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SOLIDÕES

21054098_20131030160016207Este é um filme escrito, dirigido, musicado e em parte estrelado por Oswaldo Montenegro. E é um filme tão surpreendente e original quanto seu criador, que sempre foi um artista independente, vibrante e inquieto, com sede de aprender, criar, brincar… perfeccionista, ótimo instrumentista, cantor e compositor e que também aprendeu que a tendência das várias formas da arte é a sua miscigenação. E mais uma vez derivando para o cinema (o seu primeiro filme foi “Léo e Bia”), Oswaldo apresenta sua poção mágica: cinema, teatro, música, circo…preto e branco, colorido, efeitos psicodélicos, diversos tipos de câmera e de películas, histórias episódicas que se misturam…mas tudo dentro de um contexto muito bem coordenado. E que sensibiliza e faz pensar. Com destino certo, portanto, o pungente texto se aprofunda, inteligentemente, e aborda, sob diversos ângulos, a matéria difícil da solidão. E o faz com muita felicidade e maestria. Vemos depoimentos, entre sérios e engraçados, um Oswaldo que claramente se diverte fazendo o papel de diabo, atores e atrizes totalmente compenetrados em seus papéis (fruto dos ensaios e do método…), relatos dolorosos e abordagens que mostram a matéria humana dissecada, muito embora fique claro que o objetivo é também tentar não perder de vista a leveza. Tudo isso embalado por lindas e pungentes músicas. No elenco, não dá para deixar de citar uma das maiores promessas entre as atrizes da nova geração: Vanessa Giácomo. Como, da mesma forma, não dá para não reconhecer, por fim, o enorme e multifacetado talento do “Menestrel”! E após “viajarmos” por diversos caminhos, “bebermos” das mais variadas experiências humanas – algumas das quais absolutamente tocantes e emocionantes (as imagens de “A lógica da criação” são simplesmente espetaculares, em comunhão com letra e melodia)-, e termos talvez no afeto a única e derradeira resposta para tudo, vemos no encerramento do filme cenas com uma das mais belas músicas do repertório de Oswaldo e que aqui soa como uma verdadeira bordoada dentro do contexto: “A lista”. E então não se precisa dizer mais nada. 8,5

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