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TIMBUKTU

timbuktu-posterOs que gostam de filmes de arte vão apreciar. Produzido pela França e Mauritânia, concorreu por este último país ao Oscar 2015 de Melhor filme estrangeiro (ganho por Ida), mas ganhou o Cesar (Oscar francês) de Melhor filme e Melhor diretor (Abderrahmane Sissako). No meio do deserto, uma região de Mali (país que fica ao noroeste da África) é dominada por fundamentalistas islâmicos, que ali passam a aplicar seus critérios e métodos de justiça, sempre em nome de Alá e do Profeta: entre outros, proibir a música, o futebol – em uma bela cena aparecem os jogadores em plena partida, mas sem a bola…-, obrigar as mulheres a usarem véus e luvas, dar chibatadas em quem contrariar suas regras etc., percorrendo armados, e alguns com o rosto coberto, todos os caminhos de areia e de placidez da paisagem de um minúsculo, pobre e inofensivo povoado, que afinal tem que se resignar com o destino que lhe é imposto, pela força e em nome daquilo em que os extremistas acreditam. E ali acontece uma tragédia específica, que acaba sendo o elemento central da história, a qual destaca, além da ignorância dos dois lados (em sentidos diferentes), o absurdo dos atos de dominação e até dos aparentes anacronismos e contrastes: o uso de celular no meio de um total despojamento material, por exemplo, o apedrejamento de um casal enterrado na areia enquanto um homem faz coreografias de balé… na verdade, são homens armados combatendo ovelhas…O mais assustador é a violência insensata sendo aplicada com argumentos de fanatismo religioso! Ver criaturas já aprisionadas pela religião, tornarem-se ainda mais cativas de quem interpreta essa religião a favor de suas arbitrárias ações, da intolerância. O terror se instala sem pedir licença e com ares de normalidade. Impressionante o diretor ter conseguido realizar um filme com tamanha objetividade, eloquência e perfeição técnica (som, a pungente mas discreta trilha sonora, a belíssima fotografia e os enquadramentos, o perfeito domínio do tempo – ou seja, da duração das cenas…). Nem parece que estamos diante de atores e sim de um documentário e as reticências da cena final são de um peso imenso. Uma mensagem clara, pungente e que infelizmente reflete o mundo atual, seus perigos e violência, seus absurdos e sua insensatez e, sobretudo, a incerteza quanto ao que virá.  8,5

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