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A DANÇARINA E O LADRÃO (EL BAILE DE LA VICTORIA)

Repito aqui comentário já feito sobre a excelência de Ricardo Darín, para mim um dos maiores atores do cinema atual (junto com Al Pacino, Gerard Depardieu, Daniel Auteuil, etc.) e o prazer que é vê-lo atuar. Aqui em um filme espanhol, de 2009,  rodado no Chile, roteiro adaptado, sem gênero definido, passando facilmente do drama para o romance ou para o policial, da tragédia para a comédia, mas que habilmente desliza por diversas situações e facetas, deixando o espectador sem saber qual será o rumo da história. Impressiona mesmo o ritmo e o domínio do diretor Fernando Trueba, bem como a poesia que faz com o cotidiano. Apesar de haver alguns pequenos “deslizes” e pontos fracos (clichês, na verdade), esses desaparecem diante do predomínio das qualidades da produção, as cores da amizade, da paixão, das fraquezas e virtudes do ser humano sempre em busca de seu destino e da superação e muitas vezes da dor, a poesia encontrando seu ápice em um palco do maior teatro chileno, em cena tocante e memorável. O filme, de personagens em busca da “voz perdida”, de bela fotografia e excelente trilha sonora, também é político, com a pós-ditadura de Pinochet servindo de metáfora, assim como ocorre com os cenários magníficos e de liberdade plena, descortinados pelas montanhas de neve e gelo. O título tem um interessante duplo sentido, uma vez que a dançarina – que acaba formando o trio central, junto com os dois homens que saem da cadeia – se chama Victoria, maravilhosamente  interpretada pela atriz Miranda Bodenhofer. Críticas ferrenhas à parte, o filme não é uma obra-prima, mas tem muitos e relevantes significados e símbolos que facilmente passam despercebidos e que serviriam de saborosa temática para muitas horas de debates.  8,5

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