito com muita verdade e sensibilidade do povo pobre do nordeste, mostrado em seus dramas passionais do dia a dia, nas letras das mais diversas músicas de um gênero geralmente esnobado por muitos. O filme é recheado de cenas do cotidiano desse povo sofrido e feliz ao mesmo tempo (frequentadores de botecos, prostitutas, motoristas, pedreiros, donos de bar etc.) e de relatos prestados por eles e também por alguns dos maiores cantores de sucesso do gênero popular, que também são entrevistados (como se não houvesse uma câmera na frente, mérito total da diretora) e externam sua visão dos fatos, inclusive sobre a criação da música popular romântica, suas relações e paralelos com o que se conhece como MPB. O filme é, então, constituído por músicas, imagens e depoimentos. Para se ter uma ideia desse retrato musical todo, na abertura Nelson Ned canta “Eu também sou sentimental” e no epílogo Agnaldo Timóteo interpreta “Perdido na noite”. Desfilam ao longo do filme, enaltecendo o imaginário romântico, e também sensual do povo brasileiro, entre outros, Odair José, Waldick Soriano, Amado Batista, Wando, Lindomar Castilho, Nélson Ned, Aguinaldo Timóteo, tecendo verdadeiras histórias e depoimentos sobre o povo, a música e os relacionamentos amorosos e passionais. A diretora mostra as dores e os prazeres do amor, a importância desse estilo de música para o povo simples e também escancarara o preconceito, sendo exemplo um dos depoimentos, ao deixar claro que apesar da “vestimenta” (rótulo), o amor exaltado por Chico Buarque, com seus dramas e mazelas, é exatamente o mesmo cantado por Agnaldo Timóteo. O documentário foi gravado principalmente em Sergipe e Alagoas e harmoniza de forma muito feliz as músicas com as cenas que vão sendo mostradas, absolutamente verdadeiras quanto a retratar uma realidade para a qual muitos fecham os olhos, mas que sempre se revelou absolutamente pungente. 8,8

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