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JULIETA

julieta_posterComo é bom ver um filme feito por quem sabe contar uma história. Pedro Almodóvar em plena maturidade é – continua – realmente fora de série. Os cuidados com todos os elementos da produção e a maestria na direção só remetem de imediato a Woody Allen, que também imprime em seus filmes marcas pessoais. Almodóvar aqui está bem menos extravagante do que de costume, embora continue prestigiando a ótima (porém não bela) Rossy de Palma, que trabalhou em inúmeros filmes seus e mantenha alguns enfoques de estilo. Este é seu mais recente trabalho e que pelos comentários vai representar a Espanha no Oscar 2017 de Melhor Filme Estrangeiro. O filme é baseado em textos de obra de Alice Munro, escritora canadense ganhadora do Nobel de Literatura de 2013, e é uma viagem, em todos os sentidos (inclusive de tempo)…e embora a trilha sonora ostente um permanente tom de mistério – lembrando muito os filmes de Hitchcock (provável homenagem) -, na verdade se trata de um forte drama envolvendo relações, perdas, abandonos, tratados com profundidade, porém sem os exageros que caracterizaram o diretor em uma determinada época. Aqui os elementos estão muitíssimo bem dosados, inclusive pela excelência das interpretações, principalmente de Adriana Ugarte e Emma Suárez (embora também tenhamos Inma Cuesta e Darío Grandinetti, entre outros). Entretanto, conforme já dito, basta analisarmos o vermelho maravilhoso na apresentação e do bolo, o amarelo na frigideira, as cores dos vestidos e a música do fechamento do filme, por exemplo, para reconhecermos instantaneamente o carimbo de Almodóvar. Conforme o espectador e o momento, certamente haverá momentos realmente tocantes no filme e que soarão bastante verdadeiros em razão da excelência do trabalho.  9,0

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