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BLADE RUNNER 2049

Após escrever minha resenha, visito alguns sites e leio algumas coisas sobre o filme, para acrescentar informações interessantes aos comentários que faço (o que nem sempre ocorre). No caso, as críticas que li a este filme enfocam basicamente dois pontos: a longa duração e a parte a partir da qual Harrison Ford aparece. Discordo de ambas as vertentes. Em primeiro lugar, trata-se de uma obra singular, que reverencia e homenageia o cult de Ridley Scott (Blade Runner Caçador de Andróides, de 1982), inclusive preservando o clima futurista, o visual, as luzes de neon, o ambiente decadente, os carros voadores, a cidade mergulhada em sombras e chuva permanente e a superpopulação, em uma concepção bem semelhante à do original, acrescentadas algumas inovações sutis, como os hologramas fabulosos. E isso não é fácil realizar. Necessita de um trabalho extremamente competente, direção de arte, fotografia, montagem, produção extraordinária…E por tudo isso, um diretor como Denis Villeneuve, que tem a ousadia de dar continuidade ao clássico e o faz com tamanha competência, pode ser dar ao luxo de fazer um longa-metragem. E os fãs do filme certamente agradecemos, porque com isso mais fatos e mais emoções sobrevêm ao longo do filme, que inclusive amplia as questões filosóficas do anterior! Em segundo lugar, Harrison Ford é um ator veteraníssimo, mas possui um carisma e um magnetismo difíceis de igualar. Se não fosse isso, ainda existe a favor dele o vínculo  com os fatos do filme anterior, o que faz de sua aparição um grande feito e algo tão marcante, que realmente ocorrem mudanças radicais, até de ritmo e de gênero, passando a ser um filme de fantásticos efeitos e de ação e emoção intensas. Há cenas de sobra para emocionar os fãs, mas a alma do filme permanece como sendo a da busca incessante pelas origens e o destino do Homem. E o que essa simbiose de humanos e replicantes fornece é, além disso, matéria de sobra para muitos temas entrelaçados, como o sentido da existência, a identidade (vinculada às memórias!), os conflitos e preconceitos sociais, a ambição…tudo desaguando na leitura mais simples e humana que é a da sobrevivência e do afeto. Há cenas memoráveis, como a primeira em que é citado o nome de Rachael, como a da nave que cai na água e  sequência e mais do que reverencial, inesquecível também, a de Ryan Gosling (que tem uma excelente atuação e honra o importantíssimo papel que faz), que ao se deitar nos degraus sob a neve atrai a mesma música da qual todos os fãs vão recordar, de momento vital do Blade Runner de 1982 e que causará aqui igualmente um impacto enorme! Pena que a trilha sonora não esteja à altura do primeiro filme, mas aí já seria pedir demais! Destaque também para o versátil Jared Leto, assim como para as jovens e novatas atrizes, que já demonstram claramente um brilho futuro. Mas, lado técnico e atores à parte, com esse trabalho o diretor Denis Villeneuve – que já deu ao cinema grandes obras como Incêndios, Os suspeitos, Sicário terra de ninguém, A chegada – consagra-se definitivamente na história da sétima arte. Detalhe: Ridley Scott desejou permanecer apenas como produtor executivo.  9,7

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