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MUDBOUND – LÁGRIMAS SOBRE O MISSISSIPI

O“Mississipi” do sub-título se refere ao vergonhoso e devastador racismo que predominou por muito tempo no sul dos EUA. No caso deste filme (logo disponível na Neflix), na época da segunda guerra mundial e a história focaliza basicamente a convivência e os dramas de duas famílias que compartilham espaços vizinhos em uma fazenda: só que uma é de brancos e a outra é de negros. A narrativa in off é bastante utilizada, sendo feita não por um, mas por vários personagens, o que imprime ao filme um caráter maior de verossimilhança. Mas as cenas efetivamente demonstram realismo e o filme tem passagens marcantes, algumas realmente fortes e chocantes, notadamente em sua parte final. Ótimo roteiro (indicado ao Oscar 2018 de Melhor roteiro adaptado) e fotografia, igualmente a direção de Dee Rees, que confirma a cada vez maior participação das diretoras mulheres, com clara demonstração de competência e talento. O filme é enxuto, os conflitos raciais e o ódio decorrente já são conhecidos mas sempre impressionam (como ver nos ônibus os pequenos espaços na parte de trás, destinados aos negros e a atuação da Ku Klux Klan) e o elenco também é ótimo: sou fã de Carey Mulligan. Achei exagerada, porém, a indicação da atriz Mary J. Blige para concorrer a Melhor atriz coadjuvante: ela trabalha bem, claro, mas nada notável e que merecesse a indicação, exceto a velha política americana do politicamente correto! A música também foi indicada e curiosamente composta pela mesma Mary J. Blige (será que reside aí a razão da indicação a coadjuvante???), porém só toca nos créditos finais, o que é reincidente no cinema americano. Sobre o desfecho do filme, talvez seja o único ponto a merecer alguma restrição, mas acho que depende de cada um e da mensagem que, afinal, a diretora pretendeu deixar no ar após mostrar tanta luta e sofrimento.  8,8

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