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LOU ANDREAS-SALOMÉ

Como é bom conhecer histórias de “espíritos livres”, de “livres pensadores”, pessoas que desde cedo possuem a tendência (e depois a firme resolução) de romper com as regras vigentes. E pensar com sua própria cabeça sendo mulher no século 19 era um grande feito. Esse drama biográfico alemão (co-produção Suiça), dirigido pela alemã Cordula Kablitz-Post, conta justamente a história de Louise Von Salomé, que desde criança já tinha ideias à frente de seu tempo e idade e que mais tarde escandalizou a sociedade, por ser uma intelectual em época na qual a mulher era estimulada a ficar longe dos livros e também pelo seu modo de vida liberal e em razão dos relacionamentos que acabou mantendo, inclusive com alguns ilustríssimos personagens. Ela nasceu em São Petersburgo em 1861 e foi também filósofa, poeta, romancista e psicanalista, tendo sido uma das primeiras mulheres da história a publicar escritos a respeito da sexualidade feminina. Por conta de seu relacionamento com Freud (que o filme explora pouco), acabou sendo uma das poucas mulheres aceitas no Círculo Psicanalítico de Viena. Porém, foi longo o caminho de resolução do conflito liberdade/independência versus intimidade/sexualidade, o que as memórias que resolveu escrever aos 72 anos deixam também claro. O redator e quem a auxiliou nesse projeto foi o filólogo Ernst Pfeiffer, que consta ter sido um dos que também teria ficado encantado com a personalidade ousada e liberta da filósofa. Outros vínculos importantes envolveram Paul Rée, Friedrich Nietzsche e Rainer Maria Rilke, todos sendo retratados no filme como absolutamente hipnotizados, mesmo por alguém que desprezava qualquer relacionamento estável e convencional (desde sempre a ideia de Lou era de jamais casar ou ter filhos). Esse ponto talvez seja um dos falhos do filme, assim como dar ênfase em demasia ao lado amoroso, em detrimento dos aspectos das contribuições científicas da personagem. Entretanto, parece que a vida dela foi efetivamente uma simbiose, na qual os relacionamentos tiverem destaque realmente expressivo, pois em meio a uma sociedade conservadora…De todo modo, as virtudes do filme são muito maiores que os defeitos, mostrando um contexto importante da história, uma personagem de biografia pouco explorada (e que muito merece ser!) e as diversas camadas culturais europeias por onde transitou e onde deixou sua influência pessoal e profissional, junto com elas um painel de importantes transformações sociais, inserido o confronto entre filosofia e religião, o totalitarismo emergente (queima de livros repudiados pelo nazismo) etc. E o filme apresenta ainda uma forma muito original de mostrar as diversas localidades europeias, inserindo os personagens (em movimento) em fotografias e belíssimos cartões-postais de época (São Petersburgo, Roma, Berlim, Zurich…). 8,5

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