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VERÃO DE 42 (HOUVE UMA VEZ UM VERÃO)

Este é um filme simples, de baixo orçamento… mas simplesmente maravilhoso. Respira delicadeza, lirismo, magia. Para mim, inesquecível. Talvez seu encanto atinja especialmente os homens e notadamente os que têm mais de 50 anos, porque o enfoque se dá sob a perspectiva masculina e da adolescência dos anos 50, cujos costumes certamente vão parecer até meio bizarros para os jovens de hoje…Mas está tudo ali e a identificação para os homens que nasceram naqueles anos é plena e o filme mergulha com rara sensibilidade no universo masculino dos 15 anos, da puberdade em plenos anos 40/50: a insegurança e expectativa dos primeiros contatos íntimos, os dilemas, incluindo o da compra do primeiro preservativo na farmácia (uma das várias cenas marcantes), o prazer-dever da conquista masculina, o desencanto com os amigos que parecem insensíveis ao amor…o primeiro amor…Hermie, interpretado por Gary Grimes, sintetiza todos os adolescentes do mundo ao vivenciar sua primeira paixão. E ele, junto com a música magnífica de Michel Legrand (elemento essencial e já clássica – Oscar de trilha sonora) e com a beleza de Jennifer O´Neill (que a fotografia valoriza com aura de deusa) formam um conjunto avassalador: Jennifer, por sinal e por acidente, nasceu no Rio de Janeiro e tinha 23 anos quando fez o filme. Há diversos, inúmeros, momentos deliciosos e antológicos, como o dos adolescentes lendo o livro proibido, as cenas de Hermie tentando se mostrar maduro perante a mulher mais velha…e a sua expressão facial, dentro do cinema e ao lado da garota, tendo ao fundo um filme de Bette Davis (A estranha passageira), é impagável. Dirigido por Robert Mulligan, em 1971, foi roteirizado por Herman (e não Hermie…!) Raucher, que comentou tempos depois do lançamento que os fatos realmente ocorreram com ele e que, após as primeiras exibições e a publicação do livro, recebeu carta da verdadeira Dorothy…E nos momentos finais, na casa de Dorothy, o filme reserva cenas para guardar na memória, como um tesouro de sensibilidade. Momentos doces, tristes, pungentes… E seu fechamento, coerente com a abertura, mantém o poema que é, com a narrativa do Hermie já adulto sobre os fatos que aconteceram naquele verão: No verão de 42 atacamos a Guarda Costeira quatro vezes, assistimos a cinco filmes e houve nove dias de chuva. Benjie quebrou seu relógio, Oscy desistiu da gaita e eu, de um modo muito especial, perdi Hermie para sempre… Para mim, uma obra definitiva sobre a adolescência daqueles anos, o primeiro amor e a perda da inocência (o chamado rito de passagem).  10,0

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