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MARY SHELLEY

Sabemos de antemão (pelo título) que se trata de um filme sobre a autora de um dos maiores clássicos da literatura: Frankestein. É a cinebiografia da escritora, narrada de uma forma atraente, com boa reconstituição de época, e mostrando a miséria e o cenário do início do século XIX, bem como os fatos históricos que inspiraram a confecção do livro: o galvanismo (fenômeno elétrico produzido por processos químicos – que hoje pode ter alguma associação com o desfibrilador), uma importante perda, o sentimento de abandono, a eletricidade da tempestade, as pessoas com quem a escritora conviveu, entre elas Lord Byron (famoso poeta inglês e de vida nada conservadora) e Polidori (poeta e médico, a quem se credita a invenção do gênero de ficção envolvendo o vampirismo). O filme é importante também pelo retrato de uma época  na qual as mulheres estavam longe de terem reconhecido seus direitos, ainda mais de serem escritoras (a primeira edição do livro saiu, por tal razão, no nome do companheiro de Mary, o famoso poeta Percy Shelley). E fundamental ao revelar a verdadeira profundidade e essência do livro gótico Frankestein, que é muito mais do que uma obra de terror ou ficção científica, tanto que pertence à literatura universal. Muito embora Mary tenha tido pai filósofo e escritor e mãe (falecida quando completou 10 anos) feminista e também escritora, seja liberal e tenha apreço pela ciência, ficamos curiosos  sobre como chegará, nas condições em que vivia, a escrever uma obra com tamanho significado e arrojo. E o filme vai mostrando os fatos, embora de forma algo seca e econômica em muitas cenas, ao estilo da diretora/roteirista árabe Haifaa Al-Mansour (O sonho de Wadjda), contendo também alguma superficialidade e em certos trechos chegue a beirar o “novelão”. Mas é verossímil quanto às relações e às fontes de inspiração e felizmente a atriz Elle Fanning é muito boa e expressiva, apesar da idade (20 anos, embora com currículo de mais de 20 filmes) e também a parte final do filme faz valer o ingresso, com a realidade do mercado editorial da época, a forte personalidade de Mary, o reencontro com o pai, entre outros fatos que pareciam represados ao longo da história e que na parte final aparecem com notável emoção. E somos, então e finalmente, apresentados à efetiva importância da obra e conhecemos nos créditos finais o real destino dos principais personagens.  8,0

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